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Programa Antártico Brasileiro: o andar das pesquisas e o novo navio da Marinha

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por Redação 360
| 27/09/2022 | Atualizado em 28/09/2022 4 min

Programa Antártico Brasileiro: o andar das pesquisas e o novo navio da Marinha

por Redação 360 | 27/09/2022 | Atualizado em 28/09/2022
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O Brasil tem em funcionamento, desde 1982, o Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), voltado à pesquisa científica diversificada na Antártica. A ideia é compreender fenômenos que ocorrem nesta região, com repercussão nos sistemas naturais globais e que podem, de algum modo, afetar o território brasileiro – como em sua agricultura, pecuária e pesca -, já que exerce forte influência no Hemisfério Sul.

Óbvio que as motivações desse trabalho fazem parte de estratégias econômicas, mas também de ordem geopolítica – inclusive, vale destacar que o Brasil é Membro Consultivo do Sistema do Tratado da Antártica (STA) desde 1983. Agora nosso país pode participar de decisões e atividades relacionadas ao “continente branco”. Por exemplo, o mapeamento de recursos minerais e recursos energéticos, reservas de água doce, biomassa de krill, e mais.

programa antártico brasileiro
Imagem reproduzida de Marinha do Brasil
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Imagem reproduzida de Câmara dos Deputados

São algumas das metas do Brasil com o PROANTAR:

  • desenvolver pesquisa diversificada sobre a Antártica, produzindo dados tecnológicos e científicos, que possam ser utilizados em aplicações práticas no nosso país;
  • apoiar a formação de especialistas pesquisadores brasileiros e, assim, dar ênfase à representatividade brasileira nas respectivas áreas de interesse da ciência;
  • apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas e métodos para minimização do impacto ambiental de quaisquer atividades brasileiras na Antártica;
  • apoiar atividades educacionais, como intercâmbios acadêmicos;
  • promover um sistema central de informações científicas, ambientais e logísticas adequado ao planejamento e à execução das medidas de proteção ao meio ambiente antártico;
  • e desenvolver programas de monitoramento ambiental nas áreas de atividade do Brasil na Antártica.

Quais as novidades que o Programa Antártico Brasileiro já apresentou em 2022?

40ª Operação Antártica

Recentemente, nos meses do verão antártico – de outubro a março -, o Brasil realizou na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) sua 40ª Operação Antártica, com apoio do Ministério do Meio Ambiente. Na ocasião, foram realizadas visitas de campo para a implementação do plano de manejo da ASMA 01, inspeção das instalações da estação, palestras e conversas entre militares e equipes de cientistas, acompanhamento de atividades de monitoramento de moscas não-nativas na Ilha Rei George, e mais.

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Imagem reproduzida de Marinha do Brasil

Pesquisas sobre os processos biogeoquímicos e ecossistêmicos do continente

Também, na mesma época, representantes do Centro de Biogeoquímica Polar e Subtropical (CBPS), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ajudaram na integração de dados atmosféricos de forma simultânea com o Módulo Avançado Criosfera 1, localizado na latitude 84°S, próximo ao Polo Sul. Lá na Antártica, também foram instalados sensores de gases do efeito estufa, monitores de aerossóis totais para medidas em tempo real, blackcarbon e bioaerossóis. Tudo isso permitirá conhecer melhor os processos biogeoquímicos e ecossistêmicos do continente, como atividade vulcânica.

Nova Política Nacional para Assuntos Antárticos

Com o passar dos meses, outras unidades da estação brasileira trabalharam com pesquisas em química, biologia micromolecular, microbiologia, bioensaios, e mais. Um dos momentos mais marcantes ocorreu no meio do ano, com a assinatura do Decreto n° 11.096 de 15 de junho de 2022, atualizando a Política Nacional para Assuntos Antárticos (POLANTAR), cujo texto original foi aprovado por decreto de 1987. Com isso, houve, por exemplo, a entrada em vigor do Protocolo de Madri, que estabelece as diretrizes e os cuidados ambientais na região do Tratado, e a inclusão da Antártica no entorno estratégico brasileiro.

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Imagem reproduzida de Fadepe

Novo Navio de Apoio Antártico

Para finalizar, a mais recente boa nova do Programa Antártico Brasileiro é a assinatura de um contrato para compra de um novo navio de pesquisas – que deverá ser construído no Estaleiro Jurong-Aracruz (EJA), localizado no Estado do Espírito Santo, e entregue até 2025. O Navio de Apoio Antártico (NApAnt) terá:

  • capacidade para 95 tripulantes;
  • funcionamento com propulsão diesel-elétrica;
  • autonomia de 70 dias;
  • dimensões de 93,9 metros de comprimento, 18,5 metros de largura, calado de 6 metros;
  • e casco em formato específico e reforçado com um cinturão de aço especial logo abaixo de sua linha d’água, para abrir caminho e quebrar as placas de gelo.

A ideia é que a nova embarcação possa substituir e desenvolver as mesmas missões do Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” – modelo construído na Noruega, em 1981 -, mas com capacidades aprimoradas em função da experiência no PROANTAR e dos requisitos de apoio à nova Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). Por exemplo, guindastes mais modernos, maior capacidade de carga e manobra, sistema de navegação e controles sofisticados, e mais. Confira imagens!

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Imagem reproduzida de Marinha do Brasil

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Fontes: Rondônia Dinâmica, Marinha do Brasil.

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