Uma das maiores preocupações ambientais da atualidade é a escassez de água potável. Muitos rios estão contaminados pela ação humana. Os microplásticos, por exemplo, são muito difíceis de serem identificados e filtrados. Mas a ciência brasileira descobriu algo impressionante, parece que sementes de moringa (planta originária da Índia, muito conhecida como “árvore da vida”), , amplamente acessível, podem desempenhar um papel decisivo na purificação da água potável. O Engenharia 360 te conta mais no artigo a seguir. Acompanhe!

O problema invisível dos microplásticos
A poluição por microplásticos tornou-se um desafio para a ciência a partir do século XXI. Só para se ter uma ideia, hoje é possível encontrar partículas microscópicas de polímeros desde o Monte Everest até as profundezas da Fossa das Marianas — ou seja, do ponto mais alto ao mais profundo da Terra. Quem é o culpado disso? Nós! Por isso, precisamos urgentemente encontrar uma solução para esse problema.
Então, é claro que quando abrimos a torneira para enxer um copo com água há uma grande chance de bebermos plástico. Esse material — que muitas vezes se origina de processos industriais ou da produção de roupas sintéticas ou de PVC (cloreto de polivinila, altamente cancerígeno) — passa por nosso corpo, impacta nossa saúde, é eliminado pela urina, degrada o meio ambiente e continua seu ciclo.
A saber, durante o trajeto por corpos hídricos, com a exposição à radiação ultravioleta do sol, o plástico sofre intemperismo, tornando-se cada vez mais difícil de ser removido por processos tradicionais de filtração.

O princípio da coagulação na Engenharia Sanitária
Antes de entender melhor a pesquisa desenvolvida com a moringa, vale esclarecer que as partículas de microplásticos — assim como muitas outras substâncias contaminantes — carregam uma carga elétrica negativa em sua superfície. Essa carga faz com que as partículas se repilam mutuamente, dificultando a aglomeração e, consequentemente, a filtragem. Diante disso, o que os engenheiros fazem nas estações de tratamento é aplicar coagulantes até conseguir “aglomerar” as partículas plásticas e “capturá-las” — processo chamado de floculação.
O problema é que, ao usar os coagulantes químicos, o processo de tratamento de água gera uma matéria orgânica com alto risco de toxicidade residual a longo prazo. É mais um problema ambiental!
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A revolução sanitária da Moringa oleifera
Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em São José dos Campos (SP), estudaram as propriedades da planta Moringa oleifera — popularmente conhecida como moringa ou acácia-branca. Eles descobriram que o processo de base biológica dessa planta supera, em muitos cenários, os tratamentos químicos convencionais para o tratamento de água. A partir disso, os cientistas consideraram a possibilidade de encontrar uma solução definitiva para mitigar a necessidade de compostos químicos agressivos ou instalações complexas.
Agora estamos diante de uma possível democratização do acesso a tecnologias de tratamento de água. O extrato salino das sementes de moringa pode ser uma alternativa mais natural, saudável e de baixo custo. Ele atuaria como um poderoso agente coagulante. Testes com resultados publicados na renomada revista ACS Omega mostraram que, em águas de características mais alcalinas, a moringa obteve resultados mais eficientes do que os coagulantes de sulfato de alumínio.

Validação científica
O método no qual os cientistas brasileiros se basearam é o de filtração em linha, uma técnica relativamente simples e eficiente. Primeiro faz-se a adição de um agente coagulante (neste caso, o extrato de moringa). Depois o líquido passa por um filtro (geralmente de areia).
Na simulação, os pesquisadores da UNESP recriaram as condições reais de uma estação de tratamento de água utilizando a técnica Jar Test. Eles adicionaram microplásticos de PVC à água de torneira e mediram a remoção dos polímeros com o uso da moringa através de microscopia eletrônica de varredura (MEV). Também foram feitas medições a laser e com câmeras de alta velocidade, monitorando o tamanho dos aglomerados formados.
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O futuro do tratamento de água
Apesar da empolgação dos pesquisadores brasileiros e das boas perspectivas do uso da moringa no tratamento de água, a ciência ainda precisa superar alguns desafios. Um deles é o manejo da matéria orgânica dissolvida na água após o uso do extrato, o que pode exigir etapas adicionais ao processo em larga escala. Por outro lado, já seria possível aplicar a técnica, de forma viável e eficiente, em contextos menores — como em propriedades rurais ou pequenas comunidades.
Hoje, a moringa é considerada um superalimento funcional de alto valor nutricional (por oferecer proteínas vegetais, vitamins, cálcio, ferro e antioxidantes); todas as suas partes são comestíveis e usadas na culinária. Em breve, contudo, ela pode deixar de ser vista apenas como uma planta comum ou um alimento e passar a ocupar um papel estratégico na luta por um futuro mais sustentável, o coração de um novo sistema de filtração de água.
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Fontes: Science Daily.
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