Fabricar tijolos — sem precisar realizar a queima de combustíveis fósseis ou emitir toneladas de dióxido de carbono — com urina humana. Esta ideia certamente parece muito estranha à primeira vista, mas é justamente essa a proposta feita certa vez por uma equipe de estudantes da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul. Eles viram nesse resíduo uma potencial solução para acabar com a poluição da construção civil. O Engenharia 360 te conta mais no artigo a seguir. Acompanhe!

O problema invisível dos tijolos tradicionais

Pouca gente sabe disso, mas a fabricação de tijolos convencionais é extremamente poluente. O processo atual, utilizado para produção de peças com a resistência necessária, vale-se da queima em fornos que chegam a mais de mil graus Celsius, consumindo enormes quantidades de energia e liberando grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. E diante do cenário de crise ambiental global, fica evidente a urgência de a engenharia buscar alternativas para contornar essa situação. Uma delas são os biotijolos.

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biotijolos de urina humana
Imagem ilustrativa gerada em IA de Google Gemini

Como transformar urina em biotijolos

A produção de biotijolos a partir da urina humana é um projeto sobre sustentabilidade na engenharia datado de 2018, que contou com a supervisão de Dyllon Randall e investigação dos alunos Vukheta Mukhari e Suzanne Lambert. Em tese, o processo de desenvolvimento seria relativamente simples, valendo-se de um fenômeno natural conhecido como precipitação de carbonato microbiano. Isso seria algo parecido com o que se vê na formação de corais nos oceanos.

biotijolos de urina humana
Imagem ilustrativa gerada em IA de Google Gemini

Primeiro, a urina humana seria coletada, colocada em recipientes e encaminhada para tratamento em duas etapas. Na fase um, ela é combinada com areia e bactérias específicas. Essas bactérias produzem uma enzima (urease) que “quebra” a ureia presente na urina. O resultado da reação química seria a geração de carbonato de cálcio — que, aliás, é o mesmo material encontrado em rochas como o calcário.

O produto, rico em nutrientes, já pode ser utilizado como fertilizante por outras áreas; já o remanescente é destinado para a construção civil. O carbonato seria usado como um “cimento natural”, unindo grãos de areia e formando um bloco sólido ou biotijolo cinza resistente.

Resistência

Nos testes realizados na Universidade da Cidade do Cabo, os biotijolos produzidos com urina humana apresentaram resistência equivalente a tijolos contendo cerca de 40% de calcário.

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Os pesquisadores acreditam que, com ajustes no processo de fabricação, seria possível até dobrar a rigidez do material em poucos meses. Mais do que isso, as peças poderiam ter formato adaptado conforme a necessidade e a resistência ajustada pelo aumento do tempo de “cultivo”. Essa capacidade de personalização abre portas para aplicações diversas dentro da engenharia.

Vantagens

Os biotijolos oferecem muitas vantagens para a construção civil. Ao dispensarem fornos e altas temperaturas, reduzem o consumo de energia e as emissões de CO₂, resultando em um impacto ambiental muito menor que o dos tijolos tradicionais ou de soluções com ureia sintética.

Além disso, transformam um resíduo que seria descartado em matéria-prima — com potencial de desperdício zero, inclusive em regiões com saneamento precário — e com baixo custo. As peças ainda podem alcançar alta resistência e ser moldadas conforme as necessidades de cada obra.

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Quanto “xixi” é preciso para fazer um biotijolo

Em média, uma pessoa produz entre 200 ml e 300 ml de urina por vez. E para produzir um único biotijolo seriam necessários entre 25 e 30 litros de urina. Isso significa que seriam necessárias cerca de 100 idas ao banheiro para gerar matéria-prima suficiente para um único tijolo. Sim, é muito, mas o fertilizante gerado compensaria o “investimento”.

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Para quem tem dúvidas sobre o cheiro dos biotijolos… No começo, eles podem exalar um odor de amônia, mas isso tende a desaparecer depois de 48 horas. O próprio pH alto da reação durante o processo de produção ajuda a matar patógenos e bactérias nocivas, tornando o produto seguro para uso. Ou seja, não há risco à saúde!

Um novo caminho para a construção civil

Fato é que a engenharia e a arquitetura vão precisar, querendo ou não, mais cedo ou tarde, abandonar alguns materiais tradicionais. Essa mudança de pensamento vai ter que acontecer se quisermos salvar nosso planeta do colapso ambiental. E com mais pesquisas e investimentos, é possível que essa tecnologia evolua para atender padrões industriais e normativas de construção.

biotijolos de urina humana
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Fontes: Click Petróleo e Gás.

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Engenharia 360

Simone Tagliani

Graduada nos cursos de Arquitetura & Urbanismo e Letras Português; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais, Jornalismo Digital, Marketing Digital, Gestão de Projetos, Transformação Digital e Negócios; e proprietária da empresa Visual Ideias.