A engenharia brasileira está prestes a redefinir a forma como lida com os alimentos. Em princípio, pelo que sabemos, uma fruta sem conservantes deveria apodrecer rapidamente, sendo em seguida descartada no lixo orgânico. Mas uma pesquisa publicada recentemente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), revelou um biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e também legumes — e os resultados iniciais impressionam. Onze em cada doze laranjas tratadas resistiram à ação de fungos. Impressionante, não?
O mais legal dessa solução é que ela, baseada em princípios químicos e biotecnológicos, pode substituir o uso de agrotóxicos, atuando diretamente na estrutura dos microrganismos responsáveis pela deterioração dos alimentos. Seria essa a resposta que buscávamos para resolver o problema do desperdício massivo do mercado? Continue lendo este artigo do Engenharia 360 e descubra!
Como funciona o biodetergente na prática
É muito interessante a proposta desse novo biodetergente desenvolvido pelos pesquisadores. Ele atua como um revestimento para alimentos. Ao ser aplicado sobre a superfície do fruto ou legume, o produto cria uma barreira invisível e altamente eficaz contra fungos, interferindo diretamente na sua estrutura — “desorganizando” as informações e impedindo a proliferação. Isso difere muito dos métodos tradicionais de conservação, que quase sempre dependem de refrigeração intensa ou substâncias químicas agressivas.
Resumindo, se com o biodetergente os fungos não conseguem se multiplicar, as chances de comprometimento da integridade dos alimentos diminuem, prolongando seu tempo de prateleira.
A saber, a ausência de compostos químicos nocivos (agrotóxicos) também destaca o compromisso com a sustentabilidade ambiental e com a saúde do consumidor final.

A origem inusitada
A história do novo biodetergente criado pelos cientistas remonta ao ano de 2009. Na época, vários pesquisadores trabalhavam investigando derivados de petróleo para a indústria energética. Mirando nesse alvo, eles acertaram outro. Com a ajuda da tecnologia e de uma visão interdisciplinar, os profissionais observaram que havia um leque maior de possibilidades para a utilização do produto, produzido exatamente da mesma forma.
PUBLICIDADE
CONTINUE LENDO ABAIXO
Por exemplo, em nível microscópico, deu para ver que o material estudado possui propriedades que podem ser aplicadas em outras cadeias produtivas e áreas da engenharia.
Resultados que chamam atenção dos cientistas
Os pesquisadores da UFRJ e da Embrapa aplicaram o biodetergente em laranjas e, depois, expuseram-nas a fungos. Resultado? As frutas permaneceram aparentemente intactas por vários dias. Esse resultado (obtido em ambiente controlado de laboratório) é totalmente novo para o mercado e pode significar uma possível mudança estrutural na cadeia de distribuição de alimentos. Se confirmado em larga escala, o impacto pode ser gigantesco. A saber, hoje, bilhões de dólares são perdidos anualmente com alimentos que estragam antes de chegar ao consumidor.
Hoje, bilhões de dólares são perdidos anualmente com alimentos que estragam antes de chegar ao consumidor.
O desafio da escala industrial
O primeiro desafio reconhecido deste projeto é a transição para a escala industrial, ou seja, provar que aquilo que funciona na bancada do laboratório também tem potencial para o ambiente fabril e automatizado, com esteiras de produção utilizadas em centrais de distribuição. Mas, antes, ainda falta testar o produto em forma líquida manualmente com um pincel sobre as frutas — aplicação rápida, uniforme e em grande volume.
PUBLICIDADE
CONTINUE LENDO ABAIXO
Então, como será seu desempenho em diferentes condições reais, incluindo variações de temperatura, umidade e transporte? Somente a ciência dirá.
Os pesquisadores querem provar que é possível fazer uso do biodetergente, em fórmula adaptada, em outros tipos de alimentos, como morango, mamão, feijão e soja.

Possíveis impactos na cadeia global de alimentos
Como citado antes, um potencial impacto dessa inovação revelada por UFRJ e Embrapa é uma possível redução no desperdício de alimentos. Dito isso, queremos destacar que atenuar essas perdas é igual a menor necessidade de produção, menor uso de recursos naturais, energia e solo. Também contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa associadas à cadeia.

Do ponto de vista da sustentabilidade, o novo biodetergente representa uma solução alinhada às demandas atuais por tecnologias limpas e eficientes.
Quando a tecnologia chega ao mercado? Os cientistas estimam que, após certificações regulatórias e adaptação industrial, em cerca de cinco anos.
Ficou animado? Compartilhe com os amigos esta matéria e espalhe essa grande novidade de Engenharia de Alimentos!
Veja Também: Embalagem que muda de cor avisa se peixe está estragado
Fontes: G1.
Imagens: Todos os Créditos reservados aos respectivos proprietários (sem direitos autorais pretendidos). Caso eventualmente você se considere titular de direitos sobre algumas das imagens em questão, por favor entre em contato com contato@engenharia360.com para que possa ser atribuído o respectivo crédito ou providenciada a sua remoção, conforme o caso.
Comentários
Redação 360
Nossa missão é mostrar a presença das engenharias em nossas vidas e a transformação que promovem, com precisão técnica e clareza.
