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Quem foi Michael Faraday, o homem sem diploma que contribuiu para o surgimento da eletricidade

por Andrey Lucena | 30/03/2017
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Considerado um dos pais da engenharia elétrica, Michael Faraday era filho de um modesto ferreiro quando, aos 14 anos, foi trabalhar como aprendiz numa loja de encadernação. Nessa época, sua instrução limitava-se aos rudimentos da aritmética e a algumas noções elementares de linguagem.

Familiarizando-se com os livros, Faraday passou a interessar-se pela leitura das obras científicas, particularmente as de química. Sua paixão pela nova ciência levou-o a assistir às conferências do químico Humphry Davy, na Royal Institution.
Em março de 1813, foi nomeado ajudante de laboratório da Royal Institution, por recomendação de Humphry Davy.

Davy precisava fazer uma lâmpada de segurança para ser usada nas minas e Faraday pôde mostrar seu potencial, dando-lhe sugestões, pois tinha grande capacidade analítica. Suas sugestões foram aceitas. Davy o reconheceu e lhe deu a oportunidade de participar ativamente de suas experiências.

Royal Institute

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Seis meses depois, Davy o convidou para acompanhá-lo como seu “assessor filosófico” em uma série de conferências. No dia 13 de outubro de 1813, partiram para a Europa. “Esta manhã marca uma época em minha vida”, escreveu em seu diário. Como o criado de Davy desistiu de viajar, Faraday assumiu este papel. A viagem foi cheia de surpresas para Faraday: conheceu o mar, as montanhas, o Vesúvio; em Paris, viu Napoleão; conheceu Alessandro Volta, André-Marie Ampère, Joseph Gay-Lussac e outros cientistas.

Faraday foi principalmente um experimentalista, tendo sido descrito como o “melhor experimentalista na história da ciência”, mesmo não conhecendo matemática avançada, como cálculo infinitesimal.

Suas grandes contribuições para a ciência tiveram grande impacto sobre o entendimento do mundo natural. As descobertas de Faraday cobrem áreas significativas das modernas física e química, e a tecnologia desenvolvida baseada no seu trabalho está ainda mais presente. Suas descobertas em electromagnetismo forneceram a base para os trabalhos de engenharia no fim do século XIX para que Edison, Siemens, Tesla e Westinghouse tornassem possível a eletrificação das sociedades industrializadas. Seus trabalhos em eletroquímica são amplamente usados em química industrial.

Na física, foi um dos primeiros a estudar as relações entre eletricidade e magnetismo.

Em 1821, logo após Oersted descobrir que a eletricidade e o magnetismo eram associados entre si, Faraday publicou um trabalho que chamou de “rotação eletromagnética”, elaborando os princípios de funcionamento do motor elétrico.
No final de 1824, saiu em busca do efeito da indução eletromagnética: introduziu um imã num solenóide que transportava corrente elétrica por estar conectado aos pólos de uma bateria, cujas extremidades estavam ligadas a um galvanômetro, aparelho utilizado para detectar variação na corrente elétrica. Se as correntes elétricas produziam efeitos sobre os imãs, os imãs deveriam produzir efeitos sobre as correntes elétricas. Todavia, nada observou de interessante.

Representação de uma indução eletromagnética


Finalmente, em 1831, conseguiu que uma corrente elétrica em um circuito induzisse corrente em outro circuito. Em 17 de outubro, realizou seu experimento mais conhecido, conseguindo induzir corrente elétrica pela variação de um campo magnético. Era o primeiro gerador, conhecido como dínamo, que transforma a energia mecânica em energia elétrica. As modernas usinas hidrelétricas são uma demonstração viva desse fenômeno.

Gerador Dínamo MODERNO


Anunciou então a formulação da lei da indução eletromagnética. Devido a sua precária formação no campo, essa lei só foi escrita em linguagem matemática por James Maxwell e constitui uma das quatro leis fundamentais do eletromagnetismo.

 
Faraday nunca se beneficiou pessoalmente das aplicações de suas descobertas, tendo se mantido na Royal Institution até o fim da carreira. Sem nunca ter cursado uma universidade, recebeu títulos honorários e homenagens. Os cadernos de laboratório e sua correspondência permitiram melhor conhecimento da vida e obra desse grande cientista. Faraday se aposentou em 1858 e morreu em 25 de agosto de 1867, em Hampton Court Green.
Durante toda a sua vida acadêmica Faraday deu nome a várias constantes e experimentos, exemplo disso a Gaiola de Faraday, talvez seu experimento mais comentado no mundo acadêmico.
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