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Criosfera 1 é reaberto: pesquisadores brasileiros retomam atividades na Antártica

por Kamila Jessie | 26/12/2019
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Quem acha que a vida do pesquisador brasileiro está limitada às nossas fronteiras políticas ou a cubículos de bibliotecas ou laboratórios, não imagina que temos equipes na porção mais sul do planeta: a Antártica. O Criosfera 1, módulo laboratorial latino-americano, foi reaberto em dezembro e está em operação. Trata-se de uma ação conjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (INPE) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e faz parte do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).

criosfera
Imagem: cnpq.br

O que é o Criosfera 1?

O Criosfera 1 é uma plataforma científica, autossustentável, inaugurada em 2012: o módulo laboratorial usa sol e energia eólica para suprir o necessário para seus equipamentos contendo também uma estação meteorológica operante durante o ano inteiro. Com esses atributos, o Criosfera 1 permite investigar interações entre as massas de ar antárticas e as do Brasil.

Os sensores do módulo laboratorial também fornecem amostragem contínua de componentes químicos da atmosfera. Em especial, dióxido de carbono (CO2), nesse que é um dos locais mais isolados Terra, sugerindo sinais globais de poluição. No Criosfera 1, também há um detector de raios cósmicos e sistema coletor de aerossóis.

Pesquisadores brasileiros numa fria:

Nossos cientistas BR, nesta reabertura do Criosfera 1, vivenciaram uma colônia de férias, por assim dizer, um tanto quanto inusitada. No caso, os pesquisadores tiveram de ficar acampados sobre a neve nos arredores do Criosfera, após enfrentarem fortes ventos responsáveis por uma sensação térmica de -40º C. A equipe estava lá para dar um check nos equipamentos, dados que alguns estavam na geladeira, com o perdão do trocadilho, há quase 12 meses.

O acampamento para que fosse realizada a manutenção anual consistiu de duas barracas para os pesquisadores e outras duas utilizadas como cozinha e banheiro. Dentro do Criosfera 1, somente estão os equipamentos científicos, computadores e ferramentas. A temperatura nas barracas oscila ente -8º C e -18º C, o que combina com a atmosfera natalina de alguns comerciais, mas não parece aquecer o coração.

Vale citar, como trivia, que não há freezer nas barracas e a alimentação é normal, mas os congelados são deixados guardados na própria neve antártica. Uma estufa, mantida por energia solar, derrete os congelados na hora do preparo. Além disso, massas, arroz, cereais, queijo e, é claro, vinho mantém a equipe em dieta hipercalórica, evitando hipotermia. Uma panela é mantida no fogão continuamente derretendo neve, assim, provendo água, principalmente para beber (desidratação e um perigo constante nas baixas temperaturas enfrentadas).

A expedição permaneceu na Antártica até 20 de dezembro.

Referências: CNPq, UFRGS.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217

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