Você sabia que existe uma “alquimia” moderna capaz de transformar plástico velho em petróleo? Não é misticismo, é ciência e tecnologia que já estão mudando o jogo da reciclagem. Essa ideia pode parecer coisa de filme futurista, mas uma empresa americana chamada Agilyx mostrou ainda na década passada que essa transformação é possível de verdade — e pode ser um divisor de águas para o meio ambiente e a indústria do plástico. O Engenharia 360 te conta mais no artigo a seguir!

O que é alquimia?

Alquimia, no passado, era uma busca quase mágica para transformar metais comuns em ouro. Hoje, a palavra pode ser usada para descrever processos científicos surpreendentes de transformação, como esse que converte plástico em petróleo. O que a Agilyx conseguiu não é menos impressionante: pegar aquele plástico velho, sujo e indesejado que a maioria das recicladoras rejeita e, em vez de descartá-lo, transformá-lo em petróleo cru.

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Como funciona essa reciclagem que parece mágica?

A técnica é simples e complexa ao mesmo tempo. Primeiro, o plástico é triturado, ou seja, ele é picado em pedacinhos pequenos. Depois, esses pedaços são colocados em um enorme “cartucho” onde são aquecidos — aí acontece o processo fundamental: o plástico derrete e vira gás. Esse gás é então resfriado na água, se transformando em petróleo bruto, que “flutua” e pode ser separado.

Mais de 75% do plástico original vira petróleo de excelente qualidade, que pode ser refinado igual ao petróleo tradicional da Arábia Saudita ou Rússia. O restante vira gás, usado na própria indústria, e uns 10% viram resíduos finais. Para você ter uma ideia: 10 toneladas de plástico produzem cerca de 50 barris de petróleo!

alquimia moderna
Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini

Energia gerada versus energia consumida

Um detalhe que deixa essa tecnologia ainda mais “mágica”: o processo gera cinco vezes mais energia do que consome. Ou seja, para cada unidade de energia usada para transformar plástico em petróleo, ele produz cinco de volta. Isso faz dela não só uma forma de reciclagem, mas também uma fonte energética eficiente.

Viabilidade econômica

Muitas vezes se pensa que essas tecnologias só funcionam quando o preço do petróleo está nas alturas, mas a Agilyx já é lucrativa mesmo com o preço médio a US$ 100 o barril. Grandes investidores entraram no projeto, incluindo o líder americano de resíduos Waste Management e a gigante francesa Total. Isso mostra que o mercado acredita que essa é uma solução real, e não só uma ideia promissora.

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O petróleo produzido é realmente bom?

Sim! O petróleo vindo do plástico reciclado não perde em qualidade para o petróleo extraído do subsolo. Aliás, o plástico é derivado do petróleo refinado, então ele já é uma forma mais pura do produto, com menos impurezas. O petróleo reciclado pode ser até considerado um tipo “leve”, muito valorizado pelas refinarias porque é mais fácil e limpo de processar.

Essa tecnologia é mesmo sustentável e amiga do meio ambiente?

Essa é a pergunta que todo mundo faz. Reciclar plástico que iria para o lixo já é em si uma atitude ambiental positiva. A tecnologia reduz a quantidade de plástico em aterros e no meio ambiente, além de evitar que ele vire poluição nos oceanos e rios. Produzir petróleo a partir do plástico, em vez de extrair do subsolo, pode diminuir o impacto da exploração tradicional, que é poluente e destrói ecossistemas.

Por outro lado, é importante lembrar que a queima do petróleo em si continua liberando CO₂ e outros gases poluentes, então o processo não é 100% “verde”. Mas como forma de reaproveitamento de resíduos, especialmente aqueles que não são reciclados de outra forma, essa “alquimia” moderna se apresenta como uma solução muito promissora para a crise do plástico.

alquimia moderna
Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini

E o que vem por aí?

A Agilyx foi pioneira e já conseguiu chamar a atenção mundial, mas outras empresas também estão investindo nessa ideia, como a britânica Cymar e a americana Vadxx Energy, ainda que ainda não tenham alcançado a mesma escala. O interesse na Europa cresce e pode até levar à implementação de unidades por lá, já que o espaço para novos aterros está ficando curto.

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A tecnologia tem um enorme potencial de transformação para a indústria, para o planeta e para todos nós que consumimos plástico diariamente.

Essa história mostra que a ciência pode fazer “mágica” de verdade, e que a “alquimia” não está só nos livros antigos, mas nas inovações tecnológicas que buscam salvar o planeta de um dos seus maiores problemas: o lixo plástico.

Veja Também: Engenheira queniana encontra solução para transformar resíduos em tijolos plásticos altamente resistentes


Fonte: Terra, Exame.

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