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Veja o que se pode fazer para prevenir incêndios em residências

por Simone Tagliani | 10/02/2021

Pesquisas revelam que grande parte dos incêndios no Brasil acontecem em edifícios não vistoriados pelos bombeiros.

O fogo é traiçoeiro e assustador! Ele se transformar rapidamente e logo consome vidas e patrimônios. Só a sua fumaça já contém monóxido de carbono, um gás tóxico que causa a morte quando inalado em grandes quantidades. As suas partículas, soltas no ar, podem danificar para sempre os pulmões e vias respiratórias. Em meio ao desespero de fugir disso, nossa capacidade de raciocínio e percepção diminuem e, com os níveis de oxigênio baixos, já se pode sentir náuseas. Depois, vem a inconsciência e a parada respiratória ou cardíaca. É o fim!

Em 2017, a Divisão de Perícias de Incêndio do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina divulgou alguns dados de pesquisas. Eles constaram que 60% dos incêndios que combateram no ano anterior eram em edificações de residências unifamiliares. A maioria dos casos em casas que jamais seriam objeto de fiscalização. São situações que um planejamento preventivo faria a diferença!

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O Engenharia 360 traz este alerta: precisamos entender os incêndios! O único jeito de combatê-los é a prevenção – o que exige certa quantidade de esforço e recursos econômicos. Mas, para começar, vamos instruir nossa comunidade sobre o mínimo que pode ser feito! Interessado? Então, continue lendo para saber mais!

bombeiros apagando Incêndios
(imagem de Blog Focus Concursos)

Quais os estágios de um incêndio?

Antes de responder a esta pergunta, vamos explicar da onde vem o fogo. Ele é composto de três coisas. Primeiro, o combustível, que é o material que queima – como madeira, papel, tecido, algodão, álcool, óleo, graxa, gás propano, etano e mais. Segundo, o comburente, que é o oxigênio. E, em terceiro, o calor, que provoca toda a reação em cadeia – o começo do incêndio, a ignição.

Na etapa de propagação, o fogo começa a se espalhar no ambiente. A velocidade deste processo vai depender dos elementos presentes no local. Por exemplo, gasolina faria o fogo se espalhar mais rapidamente, enquanto paredes de concreto ajudariam a retê-lo por mais tempo. Mas se a quantidade de combustível for alta e a entrada de oxigênio no recinto permanecer com força total, logo a situação entra para combustão contínua. E é só quando o calor disparado pelas chamas começar a ser amenizado – talvez pela ação dos bombeiros – é que a combustão vai se esgotando e há a redução do incêndio.

imagem das fases do Incêndios
(imagem de Bombeiro Baldini)

São os três métodos para extinção do fogo utilizados pelos bombeiros: resfriamento, isolamento – como a retirada do material que está queimando ou que está próximo do fogo -, e ataque químico – com o uso de agentes extintores ao fogo.

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Veja Também: Aprenda a proteger estruturas de madeira antiga contra incêndios

Quais os possíveis riscos de incêndio dentro de casa?

De acordo com os Bombeiros de Santa Catarina, a maioria dos casos investigados de incêndios em residências unifamiliares revelou que o fogo havia começado por interferência humana. E mesmo dentre estes, grande parte a culpa foi atribuída à negligência dos moradores. Por exemplo, um sofá com impermeabilização inflamável exposto aos raios solares intensos; ou uma quantidade elevada de aparelhos ligados à tomada por um adaptador Benjamin, em formato de ‘T’.

“Um eletrodoméstico esquecido ligado, uma tomada de energia com sobrecarga ou mesmo o incorreto uso de um fogão à lenha/lareira, podem ser o início de um incêndio de grandes proporções e com perdas irreparáveis.”

Major Deivid Vidal, Governo de Santa Catarina.

São causas comuns de incêndios detectados em perícias de residências: acúmulo de lixo em local impróprio; uso e depósito incorreto de produtos inflamáveis ou explosivos – como o próprio álcool gel, usado para combater a covid-19 -; manuseio incorreto de fogão à lenha, fósforo e velas; crianças brincando com fogo dentro de casa; esquecimento de chapinhas de cabelo, fritadeiras e aquecedores elétricos ligados; sobrecargas elétricas; curto circuitos em tomadas, ventiladores, secadores de cabelo, máquinas de lavar roupas, chuveiros e geladeiras; além de explosões de baterias de celular.

cozinha em chamas
(imagem de Cemara Loteamentos)

Quais as ações mínimas para prevenção contra incêndios?

No Brasil, o órgão que regulamenta, fiscaliza, aprova projetos e faz o combate dos incêndios é o Corpo de Bombeiros. Então, para começar, é importante atendermos quais as suas orientações, seguindo os códigos, normas e legislações que o nosso município solicita. Em caso de dúvidas, é sempre bom consultar um especialista que pode elaborar um plano adequado de prevenção mais seguro e econômico para a sua família.

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Lembrando que só profissionais habilitados podem implantar um sistema contra incêndios realmente eficaz ou avaliar situações de risco de estruturas, instalações elétricas e de gás!

Um edifício de maiores proporções – como residencial, comercial e institucional – deve ter um PPCI – Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios – aprovado e em dia com os órgãos regulamentários. Condomínio, por exemplo, devem contar com equipamentos de proteção coletiva.

Dentro de empresas, pode haver uma equipe treinada para agir em situações de emergência, tomando as devidas providências necessárias. Mas em uma residência comum, nada disso é exigido. Porém, a própria família pode estudar o caso, buscar esclarecimentos e adquirir alguns equipamentos básicos de proteção!

mão segurando extintor de  Incêndio
(imagem de Cube Arquitetura e Engenharia)

Geralmente, em edifícios maiores, existem sistemas de proteção passiva – com direito a rotas de fuga, equipamentos de orientação, revestimentos das estruturas e controle de materiais – e ativa – que são os sensores, alarmes, hidrantes, extintores, dutos de ventilação, sprinklers, entre outros. Dentro de casa, pode-se até ter alguns extintores. Mas, atenção: se os moradores não souberem realmente como combater o fogo, qualquer atitude tomada poderá piorar a situação!

São os diferentes tipos de extintores: água pressurizada, para incêndios classe A ; pó químico, classe B; espuma, classe A e B; gás carbônico, para classe C; pó ABC, classe ABC; e pó químico especial, classe D.

Leia também: Você sabe para que serve cada tipo de extintor?

Incêndios
(imagem de Gold Engenharia)

Qual o impacto do combate a incêndios no planejamento arquitetônico?

Alguns arquitetos ignoram a questão do combate a incêndios, como se isto fosse algum empecilho à sua criatividade. Erro grave!

O negócio é que é preciso, sim, considerar o Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios desde o início da concepção do projeto. Não tem como evitá-lo, já que esta simples atitude é a maior garantia de preservação do patrimônio, de manutenção da estabilidade estrutural e de segurança dos próprios futuros usuários das construções. Uma ideia que deve, inclusive, ser reforçada nas academias, lembrando os estudantes de que tal análise precisa fazer parte das elaborações arquitetônicas sempre!

projeto arquitetônico
(imagem de Canova Extintores)

O profissional terá a seu dispor os textos de códigos, normas e legislações – que, em alguns casos, será obrigado a seguir, sem opção de escolha. Porém, é essencial que ele vá atrás de mais soluções técnicas convenientes e eficientes que possam ajudar a melhorar o seu projeto – de acordo com a classificação do edifício que está desenhando, que determina seu possível grau de risco de incêndio. Em sua lista de pesquisa, deve constar: rotas de fugas, dispositivos para controle do movimento da fumaça, reservatórios de água, canalizações, hidrantes, sistemas de alarme, sinalizações, e materiais não inflamáveis e antichamas.

“Hoje temos produtos e vernizes específicos que retardam as chamas e podem ser aplicados em madeira, tecido, carpetes e diversos outros materiais. Além disso, há também as tintas intumescentes contra o fogo e a propagação das chamas; e os selantes corta-fogo que são aplicados em tubulações, juntas, cabeamentos elétricos e fissuras.”

Sandra Pompermayer, arquiteta e urbanista da USF – Itatiba Design.

Incêndios
(imagem de Caza Condomínios)

Fontes: Governo de Santa Catarina, Jornal de Brasília, Governo de Goiás, BBC, Gifel, Ugreen, Arch Daily, Engepred, Design para Escritório.

Você já pensou na prevenção de incêndios na sua residência? Deixe nos comentários!

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.