A engenharia civil brasileira – mesmo que atrasada, em comparação com a engenharia de outros países – está todo dia superando seus limites, com arquiteturas cada vez maiores e mais tecnológicas. Há algum tempo, ela alcançou um novo patamar com a construção da maior cortina atirantada do país, localizada na Rodovia dos Tamoios, em São Paulo. Esta obra grandiosa, marco na engenharia geotécnica, impressiona por suas dimensões. Confira detalhes no artigo a seguir, do Engenharia 360!

O que é uma cortina atirantada

É claro que não poderíamos começar este texto sem esclarecer algumas questões de engenharia. Então, saiba que cortina atirantada é um modelo de contenção muito utilizado para estabilizar taludes e encostas; o objetivo é prevenir situações de deslizamento de terra que poderiam atingir estradas, casas e mais. Tal tipo de estrutura é geralmente requisitada em obras que demandam reforço de segurança Ela é feita de concreto armado ancorado em profundidade ao solo com ajuda de tirantes metálicos (mais precisamente aço tensionado).

maior cortina atirantada do Brasil
Imagem reproduzida de Concessionária Tamoios

As principais características da cortina atirantada da Tamoios

Como dito antes, a maior cortina atirantada do Brasil está localizada na Rodovia dos Tamoios, que liga o Vale do Paraíba ao Litoral Norte de São Paulo. A mesma tem 30 metros de altura (equivalente a 13 andares) e é ancorada por aproximadamente 1.400 tirantes horizontais, cada um com 34 metros de profundidade e capacidade de tração de 120 toneladas. Tudo isso faz parte de um complexo plano de engenharia para garantir que encostas adjacentes à rodovia permaneçam estáveis, assegurando a segurança dos usuários.

A saber, a Rodovia dos Tamoios é uma via crucial do estado. Ela facilita o transporte de milhares de pessoas e mercadorias todos os dias, sendo um diferencial importante para a economia na região litorânea. E, a saber, a construção da cortina atirantada foi essencial para a duplicação da rodovia, permitindo a ampliação da capacidade de tráfego.

maior cortina atirantada do Brasil
Imagem reproduzida de Tamoios News

Veja Também: Cortina de Contenção em Obras: Tipos e Vantagens

Os desafios e soluções inovadoras na construção

É claro que a construção de uma estrutura dessa magnitude apresentou vários desafios. Pelo que se sabe, o maior deles foi lidar com a obra minimizando os impactos contra a natureza da Mata Atlântica ao redor. Por isso, todo o trabalho dependeu de um exercício de engenharia muito bem meticuloso – com o máximo de precisão e rigor técnico -, da perfuração do solo à instalação dos tirantes até a concretagem do muro.

Conheça a grandiosidade da maior cortina atirantada do Brasil, localizada em São Paulo
Imagem reproduzida de Concessionária Tamoios

A executora da obra optou por utilizar a tecnologia de Cable Crane (teleférico de cargas) para o transporte mais eficiente e sustentável dos materiais, reduzindo a necessidade de abertura de vias de acesso na mata – certamente, um investimento que valeu a pena. E ainda para compensar a natureza pelas perdas, foram plantadas aproximadamente 450 mil mudas de árvores em áreas estratégicas, contribuindo para a restauração da floresta e criação de corredores ecológicos.

Toda essa estratégia adotada pela construtora tem recebido elogios. Visitas técnicas e estudos de caso são realizados com frequência à região para comprovar a grandiosidade da estrutura erguida – o que ainda têm ajudado a disseminar o conhecimento das práticas de engenharia no Brasil. O próprio CREA tem ajudado compartilhando em suas plataformas digitais opiniões de especialistas sobre a qualidade técnica e a importância desse trabalho para o nosso país.


Fontes: Concessionária Tamoios, Concessionária Tamoios 2, Estradas.

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Engenharia 360

Redação 360

Nossa missão é mostrar a presença das engenharias em nossas vidas e a transformação que promovem, com precisão técnica e clareza.

Quem já morou em apartamento sabe que um problema recorrente, que tanto perturba a paz e a tranquilidade dos moradores, é a transmissão de ruídos. Só aqueles que habitam o último pavimento podem ficar despreocupados, sem se incomodar com sons de passos e outros impactos contra os pisos. Pensando nisso, a engenharia desenvolveu um sistema de contrapiso flutuante que, diferente do convencional (que é diretamente apoiado sobre a laje), fica “suspenso” sobre uma camada de material isolante. Mais informações no artigo a seguir, do Engenharia 360!

Como funciona o contrapiso flutuante acústico

O contrapiso flutuante foi projetado especialmente pela engenharia para atenuar ruídos gerados por contato direto contra os pisos das edificações. Imagine o arrastar de móveis ou objetos caindo no apartamento de cima onde mora, é esse o tipo de som que se deseja evitar, fonte de tantos desentendimentos entre vizinhos. A solução encontrada foi instalar os contrapisos sobre camadas de isolante acústico – como um “sanduíche” absorvente -, não conectado rigidamente às estruturas de lajes.

Explicando melhor, o sistema de contrapiso flutuante é eficiente porque combina três elementos principais: massa (contrapiso), mola (material isolante), massa (laje). Aliás, dependendo dos materiais utilizados, a tecnologia pode reduzir ruídos entre 7 e 32 dB. Por isso, essa é considerada uma excelente solução de engenharia para quem busca ambientes tranquilos e sem interferências sonoras indesejadas.

contrapiso flutuante
Imagem reproduzida de AECweb

Benefícios do sistema de contrapiso flutuante

  • Reduz a transmissão de ruídos, garantindo mais privacidade e conforto.
  • Melhora a qualidade de vida ao proporcionar ambientes mais silenciosos.
  • Atende aos requisitos das normas técnicas para isolamento acústico.
  • Permite o uso de diversos tipos de revestimento sem comprometer a eficiência.
  • Diminui significativamente os ruídos de impacto e a transmissão sonora pelo ar.
  • Oferece isolamento térmico adicional, contribuindo para o conforto e economia de energia.
  • Possui alta durabilidade quando instalado e mantido corretamente.

Como é executado um contrapiso flutuante impecável?

Para garantir a eficácia de um contrapiso flutuante, antes de tudo, é fundamental a realização de um projeto de engenharia muito bem detalhado, que preveja como devem ser conduzidas todas as etapas de execução dessa camada antes do piso ganhar o revestimento final. Uma preocupação é a definição da espessura desse contrapiso em função do tipo de material isolante que será usado e do nível de isolamento acústico desejado.

A saber, em alguns casos, pode ser necessário utilizar armadura de reforço no contrapiso flutuante para garantir mais resistência e durabilidade. 

Quanto mais compressível for o material isolante, maiores serão os esforços estruturais no contrapiso, exigindo um reforço adequado.

Outra preocupação que os projetistas precisam ter é evitar a criação de pontes acústicas nesse “sanduíche”, como juntas de movimentação. E para finalizar, a argamassa utilizada deve ter propriedades adequadas para garantir sua aderência ao material isolante e sua resistência ao desgaste.

contrapiso flutuante
Imagem reproduzida de Concretur

As etapas básicas da execução de execução do contrapiso flutuante são:

  • Limpar e nivelar a laje, removendo resíduos e irregularidades.
  • Aplicar o material isolante de forma contínua, garantindo sobreposição nas emendas.
  • Executar o contrapiso com argamassa ou concreto de qualidade, respeitando as especificações do projeto.
  • Evitar contato direto do contrapiso com paredes e elementos estruturais, utilizando fitas ou perfis isolantes.
  • Aplicar a argamassa em duas camadas, com intervalo máximo de 15 minutos entre elas.
  • Proteger a superfície com lona plástica ou poliéster por pelo menos três dias para garantir a cura adequada.

Fibras para contrapiso flutuante

As fibras são um componente adicional (ou reforço) que pode ser incorporado à argamassa do contrapiso flutuante para melhorar suas propriedades, reduzir o risco de fissuras e garantir um desempenho ainda melhor. Elas são geralmente feitas de polipropileno, adicionadas à massa ainda durante seu preparo. O mais importante é que elas sejam bem dispersas para desempenharem sua função de forma eficaz – para isso, pode ser necessário uso de misturador ou betoneira.

Quais as possíveis aplicações do contrapiso flutuante acústico?

O contrapiso flutuante acústico pode ser utilizado em diversos tipos de edifícios, como, por exemplo:

  • Edifícios residenciais, comerciais, hospitais, escolas, hotéis e shoppings.

Em edifícios residenciais, o contrapiso flutuante acústico é especialmente importante para garantir o conforto e a privacidade dos moradores, evitando quaisquer conflitos causados por ruídos de impacto. Já em edifícios comerciais, o contrapiso flutuante acústico pode contribuir para melhorar a produtividade dos funcionários e a satisfação dos clientes.

contrapiso flutuante
Imagem reproduzida de AECweb

Quais materiais utilizados em sistemas de contrapiso flutuante?

Existem diversos tipos de revestimentos que podem ser utilizados em contrapisos flutuantes, como:

  • Manta acústica: Feita de borracha, polietileno expandido ou lã de rocha. Popular, fácil de instalar e acessível.
  • Lã de rocha: Material vulcânico com excelente isolamento acústico e térmico, resistente ao fogo e umidade.
  • Borracha reciclada: Produzida a partir de pneus usados, sustentável, durável e de bom desempenho acústico.
  • Cortiça: Natural e ecológica, proporciona bom isolamento acústico e térmico.
  • Feltro: Alternativa acessível com propriedades isolantes básicas.
  • Espuma de poliuretano: Material leve e eficiente para amortecimento acústico.
contrapiso flutuante
Imagem reproduzida de Portal Acústica

Onde obter mais informações sobre contrapiso flutuante?

Queremos concluir este artigo destacando a importância da ABNT NBR 15.575 (de 2013) para estudo e entendimento do sistema de contrapiso flutuante em obras de engenharia. Essa norma trata sobre o desempenho de edificações habitacionais. A saber, ela estabelece requisitos mínimos de desempenho acústico para diferentes elementos construtivos, incluindo pisos. Dado que seu cumprimento é obrigatório, é essencial que os profissionais se aprofundem em seu conteúdo.

Veja Também: 4 curiosidades sobre contrapiso em obras de construção civil


Fontes: AEC Web, Associação Brasileira para a Qualidade Acústica.

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Engenharia 360

Simone Tagliani

Graduada nos cursos de Arquitetura & Urbanismo e Letras Português; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais, Jornalismo Digital, Marketing Digital, Gestão de Projetos, Transformação Digital e Negócios; e proprietária da empresa Visual Ideias.

A aviação sempre foi considerada um dos meios de transporte mais seguros, mas com o avanço das mudanças climáticas, viajar de avião está se tornando mais arriscado. O aquecimento global não só intensifica condições meteorológicas extremas, como tempestades e ventos fortes, mas também aumenta significativamente a turbulência em ar limpo. Neste artigo do Engenharia 360, exploramos os principais desafios que as companhias aéreas e os passageiros enfrentam no cenário atual e quais soluções estão sendo discutidas para minimizar esses riscos. Confira!

1. O aumento da turbulência em ar limpo

A turbulência em ar limpo está se tornando mais frequente e severa devido ao aquecimento global. Estudos apontam que, desde 1979, a incidência desse fenômeno aumentou em 55% sobre o Atlântico Norte, e projeta-se que triplique até 2060. O principal motivo é a intensificação das correntes de jato, que são fluxos de ar que cortam a atmosfera a altitudes elevadas.

Essa mudança representa um perigo não apenas para os passageiros, mas também para as aeronaves, que sofrem impactos estruturais devido a movimentos bruscos e inesperados.

mudanças climáticas e a aviação
Imagem gerada em IA de Freepik

2. Tempestades mais severas e frequentes

As mudanças climáticas estão aumentando a ocorrência de tempestades intensas, que afetam diretamente a aviação. O granizo, por exemplo, já causou danos severos a aviões, como um caso recente documentado pela Australian Airlines, que teve o nariz de uma aeronave destruído. Além disso, chuvas torrenciais diminuem a visibilidade dos pilotos, tornando pousos e decolagens mais perigosos. O aumento da precipitação extrema é um fator preocupante, pois afeta tanto a operação das aeronaves quanto a infraestrutura aeroportuária.

mudanças climáticas e a aviação
Imagem gerada em IA de Freepik

3. Aeroportos em risco de inundação

Muitos aeroportos ao redor do mundo estão localizados em regiões baixas e próximas a corpos d’água. Com o aumento do nível do mar e chuvas mais intensas, aeroportos como o Salgado Filho, no Rio Grande do Sul, já enfrentam situações de inundações severas. Um estudo de 2021 revelou que pelo menos 100 aeroportos globais estão abaixo do nível do mar e podem ser seriamente impactados até o fim do século. Esse fenômeno compromete a segurança operacional e pode levar ao fechamento de terminais importantes.

mudanças climáticas e a aviação
Imagem gerada em IA de Freepik

Veja Também: Por que as turbulências nos voos aumentaram? Descubra as causas!

4. Impacto das altas temperaturas nas decolagens

Aumento da temperatura também influencia diretamente a capacidade de decolagem dos aviões. Com o ar mais quente e menos denso, as aeronaves precisam de mais pista e, em alguns casos, têm que reduzir a carga transportada. Estudos realizados em aeroportos da Grécia mostraram que, nas últimas seis décadas, a distância necessária para a decolagem aumentou 0,15% ao ano. Esse fenômeno já causa atrasos e restrições de operação em locais onde as ondas de calor são cada vez mais frequentes.

mudanças climáticas e a aviação
Imagem gerada em IA de Freepik

5. Viagens mais longas e custosas

A intensificação das correntes de jato afeta a duração dos voos, especialmente aqueles em direção ao oeste, que agora enfrentam ventos contrários mais fortes. Isso torna as viagens aéreas menos eficientes, aumentando o tempo de voo e o consumo de combustível. Além de elevar os custos das passagens, essa mudança impacta diretamente as emissões de carbono da indústria da aviação, criando um ciclo vicioso de agravação climática.

mudanças climáticas e a aviação
Imagem gerada em IA de Freepik

Possíveis soluções e alternativas

Diante desses desafios, a indústria aérea tem buscado soluções para minimizar os impactos das mudanças climáticas:

  • Investimento em aeronaves mais eficientes: Novos modelos de aviões estão sendo projetados para resistir melhor à turbulência e operar com menor impacto ambiental.
  • Uso de combustíveis sustentáveis: O setor aéreo tem como meta zerar as emissões de carbono até 2050, com a adoção de biocombustíveis e hidrogênio.
  • Melhoria na infraestrutura aeroportuária: Muitos aeroportos estão investindo em drenagem aprimorada e estruturas elevadas para lidar com inundações.
  • Desenvolvimento de roteiros inteligentes: A otimização das rotas aéreas pode reduzir a exposição às condições meteorológicas extremas.

A saber, em 2022, mais de 2.500 representantes do setor global de viagens aéreas anunciaram uma meta internacional de eliminar totalmente as emissões de carbono do setor até o ano de 2050. É uma meta ambiciosa, mas qualquer progresso nessa direção beneficiará o planeta.

Embora os pesquisadores concordem que alguns dos danos que os seres humanos causaram ao planeta não podem ser revertidos, eles também afirmam que, com alguma cooperação e sacrifício, os seres humanos podem evitar as piores previsões reduzindo seu impacto no planeta hoje.

mudanças climáticas e a aviação
Imagem gerada em IA de Freepik

O papel da engenharia

A engenharia desempenha um papel fundamental na busca por soluções para os desafios climáticos na aviação. Engenheiros aeronáuticos estão trabalhando no desenvolvimento de aeronaves mais eficientes e sustentáveis, utilizando materiais mais leves e tecnologias de propulsão mais avançadas. Engenheiros civis estão projetando aeroportos mais resilientes, capazes de resistir a inundações e tempestades. E os parceiros meteorologistas estão aprimorando os sistemas de previsão do tempo para fornecer informações mais precisas e confiáveis aos pilotos e controladores de tráfego aéreo.


Fontes: National Geographic Brasil, Pensamento Verde.

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Engenharia 360

Redação 360

Nossa missão é mostrar a presença das engenharias em nossas vidas e a transformação que promovem, com precisão técnica e clareza.

O Engenharia 360 tem uma pergunta para você: quando pensa em design de aeronaves, qual a forma que lhe vem à cabeça? Talvez lembre dos aviões tradicionais, com suas turbinas ou hélices. Mas existem outros veículos voadores, como bem sabemos, como os helicópteros, os eVTOLs e os drones. Mas e o Ionocraft, conhece? Trata-se de uma aeronave movida por uma tecnologia que se vale de vento iônico, desafiando as engenharias tradicionais à propulsão. 

Neste artigo, exploramos o fascinante design do Ionocraft, quais as perspectivas para o futuro dessa tecnologia e como pode impactar o mundo da Engenharia Aeronáutica. Confira!

Principais características de um Ionocraft

Você pode encontrar referências sobre o Ionocraft na Internet também como aeronave iônica ou lifter, uma estrutura composta por dois elementos principais; um fio fino ou grade no topo, que atua como o ânodo (positivo), e uma estrutura condutora maior abaixo, o cátodo (negativo). 

Entende-se que seria um tipo de veículo voador movido a impulsão eletrohidrodinâmica – considerada uma geração sustentável de propulsão. Seu funcionamento depende da criação de um campo elétrico de alta voltagem gerado entre dois eletrodos. Assim, as moléculas do ar ao redor do ânodo são ionizadas. Tais partículas são repelidas e então atraídas pelo cátado, criando um fluxo de partículas que empurram o ar neutro, gerando um “vento iônico” ou a força necessária para o voo da aeronave.

Vantagens e desvantagens deste modelo de engenharia

Vale destacar que essa operação do Ionocraft é totalmente dependente da atmosfera, por isso os especialistas afirmam que esse modelo de engenharia seria impróprio para o voo no espaço, por exemplo, onde não há ar. Isso, portanto, limita as suas aplicações. Ademais, há necessidade de fontes de energia de alta voltagem e baixo peso (difícil em sistemas compactos). E a tecnologia ainda gera um empuxo relativamente baixo, limitando sua capacidade de carga.

Agora, por outro lado, há muito potencial para a utilização dessa aeronave em outras situações, como experimentos científicos e sobrevoos de observação militar (assim como fazem os drones), por exemplo.

Relembrando que o Ionocraft, diferente das aeronaves tradicionais, não depende de motores. Por utilizar forças eletrostáticas para gerar propulsão, também não necessita de componentes móveis. Sua operação é bastante silenciosa e sua estrutura é tipicamente leve – o que é, aliás, uma característica importante para a eficiência do voo com esse tipo de tecnologia.

A busca pela conquista dos céus em voo silencioso

Os discursos de Ícaro, na Grécia Antiga, e os projetos de Leonardo Da Vinci, no Período Renascentista, inspiraram muitos engenheiros a desenharem modelos de máquinas extraordinárias, capazes de desafiar a gravidade. Pode-se dizer que depois dos irmãos Wright e do nosso saudoso Santos Dumont, a aviação nunca mais a mesma. Mas os cientistas ainda continuavam buscando por uma tecnologia aeronáutica mais silenciosa. Esse é o desafio que assombrou gerações de criativos até surgir a proposta do Ionocraft.

Tudo começou com um engenheiro elétrico e inventor chamado Ethan Krauss, de Oberlin, Ohio. Ele tem dedicado sua vida a perseguir o sonho do voo iônico. Um dia, sua curiosidade levou a assistir um vídeo dos anos 60 que falava sobre uma invenção do pioneiro da aviação Alexander de Seversky. Era uma máquina feita de varetas e fios e que levitava no ar graças à emissão de íons, sendo controlada por uma série de caixas pesadas que continham as fontes de energia.

Ionocraft
Imagem reproduzida de The Lyncean Group of San Diego

Modelo final

Krauss ficou muito fascinado com a história do filme, inspirado a criar sua própria aeronave. Ele perguntou se seria possível desenhar um modelo sem partes móveis e com componentes de energia que pudessem ser pequenos o suficiente para serem transportados a bordo. Assim, pouco a pouco, ele foi construindo e testando protótipos de materiais, formatos e tipos de circuitos elétricos diferentes, até que chegou no modelo funcional de Ionocraft considerado por ele perfeito.

Ionocraft
Imagem reproduzida de Ideastream Public Media
Ionocraft
Imagem reproduzida de Ethan Krauss em YouTube

O Ionocraft de Krauss parece uma “aranha de metal”, medindo cerca de 4 metros de diâmetro. As primeiras versões eram alimentadas por baterias de carro pesadas e caixas volumosas, como as usadas por Seversky. Com o tempo, o cientista desenvolveu um esquema de circuitos mais leve e eficiente. O modelo final seria autossuficiente, capaz de voar com a fonte de energia a bordo, sem estar conectado a uma bateria no chão. Ah, é claro que ele foi patenteado, caso esteja se perguntando; isso ocorreu em 2014.

Ionocraft
Imagem reproduzida de Ethan Krauss em YouTube

Em testes, esse Ionocraft voou quase que sem emitir qualquer som, pairando no ar por cerca de meio minuto, antes que as baterias se esgotassem. Sim, é uma máquina frágil e, por hora, pouco provável de ser aplicada em alguma atividade do nosso dia a dia, mas, de todo modo, representa um avanço significativo na engenharia!

Ionocraft
Imagem reproduzida de Ir para o WeirdWings rWeirdWings em Reddit

Aprimoramento da propulsão iônica e perspectivas para a aviação

O conceito da propulsão iônica foi inicialmente proposto por Francis Hauksbee, em 1799, embora ele não tenha conseguido realizar nenhum experimento prático disso. Foi o cientista Thomas Townsend Brown, mais de um século depois, o primeiro a realizar inovações na área – ele até achava que tinha encontrado uma solução para dispositivo de antigravidade. Já Seversky registrou a patente de sua proposta de aeronave no ano de 1959.

Atualmente, os pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) estão tentando criar um avião movido por propulsão iônica. Segundo o engenheiro David Perreault, a chave seria a criação de íons a partir de moléculas neutras no ar, aceleradas por um campo elétrico para gerar empuxo – traduzindo, ajustar o tal “vento iônico” segundo a necessidade. Se tudo der certo, essa poderá ser uma alternativa mais silenciosa aos drones convencionais.

Krauss sonha que sua invenção possa um dia ser adaptada para a exploração do espaço. O inventor imagina uma aeronave movida a energia solar que poderia voar indefinidamente, desde que houvesse luz solar suficiente. Enquanto isso, deve continuar suas experimentações, pois, como ele mesmo afirma, ama essa busca pelo conhecimento, indiferente aos sucessos ou fracassos dos experimentos.  

Ionocraft
Imagem reproduzida de Ideastream Public Media

Veja Também: Conheça o revolucionário carro voador Alef Model A


Fontes: Electron Air LLC.

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O Tesla Cybertruck é um dos veículos mais fascinantes e polêmicos da última década. Essa picape elétrica foi apresentada ao público pela primeira vez em 2019 e desde então sempre gerou muitas controvérsias. Primeiro, quanto ao seu design altamente futurista – que agrada a poucos. Depois, pelos inúmeros incidentes envolvendo falhas no seu desempenho, incêndios sem explicação e vários recalls. E mesmo assim, nada disso tem afetado a admiração dos entusiastas de carros e aventureiros.

CYBERTRUCK
Imagem reproduzida de Tesla

Neste artigo do Engenharia 360, vamos explorar os detalhes mais incríveis do Cybertruck e as expectativas para o aprimoramento de sua engenharia, símbolo de inovação e ousadia. Confira!

Conhecendo o Tesla Cybertruck

Design externo

O Tesla Cybertruck é uma picape de porte médio a grande, de design único, angular – resultante da combinação de polígonos baixos, utilizando paineis planos. Segundo o próprio Elon Musk, é um veículo indestrutível! O mesmo possui carroceria com acabamento em aço inoxidável, seguindo as seguintes dimensões 5,68 m de comprimento, 2,41 m de largura e 1,79 m de altura. Caçamba automática (com botão de abertura integrado) para 646 litros. E, além disso, o conjunto tem a capacidade de carga de até 1.125 kg e de reboque de até 5.000 kg.

CYBERTRUCK
Imagem de @engenharia360
CYBERTRUCK
Imagem de @engenharia360
CYBERTRUCK
Imagem de @engenharia360

Interior

Do lado de dentro, a cabine do Cybertruck é minimalista, com uma tela de 18,5 polegadas que controla praticamente todas as funções do carro, desde o ar-condicionado até a altura da suspensão. Mas o sistema Autopilot de condução semiautomática ainda precisa de supervisão dos motoristas e enfrenta ainda barreiras regulatórias no Brasil.

CYBERTRUCK
Imagem de @engenharia360
CYBERTRUCK
Imagem reproduzida de Tesla

Potência

Quanto à potência, o Cybertruck consegue até 857 cv, mantendo aceleração de 0 a 100 km/ em apenas 2,6 segundos na versão “Cyberbeast” – o que realmente impressiona, considerando que é um veículo de 3 toneladas. Sua bateria é elétrica de 123 kWh, projetada especialmente para ele pela Tesla, Inc. A autonomia varia de 400 km a 550 km a depender da versão. E ainda vale destacar a tração nas quatro rodas e a suspensão ajustável com quatro níveis, ideal para terrenos off-road.

Uma observação: por conta do valor de venda elevado, acaba que é impossível o Cybertruck ser usado para o trabalho pesado no campo, mesmo no contexto dos Estados Unidos, onde é fabricado.

Por outro lado, esse Tesla oferece hoje acesso à rede global de Superchargers, o maior sistema de carregamento rápido do mundo. Estima-se que a economia mensal chegue a R$ 450 em relação aos modelos a combustão.

CYBERTRUCK
Imagem reproduzida de Tesla

Como é dirigir um Cybertruck

Segundo informações, entrar em um Cybertruck é como entrar num filme de ficção científica. A equipe do Engenharia 360 teve a chance de chegar bem perto de um exemplar do veículo quando esteve em Dallas, no Texas, quando realizou a cobertura do 3DEXPERIENCE World. Essa engenharia é mesmo muito moderna. O interior é até generoso – se considerarmos quatro passageiros (apesar de haver cinco assentos). E os bancos são projetados para oferecer suporte em curvas acentuadas, garantindo uma experiência agradável.

Eduardo Mikail, do Engenharia 360, compartilha conosco sua opinião sobre o Cybertruck: “Eu gostei muito do design minimalista, um estilo que me agrada bastante. O interior segue essa mesma linha, sendo espaçoso e com um toque futurista, com destaque especial para o volante. O tamanho do veículo me surpreendeu, sendo bem maior do que eu esperava. Estou ansioso para testá-lo e compartilhar minha experiência com vocês, assim como fiz com o Tesla Model S!”

CYBERTRUCK
Imagem de @engenharia360

Assim como destacado em reviews na Internet, parece que a suspensão desse Tesla é adaptativa, permitindo ajustes manuais para aumentar ou diminuir a altura do veículo conforme o necessário, melhorando o desempenho off-road e proporcionando uma condução confortável nas estradas.

CYBERTRUCK
Imagem de @engenharia360

Em vídeos que circulam nas redes sociais, as pessoas relatam que, quando o carro está ligado, emite um som quase imperceptível, só mesmo um leve zumbido do motor elétrico. Elas falam também da surpreendentemente direção da Cybertruck, responsiva graças ao sistema Steer-by-Wire; isso significa que não há conexão física entre o volante e as rodas; em vez disso, sinais eletrônicos controlam a direção. E, por fim, sobre o volante, projetado para girar apenas 90 graus para cada lado, facilitando manobras em espaços apertados.

Em testes realizados por especialistas, a Tesla Cybertruck conseguiu atingir um bom desempenho, com a picape respondendo rapidamente ao acelerador. Na versão AWD com dois motores, ela foi de 0 a 100 km/h em apenas 4,1 segundos.

Polêmicas envolvendo o Cybertruck

Elon Musk até pode dizer que o Cybertruck é indestrutível. Essa tese foi sustentada por meio de apresentações, onde os vidros do veículo permaneceram intactos mesmo após serem atingidos por objetos pesados. Mas já em testes ao vivo, houve falhas. Especialistas ainda apontam os riscos que os ângulos desse Tesla podem representar aos pedestres em caso de acidentes. Ademais, a falta de zonas de deformação programada levanta preocupações quanto à segurança em caso de acidentes.

CYBERTRUCK
Imagem de @engenharia360

Perspectivas para o futuro do Cybertruck

Apesar dos desafios, das críticas, polêmicas e incidentes, o Tesla Cybertruck se consolidou como um marco da engenharia automotiva, de tecnologia bastante promissora!

Mesmo com a desaceleração nas vendas e unidades encalhandas nas lojas – ainda mais aqui, no Brasil, onde o preço de venda pode chegar a 2 milhões de reais -, a picape vendeu bem nos Estados Unidos em 2024. Pensando nisso, em 2025, a empresa planeja retomar a produção do Cybertruck, além de aprimorar importantes funcionalidades do carro, oferecendo mais recursos autônomos aos motoristas e acessórios, como o “Range Extender”, para aumentar a autonomia.

CYBERTRUCK
Imagem reproduzida de Tesla

Recentemente, uma nova versão foi apresentada, com paineis solares permitindo a geração de energia suficiente para percorrer até 29 km por dia. Outra iniciativa da Tesla é se estabelecer como fornecedora de armazenamento de energia. Mas será que essas iniciativas serão suficientes para impulsionar as vendas? E quanto à aceitação do público? Quais outras ações a empresa poderia tomar para superar as polêmicas relacionadas ao design e à segurança do veículo? Compartilhe sua opinião na seção de comentários abaixo!

Veja Também:

Novidades da Tesla Cybertruck mais pesado e caro

Cybertruck: conheça a caminhonete elétrica da Tesla


Fontes: Tesla, G1, Insideevs – UOL, Exame.

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Engenharia 360

Redação 360

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Nossas necessidades atuais têm impulsionado uma grande revolução digital em diversos setores da indústria, como a engenharia. De olho nisso, a empresa francesa Dassault Systèmes desenvolveu várias soluções para redefinir de vez a forma como produtos são projetados, desenvolvidos e gerenciados. Dentre essas inovações estão a plataforma 3DEXPERIENCE e o software SOLIDWORKS, hoje utilizados tanto por pequenas empresas quanto por grandes corporações que buscam trabalhar com eficiência e colaboração.

Neste artigo do Engenharia 360, vamos explorar como essas tecnologias estão moldando o cenário industrial e quais são suas principais vantagens. Confira!

O que é 3DEXPERIENCE?

A plataforma 3DEXPERIENCE é uma solução de computação desenvolvida com foco no trabalho com fluxo otimizado e em colaboração entre equipes de design, engenharia e manufatura. Ela proporciona um ambiente virtual adequado onde esses criativos podem criar projetos inovadores e explorá-los em simulação digital antes que as ideias sejam materializadas no mundo real.

A intenção é que as melhores soluções da Dassault Systèmes estejam reunidas neste espaço, eliminando os silos de dados e garantindo que todos os envolvidos tenham acesso às informações mais atualizadas.

Dassault Systèmes solidworks 3dexperience
Imagem divulgação Dassault Systemes via TforDesign

São as principais vantagens atribuídas à 3DEXPERIENCE:

  • Colaboração em tempo real: Permite que equipes trabalhem juntas independentemente de sua localização.
  • Gestão de dados centralizada: Todos os dados do projeto são armazenados em um único local, reduzindo erros e duplicações.
  • Ferramentas integradas: Oferece uma gama de ferramentas para design, simulação e manufatura em um só lugar.
  • Acesso à nuvem: Facilita o trabalho remoto e elimina a necessidade de infraestrutura física complexa.
Dassault Systèmes solidworks 3dexperience
Imagem divulgação Dassault Systemes via APAC News Network

O que é SOLIDWORKS?

O SOLIDWORKS, lançado em 1995, é considerado um dos melhores softwares CAD (Computer-Aided Design) de design 3D do mundo, popular por sua interface intuitiva e funcionalidades robustas, que atendem muito bem diferentes níveis de trabalhos de engenharia.

Com ele, você pode fazer mais do que a modelagem tridimensional dos seus projetos, mas também testes virtuais de protótipos antes da fabricação e gerar automaticamente desenhos técnicos a partir de 3Ds. E o mais legal é que, na versão recente, dá para integrar o programa em nuvem à plataforma 3DEXPERIENCE. Aliás, a combinação dessas ferramentas permite que os engenheiros visualizem seus projetos de forma mais eficiente, reduzam o tempo de desenvolvimento e aprimorem a qualidade dos produtos.

Dassault Systèmes solidworks 3dexperience
Imagem divulgação Dassault Systemes via Aufiero Informática

São vantagens dessa integração SOLIDWORKS e 3DEXPERIENCE:

  • Aceleração do desenvolvimento: Com ferramentas integradas, as equipes podem tomar conhecimento rapidamente sobre os designs.
  • Redução de erros: A centralização dos dados minimiza erros de comunicação e documentação.
  • Flexibilidade no trabalho: Acesso à plataforma em qualquer lugar permite que as equipes trabalhem remotamente sem perda de produtividade.
  • Inovação contínua: A combinação das duas plataformas facilita a implementação de novas tecnologias, como inteligência artificial e simulação avançada.
Dassault Systèmes solidworks 3dexperience
Imagem reproduzida de SolidWorks

Como 3DEXPERIENCE e SOLIDWORKS estão transformando a indústria moderna?

Pode-se dizer que essa sinergia entre a 3DEXPERIENCE e o SOLIDWORKS está revolucionando a indústria moderna de diversas formas. De certo modo, ela une ainda mais estudantes e profissionais de engenharia, além de áreas afins, com fornecedores. As equipes trabalham unidas, independente de onde estejam, e tomam decisões acertadas, sempre baseadas em dados atualizados em tempo real. O ciclo de desenvolvimento é, assim, mais rápido e a comunicação mais eficaz.

Agora, com as soluções Dassault Systèmes, é possível simular o desempenho dos produtos em diferentes condições, identificando falhas potenciais e permitindo alterações de projetos sem precisar construir protótipos físicos, economizando tempo e recursos. Mas, se desejar, dá para conectar as informações no computador com uma impressora 3D e, voilà, ter uma peça completa e personalizada para testes, produzida em prototipagem rápida.

E se antes as empresas passavam dificuldades com a gestão de dados, agora projetos complexos podem ter sua grande quantidade de informações muito bem organizadas – com todas as versões e modificações feitas ao longo do tempo. Aliás, a proposta da 3DEXPERIENCE resolve essa questão da centralização de todos os dados de um trabalho em plataforma única.

Vale destacar que tanto a 3DEXPERIENCE quanto o SOLIDWORKS são altamente escaláveis, adaptando-se às necessidades de empresas de qualquer porte, desde startups até grandes corporações globais.

Quais as perspectivas para as soluções integradas em engenharia?

Por incrível que pareça, mesmo com tantas inovações vantajosas, algumas empresas de engenharia sentem resistência em implementar as tecnologias mais modernas em seu dia a dia. Qual a dificuldade?

Bem, a própria Dassault Systèmes sempre lembra que, para aproveitar ao máximo as suas soluções, como a plataforma 3DEXPERIENCE e o software SOLIDWORKS, é fundamental que todos os colaboradores recebam treinamento adequado, o que pode exigir investimentos em capacitação – mas é um custo pequeno diante da perspectiva dos lucros. E é claro que essa transição precisa ser planejada cuidadosamente para evitar interrupções nas operações diárias.

Independente disso, o avanço das tecnologias deve continuar – quem não acompanhar, ficará para trás. Espera-se que novas funcionalidades sejam adicionadas às ferramentas para atender às crescentes demandas do mercado. Por exemplo, mais recursos para uso de IA para otimizar designs e uso de Realidade Virtual nas visualizações dos modelos 3D, além de simulações mais rápidas e precisas dos modelos, mediante melhorias nas capacidades computacionais.

Veja Também: 3DEXPERIENCE: A Força da Simulação na Indústria 4.0


Fontes: SOLIDWORKS.

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Engenharia 360

Redação 360

Nossa missão é mostrar a presença das engenharias em nossas vidas e a transformação que promovem, com precisão técnica e clareza.

Nos últimos anos, temos ouvido demais sobre Inteligência Artificial e seus impactos no mundo. De fato, essa é uma das inovações tecnológicas disruptivas mais incríveis da história. Imagine que os modelos atuais podem imitar comportamento humano e transformar inúmeros setores da sociedade, incluindo a engenharia. Mas saiba que IA não é coisa nova. E, na verdade, sua história é rica e complexa, envolvendo uma série de contribuições de pensadores e cientistas ao longo de décadas.

Ficou curioso para saber como foi essa evolução da Inteligência Artificial? Confira neste artigo do Engenharia 360 como foi sua origem, desde suas raízes na Grécia Antiga até os avanços revolucionários que moldam a vida como a conhecemos hoje.

Mitos sobre a origem da Inteligência Artificial

Antes de tudo, queremos lhe fazer uma pergunta: será que Inteligência Artificial é mesmo inteligente e artificial? Reflita sobre essa questão e continue sua leitura!

Os gregos já alimentavam no passado a ideia de criar seres artificiais que pudessem imitar as capacidades humanas. Artesãos e mitólogos imaginavam que era possível, de algum modo, desenvolver essas criaturas via mecânica. Prova disso é a descrição que davam ao deus do fogo e da metalurgia, Hefesto, capaz de criar autômatos de metal que o ajudavam em suas tarefas – será que ele era um daqueles ‘Alienígenas do Passado’? Claro que isso poderia ser uma representação simbólica, e é certo que não corresponde à verdadeira IA que conhecemos hoje.

Inteligência Artificial
Imagem de Guillaume Coustou, o Jovem, Jastrow, em Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Hefesto#/media/Ficheiro:Vulcan_Coustou_Louvre_MR1814.jpg

Criação da IA moderna e o “Teste de Turing”

O conceito de Inteligência Artificial moderna começou a ganhar forma só no século XX – a partir daí, as ideias relacionadas à tecnologia começaram a se concretizar. Nos anos de 1940, houve o desenvolvimento dos primeiros computadores, máquinas estas que passaram a demonstrar a incrível capacidade de realizar tarefas ditas complexas – elas eram modernas, sim, mesmo que hoje seus projetos pareçam rudimentares para nós.

Foi neste contexto que os pesquisadores Walter Pitts e Warren McCulloch propuseram um modelo matemático simplificado para simular o funcionamento dos neurônios no cérebro humano. A saber, esse trabalho foi fundamental para o desenvolvimento das redes neurais artificiais, que hoje são a base de muitos sistemas de IA.

Inteligência Artificial
Imagem de DC Studio em Freepik

Passado alguns anos, em 1950, o matemático Alan Turing – considerado o pai da computação moderna -, fez história com a publicação do seu artigo ‘Computing Machinery and Intelligence’. Neste texto, o cientista propôs uma coisa chamada “Teste de Turing”, considerando que um dia nós inventaríamos uma máquina tão inteligente capaz de enganar os humanos nas conversas. Essa reflexão gerou discussões filosóficas e éticas entre os acadêmicos, que temiam como seria o mundo quando uma IA pudesse pensar sozinha e, quem sabe, até sentir – tipo aquele filme ‘O Homem Bicentenário’.

Inteligência Artificial
Imagem de Bilby em Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Turing#/media/
Ficheiro:Turing_Test_version_3.png

Conferência de Dartmouth e a criação de máquinas

Em 1956, foi realizada uma conferência na Universidade de Dartmouth, organizada por John McCarthy, um dos pioneiros em tecnologia de IA. O evento, que contou com a participação de vários outros renomados cientistas, tinha como foco os trabalhos da engenharia na criação de máquinas para realização de tarefas que exigem muito da inteligência humana; sistemas que pudessem aprender, raciocinar e até mesmo resolver questões de forma independente. E foi justamente nesta conferência que o termo “Inteligência Artificial” foi cunhado.

Inteligência Artificial
Imagem reproduzida de Romeu Ivolela

Vale destacar que, anos depois, John desenvolveu a linguagem de programação LISP, que se tornaria fundamental para o desenvolvimento de IAs em décadas posteriores.

Primeiras aplicações da Inteligência Artificial

Já no final dos anos de 1950 e início dos anos de 1960, começaram a surgir vários programas de IA. Podemos citar alguns, como Logic Theorist, desenvolvido por Allen Newell e Herbert A. Simon, capaz de resolver problemas lógicos de maneira simples. E vale citar também o Eliza, criado por Joseph Weizenbaum em 1996, que simulava conversas humanas com um terapeuta – hoje, esse chatbot é considerado um precursor das interfaces de IA de processamento de linguagem natural, como o ChatGPT.

Inteligência Artificial
The logic Theorist | Imagem de All things AI em LinkedIn
Inteligência Artificial
Chatbot Eliza | Imagem reproduzida de Medium

O trabalho dos cientistas nos anos de 1970 foi focado mais em sistemas especializados, próprios para desenvolver problemas específicos, mas que apresentavam limitações de uso devido à falta de dados e poder computacional. Nos anos seguintes, os negócios em IA começaram a expandir para aplicações mais complexas, sobretudo graças aos avanços em redes neurais multicamadas. Infelizmente, o que houve entre os anos de 1990 e 2000 foi o que os especialistas chamam de “inverno de IA”, sem muito interesse dos investidores nas inteligências devido à falta de resultados práticos.

Aprendizado de máquina e o boom das IAs

Nos anos 2000, houve o advento da computação moderna e do Big Data. Assim, o assunto ‘Inteligência Artificial’ ressurgiu e passou a ganhar novos patamares. Os cientistas obtiveram importantes avanços em pesquisas com algoritmos de aprendizado de máquina, ideiais para leitura de grandes volumes de dados com eficiência e precisão.

Esse avanço levou ao desenvolvimento de tecnologias de reconhecimento de voz, reconhecimento de imagens e, mais recentemente, assistentes virtuais. E, agora, esses sistemas estão se tornando comuns em nosso cotidiano.

Aplicações da IA e desafios futuros

A implementação da Inteligência Artificial tem nos oferecido vários benefícios, da medicina à engenharia; estamos falando de diagnósticos precoces de doenças, carros autônomos e muito mais. A IA está transformando o mercado com a automação de processos repetitivos, liberando os humanos para tarefas mais criativas e aumentando a produção de empresas como nunca. Porém, todo esse progresso vem acompanhado de questões éticas que precisam ser discutidas.

Inteligência Artificial
Imagem de Freepik

Algumas pessoas veem a ascensão da Inteligência Artificial com preocupação. Elas acreditam que a tecnologia pode, em breve, tomar todos os nossos empregos. Também temem que sua privacidade e segurança estejam em risco pelo uso intensivo de dados. E é claro que tem também a questão das fake news; muitos entendem que ferramentas baseadas em IA podem ser usadas para criar desinformação ou manipulação de informações. Mas e você? O que pensa sobre o caso? Deixe sua opinião na aba de comentários logo abaixo!

Veja Também: AGI: O Futuro da Inteligência Artificial


Fontes: Exame, Tecnoblog, Educa Mais Brasil.

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O verão de 2025 veio com tudo, trazendo temperaturas elevadas no Brasil – aliás, atualmente, milhões vivem no país em situação de calor extremo. Com isso, os brasileiros correm para os aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e até mesmo mudam seus hábitos diários em busca de alívio. No entanto, toda essa demanda extra de energia pode resultar em problemas para as instalações elétricas da casa, principalmente se não tomarmos os cuidados necessários.

Para evitar surpresas, especialmente no que se refere à sobrecarga elétrica, é importante entender os riscos e adotar medidas simples, mas eficazes. Aqui, neste artigo do Engenharia 360, reunimos dicas essenciais para garantir que sua casa continue segura durante o calor de 2025, sem que você sobrecarregue a rede elétrica. Confira!

1. Faça uma revisão completa da instalação elétrica

Antes de mais nada, é fundamental realizar uma avaliação detalhada das instalações elétricas de sua casa. Contrate um eletricista qualificado para verificar as condições dos fios, cabos e disjuntores. Se a instalação for antiga ou precária, o risco de sobrecarga aumenta, principalmente com o uso constante de aparelhos como ar-condicionado e ventiladores.

Lembre-se de que as instalações elétricas mal feitas ou com fiação inadequada podem não suportar a alta demanda de energia, o que aumenta o risco de curto-circuitos e incêndios.

sobrecarga elétrica
Imagem de pvproductions em Freepik

2. Escolha equipamentos de baixo consumo de energia

No verão, os aparelhos de ar-condicionado e ventiladores são indispensáveis, mas eles podem consumir muita energia elétrica se não forem eficientes. Invista em modelos de ar-condicionado e ventiladores com selo de eficiência energética (A ou A+), que garantem um menor consumo de energia. Além disso, ao escolher esses equipamentos, verifique se são compatíveis com a capacidade da sua rede elétrica.

sobrecarga elétrica
Imagem de jcomp em Freepik

Veja Também: Pisos e Corrimãos Energizados: Quais as causas?

3. Evite o uso simultâneo de muitos aparelhos

Com o calor intenso, é comum ligar vários aparelhos ao mesmo tempo, mas isso pode causar uma sobrecarga na instalação elétrica. Evite ligar, ao mesmo tempo, ar-condicionado, ventiladores, chuveiro elétrico, ferro de passar roupa e outros aparelhos de alto consumo. Ao distribuir o uso desses dispositivos, você reduz o risco de sobrecarregar os circuitos e aumenta a segurança da sua casa.

sobrecarga elétrica
Imagem de Freepik

4. Verifique a capacidade do disjuntor

O disjuntor é um dos dispositivos mais importantes para a segurança elétrica de sua casa. Ele é responsável por interromper o fornecimento de energia em casos de sobrecarga ou curto-circuito, evitando danos maiores. Verifique se o disjuntor da sua residência está dimensionado corretamente para a carga elétrica da sua casa. Se necessário, atualize o modelo para um mais adequado às suas necessidades.

sobrecarga elétrica
Imagem de bearfotos em Freepik

5. Priorize o uso de equipamentos mais eficientes

Além de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores eficientes, escolha outros dispositivos elétricos que gastem menos energia, como lâmpadas LED, que consomem até 80% menos energia do que as lâmpadas incandescentes. A troca por equipamentos de baixo consumo é uma maneira simples de reduzir a sobrecarga elétrica e ainda contribuir para a sustentabilidade.

Veja Também: Guia Completo para Conserto ou Troca Rápida de Chuveiro

6. Cuidados com o uso de chuveiros elétricos e torneiras

Os chuveiros elétricos e torneiras elétricas são grandes vilões quando se trata de sobrecarga de energia. Durante o verão, o uso frequente desses aparelhos aumenta o consumo de energia elétrica. Para evitar sobrecarga, verifique se a fiação está adequada para suportar o consumo desses dispositivos. E sempre que possível, prefira alternativas que demandem menos energia, como o uso de duchas a gás ou aquecedores solares.

sobrecarga elétrica
Imagem de Andrevruas em Wikipédia – httpscommons.wikimedia.orgwikiFileChuveiro.JPG

7. Atenção à demanda extra da geladeira

Embora a geladeira não esteja diretamente associada à sobrecarga elétrica, é importante saber que, em dias mais quentes, ela consome mais energia para manter a temperatura interna. Mantenha a porta da geladeira fechada e evite abrir constantemente, para não forçar ainda mais o aparelho. Além disso, se possível, descongele o freezer regularmente para garantir que ele continue funcionando de maneira eficiente.

sobrecarga elétrica
Imagem de zinkevych em Freepik

Entendendo a sobrecarga elétrica e seus riscos

Para finalizar este texto, vamos entender melhor o que é a sobrecarga elétrica. Pois bem, ela ocorre quando a demanda por energia é maior do que a capacidade do sistema elétrico da casa. Esse fenômeno é causado pelo efeito Joule, onde a energia se transforma em calor devido ao atrito entre os elétrons em movimento e as partículas do condutor. O resultado disso pode ser um aquecimento excessivo dos fios e até um curto-circuito.

A saber, entre os aparelhos que mais contribuem para a sobrecarga estão os ar-condicionados, ventiladores, chuveiros elétricos, ferros de passar roupa e fornos elétricos. Por isso, é fundamental ficar atento ao uso simultâneo desses dispositivos.

Veja Também: Como instalar ventilador de teto passo a passo


Fontes: O Dia.

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Engenharia 360

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Você já ouviu falar no PISA? Bem, esse é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (ou Programme for International Student Assessment, em inglês), uma ferramenta importante utilizada na avaliação da qualidade educacional ao redor do mundo – tipo um ENEM de todo o planeta. O mesmo foi criado em 2000 e desde então tem medido as competências de jovens de 15 anos em áreas como literatura e matemática. Mas este ano de 2025, a prova traz uma novidade: a avaliação das habilidades digitais dos alunos. Saiba mais no artigo a seguir, do Engenharia 360!

PISA
Imagem reproduzida de Governo Federal

Quais os objetivos do PISA?

Como bem sabemos, o nosso Exame Nacional do Ensino Médio ajuda a avaliar, no Brasil, como vai o ensino nas escolas, dando àqueles com melhor classificação admissão à educação superior. Mas e o PISA? Bem, esse é um estudo comparativo internacional realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O objetivo é fornecer um parâmetro de comparação de desempenho educacional entre países. Na prática, os dados ajudam na formulação de novas políticas educacionais, mais eficazes.

O PISA também busca promover a equidade na educação. Ao identificar disparidades no desempenho entre diferentes grupos socioeconômicos, os países podem direcionar recursos e políticas para aqueles que mais precisam.

A saber, o Brasil tem participado de todas as edições do PISA, e utiliza os resultados para medir seu progresso, identificando pontos fortes e fracos do seu sistema educacional.

Importância para os estudantes

Mas, afinal, o que os estudantes ganham ao realizar a prova do PISA? Bom, um resultado positivo na prova pode lher trazer muitas vantagens! A começar, a nota pode ser anexada ao currículo, demonstrando para as empresas sua capacidade de aplicar habilidades diversas em situações práticas. Ao mesmo tempo, o resultado pode ajudar na identificação de áreas onde sua educação ainda está falha – áreas estas cujo domínio podem ser uma exigência do mercado de trabalho.

Como é realizada a prova?

As provas do PISA são feitas de forma periódica, a cada três anos. Você pode estar se perguntando “Por que para estudantes de 15 anos?”. Pois bem, porque os especialistas consideram essa é a idade em que todos já deveriam ter concluído a educação básica. Então a avaliação é focada em três áreas importantes: leitura, cálculo e ciências. Mas agora o programa está sendo adaptado para avaliar outras habilidades, essenciais para a vida moderna.

Como dissemos antes, a edição de 2025 trará uma novidade significativa. Esta será a primeira vez que o PISA avaliará também as habilidades digitais dos estudantes. Esse novo enfoque reflete a crescente importância do letramento tecnológico para enfrentar os desafios do mundo digital.

PISA
Imagem reproduzida de SINESP

Qual a necessidade de avaliar habilidades digitais?

O mundo está em constante transformação e caminha para um futuro mais conectado. As tecnologias estão em desenvolvimento e aprimoramento acelerado. Por isso, quem não souber usá-las ficará para trás!

O que o PISA deseja saber é se os jovens estudantes do mundo estão dominando pelo menos o básico das novas tecnologias. Se eles sabem “navegar” no ambiente online e usar as soluções digitais ao seu fazer, como auxílio na resolução de problemas do dia-a-dia. Será que conseguem acessar as redes sociais, softwares e aplicativos? Será que entendem a importância de colaborar em ambientes virtuais e tomar decisões informadas com base em dados?

A OCDE afirma que os estudantes precisam estar acompanhando essa evolução; e o mais importante, precisam saber usar as tecnologias de maneira crítica, ética e autônoma. Afinal, dependemos de novas gerações que saibam muito mais do que ligar o computador e acessar a Internet, mas lidar com dados, ferramentas digitais e plataformas online. Só assim conseguiremos atender as exigências do mercado de trabalho e da sociedade!

Como será aplicado o novo PISA Digital?

O que foi divulgado até agora é que o PISA Digital será estruturado em etapas progressivas: raciocínio lógico e capacidade de aplicação de conhecimentos tecnológicos para resolver problemas. Os estudantes devem responder a questões de crescente complexidade utilizando, obviamente, ferramentas computacionais em ambiente virtual.

PISA
Imagem reproduzida de G1 – Globo

Ao longo da prova, os alunos precisarão aplicar o que aprenderam de maneira autônoma, indo além de simples respostas e demonstrando habilidades de resolução de problemas no mundo digital.

Como o Brasil pode se preparar para o PISA digital?

A inclusão das competências digitais no PISA representa mais um desafio para a educação brasileira. Lembrando que nosso país já enfrenta muitas deficiências em áreas fundamentais do conhecimento – hoje estamos na 65ª colocação em matemática, uma posição muito baixa. Sem contar que o acesso à Internet ainda é um problema para aqueles mais pobres. E se os jovens daqui pensam que o mundo e o mercado de trabalho vai ficar impressionado com as suas dancinhas no TikTok, estão enganados.

Mas como podemos mudar essa realidade no Brasil? Como o país pode se preparar melhor para o PISA Digital? Bem, para começar, investir em formação, infraestrutura e inclusão digital.

  • Promover cursos e atividades que ensinem o uso crítico e produtivo da tecnologia.
  • Assegurar que todos os alunos tenham acesso às ferramentas necessárias.
  • Garantir acesso à Internet e dispositivos de qualidade para todos os estudantes.
  • Capacitar professores em novas tecnologias e metodologias de ensino.
  • Incluir mais atividades práticas e projetos interdisciplinares com tecnologia.

Não devemos encarar o PISA Digital como um problema, mas uma força transformadora da educação global. O programa pode ajudar a impulsionar melhorias na educação brasileira, forçando o governo a tomar atitudes que beneficiem a formação dos nossos jovens, sendo mais bem preparados para enfrentar um mundo cada vez mais digitalizado. O desafio? Integrar a educação digital aos currículos escolares de forma significativa, garantindo que todos os alunos, independentemente de sua origem, tenham as mesmas oportunidades de aprender e prosperar no ambiente digital.

Veja Também:

Habilidades digitais requeridas pelo mercado de trabalho

3 habilidades em IA mais procuradas pelas empresas


Fontes: G1, Bahia Bahia, gov.br, porvir.

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A construção civil é uma das áreas da engenharia que mais impactam o meio ambiente. Isso porque ela é responsável por grandes emissões de CO2, o que contribui para o aquecimento global. Esse é só um dos muitos desafios do século XXI! Pensando nisso, estudantes de doutorado da ETH Zurique desenvolveram um projeto inovador chamado Unfold Form. Trata-se de um sistema de cofragem que reduziria a utilização de concreto e aço nas obras, uma alternativa sustentável para obras de pisos e estruturas.

Neste artigo do Engenharia 360, vamos explorar como o Unfold Form pode revolucionar a forma como construímos e qual o seu impacto para o futuro da engenharia. Confira!

Unfold Form
Imagem reproduzida via Click Petróleo e Gás

O desafio das estruturas convencionais

O concreto é o material mais utilizado pela Engenharia Civil, mas ele é extremamente poluente. Só a produção do cimento corresponde a cerca de 8% das emissões globais de CO2. Imagine agora a quantidade de concreto e aço que vai nas estruturas convencionais! Esse ciclo vem degradando demais o meio ambiente. Portanto, existe uma necessidade urgente de mudança na indústria. E o Unforld Form surge como uma promessa para fabricação de estruturas de engenharia com menos desperdício de recursos!

O sistema inovador Unfold Form

O sistema Unfold Form foi idealizado pela estudante Lotte Scheder-Bieschin, da ETH Zurique; hoje, a pesquisa é liderada na universidade pelo professor Philippe Block. Antes de tudo, a proposta se baseia na utilização de uma técnica chamada cofragem, que consiste em uma estrutura que molda o concreto adequadamente até que ele endureça. Nesse caso, o molde seria bastante leve e reutilizável. Qual o diferencial? Reduzir até 60% o uso de concreto e 90% de aço nas estruturas!

Unfold Form
Imagem de ETH Zurich, BRG, reproduzida de Parametric Architecture

Funcionamento

A saber, com o Unfold Form, o processo de construção seria muito mais acessível e eficiente. Na prática, seriam utilizadas tiras de compensado conectadas por dobradiças têxteis. Esse design geométrico permitiria que as fôrmas sejam dobradas (como leques) e transportadas facilmente, reduzindo a necessidade de espaços de armazenamento e transporte. E após a aplicação e cura do concreto, tudo seria desmontado e levado para outro ponto da obra ou até para outro canteiro de obras.

Unfold Form
Imagem de ETH Zurich, BRG, reproduzida de Parametric Architecture

A geometria do Unfold Form é, então, muito “inteligente”, por assim dizer. Essa configuração em zigue-zague proporciona uma resistência estrutural superior, sem adicionar peso excessivo. E tal abordagem não apenas reduz a quantidade de material necessário, mas também melhora a eficiência do processo construtivo.

Inspiração na natureza

Segundo Scheder-Bieschin, o design do Unfold Form foi inspirado na natureza, mais precisamente nas conchas dos mariscos. E se você reparar bem neles, suas bordas formam mesmo esse tipo de zigue-zague; parece que é isso que aumenta sua rigidez sem adicionar peso – traduzindo, é um conceito meio que “força através da geometria”. Pois o que a estudante fez foi replicar esse padrão geométrico em tiras de madeira e montar uma fôrma para concretar as estruturas.

No final o que se obteve foram estruturas com uma melhor transferência de cargas. O princípio da curvatura favorece resistência e estabilidade, sem a necessidade de reforços adicionais. 

Unfold Form
Imagem reproduzida via Click Petróleo e Gás
Unfold Form
Imagem de ETH Zurich, BRG, reproduzida de Parametric Architecture

Os benefícios do Unfold Form para o meio ambiente

Como explicamos ao longo deste texto, com o Unforld Form seria possível construir com menos concreto e aço – uma perspectiva positiva de significativa redução na pegada de carbono. O que não quer dizer que as estruturas seriam, por isso, mais fracas ou pouco duráveis, pelo contrário. Além disso, com a reutilização de cofragem, haveria uma redução na quantidade de resíduos gerados. A saber, esse aspecto é fundamental, especialmente em projetos em áreas remotas, carentes de recursos. Estamos falando de uma engenharia mais sustentável!

Aliás, em regiões de difícil acesso é complicado obter todos os materiais necessários para as obras, o que inclui fôrmas e peças de concreto pré-moldado. Mas o Unfold Form pode pesar apenas 24 kg e ser transportado em bolsas pequenas. Sua montagem dispensa equipamentos sofisticados ou conhecimento técnico avançado. Por isso, segundo especialistas, seria uma boa solução para comunidades em desenvolvimento.

Unfold Form
Imagem de ETH Zurich, BRG, reproduzida de Parametric Architecture

Para comprovar essa teoria, os cientistas da ETH Zurique já realizaram testes de sucesso na África do Sul. Os pesquisadores fizeram uma parceria com uma empresa local para a construção de habitações sustentáveis para áreas carentes utilizando bioconcreto feito a partir de vegetação invasora na região. Essa experiência demonstrou não só a eficácia do sistema Unfold Form em condições reais, mas sua versatilidade ao trabalhar com diferentes tipos de concreto.

O futuro da construção civil com o Unfold Form

A tecnologia Unfold Form já começa a ganhar atenção internacional. Mas a própria Lotte Scheder-Bieschin garante que a pesquisa deve continuar.

Um objetivo que a cientista tem é capacitar comunidades para extrair o máximo de proveito de seu projeto, mas da forma correta – o que vai exigir uma curva de aprendizado maior. Mas, por enquanto, o sistema não pode ser adequado para construções de grande porte, que exigem alta capacidade de carga. Ademais, o uso de dobradiças têxteis e compensados pode limitar a aplicabilidade do sistema em regiões onde esses materiais não estão amplamente disponíveis.

Veja Também: Concreto com Cana-de-açúcar Sustentável e Autocurativo


Fontes: Click Petróleo e Gás, Parametric Architecture.

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