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O que esperar para o mercado de energia em 2020?

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por Beatriz Zanut Barros
| 05/06/2020 3 min

O que esperar para o mercado de energia em 2020?

por Beatriz Zanut Barros | 05/06/2020
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A crise econômica global gerada pela pandemia do coronavírus tem afetado os mais diversos tipos investimentos; Não seria diferente no mercado de energia. De acordo com o IEA (International Agency of Energy) a perspectiva é de uma recessão global e generalizada, conforme podemos ver mais sobre abaixo.

O que é o relatório de investimentos da IEA?

Todos os anos o IEA realiza esta análise econômica, que é abrangente e inclui os setores de abastecimento de combustível e eletricidade, eficiência energética e pesquisa e desenvolvimento. Nela, pode ser observado que o choque mundial causado pela pandemia do coronavírus (Covid-19) alterou drasticamente o curso da economia global e dos mercados energéticos.

Este relatório de capital energético centra-se nas tendências de investimento e financiamento em todos os domínios do aprovisionamento energético, da eficiência e da pesquisa e desenvolvimento (P&D). O objetivo desse relatório é fornecer dados e análises para auxiliar em tomadas de decisões políticas e privadas, bem como disponibilizar informações sobre os riscos para a segurança energética e a sustentabilidade e sobre o que pode ser feito para os mitigar.

Como funcionam os investimentos em energia durante a crise econômica?

O alargamento do âmbito do Investimento Mundial em Energia para incluir uma perspectiva sobre 2020 exige uma visão sobre a gravidade e a duração da crise de saúde pública em curso e do abrandamento econômico, bem como o reconhecimento da enorme incerteza que rodeia esses fatores.

A expectativa para 2020 é uma recessão global generalizada causada por restrições prolongadas à mobilidade e à atividade social e econômica. Com a abertura gradual das economias atualmente em recessão, a recuperação tem a forma de U e é acompanhada por uma perda substancial e permanente da atividade econômica.

Neste cenário, os efeitos no investimento em energia provêm de duas direções. Em primeiro lugar, cortes nas despesas devido a uma menor procura agregada e à redução das receitas; estes cortes têm sido particularmente graves na indústria petrolífera, onde os preços entraram em colapso. Em segundo lugar, as perturbações práticas na atividade de investimento causadas por bloqueios e restrições à circulação de pessoas e bens.

Esta avaliação poderá ser positiva se os esforços de gestão de crises médicas e macroeconômicas forem mais bem sucedidos do que no caso de base desta avaliação, permitindo uma recuperação econômica mais rápida e o retorno ao novo normal na segunda metade do ano.

Do mesmo modo, existe também a clara possibilidade de uma quebra ainda mais profunda nas despesas de investimento, especialmente no caso de uma segunda onda de infecções no final do ano à ponto de provocar novas restrições e bloqueios. Independentemente da forma como os acontecimentos se desenrolarem, as respostas políticas – seja em matéria de energia ou de economia em geral – terão um grande impacto no resultado.

imagem de rede de transmissão mercado de energia
(Fonte: Eletronenergia)

Impactos nos investimentos de Petróleo, gás e eletricidade:

O petróleo sofre o impacto deste choque devido à redução da mobilidade e da aviação, que representam quase 60% da procura mundial pelo produto. Época de maior lockdown em Abril, quando mais de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo foram sujeitas a alguma forma de confinamento, a procura anual de petróleo diminuiu cerca de 25 mb/d. Para o ano no seu conjunto, a procura de petróleo poderia descer em média 9 mb/d, o que permitiria voltar aos níveis de 2012.

Após o petróleo, o combustível mais afetado pela crise deverá ser o carvão. A procura de carvão poderá diminuir 8%, até porque se estima que a procura de eletricidade seja quase 5% inferior ao longo do ano. A recuperação da procura de carvão na indústria e na produção de eletricidade na República Popular da China (a seguir designada por “China”) poderá compensar maiores declínios noutros países.

O impacto da pandemia na procura de gás no primeiro trimestre do ano foi mais moderado, de cerca de 2% numa base anual, dado que as economias baseadas no gás não foram fortemente afetadas. Mas a procura de gás poderá diminuir muito mais ao longo de todo o ano do que no primeiro trimestre, com uma procura reduzida no setor da energia e das aplicações industriais.

No setor da eletricidade, a procura foi significativamente reduzida em resultado das medidas de encerramento, com efeitos de arrastamento sobre o cabaz energético. A procura de eletricidade foi reduzida em 20% ou mais durante os períodos de encerramento total em vários países, uma vez que os aumentos da procura residencial são de longe compensados pelas reduções nas operações comerciais e industriais. As reduções da procura fizeram aumentar a parte das energias renováveis no fornecimento de eletricidade, uma vez que a sua produção não é, em grande medida, afetada pela procura.

Qual a sua perspectiva sobre este cenário? Mais otimista ou mais pessimista? Deixe os seus pensamentos nos comentários.

Fonte: IEA

Leia também: Covid-19: Uma oportunidade para mudanças e pensar em energia renovável

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Beatriz Zanut Barros

Engenheira de Energia formada em 2018 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mestranda em Energia Renovável pela Universitat Politècnica de Catalunya em Barcelona. Acredito que o conhecimento é tudo que possuímos, e sou apaixonada pelas novas tecnologias que além de melhorar a qualidade de vida da população, não prejudicam o meio ambiente.

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