Engenharia 360

É verdade que mulheres ainda enfrentam resistência no mercado de trabalho de TI e Engenharia?

Engenharia 360
por Redação 360
| 06/09/2022 5 min

É verdade que mulheres ainda enfrentam resistência no mercado de trabalho de TI e Engenharia?

por Redação 360 | 06/09/2022
Engenharia 360

O que você acha: ‘Tecnologia da Informação e Engenharia’ é um local acolhedor para mulheres? Sim ou não? Porque, no geral, temos visto muitas práticas para diminuir esse “gap”. Concorda? Pois bem, nossa colega Daiane Junia da Silva questiona se, na prática, é verdade que melhorou a condição da presença feminina em campos antes majoritariamente masculinos. Afinal, as empresas fomentam mesmo esse tipo de ação? Quanta resistência será que as mulheres ainda têm nessa área?

Daiane destaca que ela, trabalhando no setor da Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações, percebe que as coisas melhoraram, sim, se comparado quando ela saiu da faculdade; porém, essa mudança parece mínima, sem nem mesmo causar tanto efeito significativo no mercado. Então, será que esta realidade é igual em todo o Brasil? A seguir, você pode conferir as impressões sobre o tema de outros colegas do nosso Engenharia 360!

Mulheres no mercado de trabalho
Imagem reproduzida de Anamatra

Outros testemunhos

Daniel dos Santos Silva, Engenharia Mecânica:

“Eu particularmente venho notando uma melhora nesta questão – claro, em se tratando de Engenharia. Na faculdade, estudei com muitas mulheres. Onde trabalho, o número de mulheres foi aumentando conforme o tempo. Na equipe da Engenharia Mecânica, hoje são 5 homens e 2 mulheres. Antes eram 3, mas uma saiu pelo fato de ter encontrado uma oportunidade melhor.”

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Continue Lendo

“A tendência na minha opinião é que tenhamos cada vez mais mulheres no setor, e quanto mais mulheres tiverem, esse acolhimento será melhor, tornando o setor muito mais inclusivo.”

Aliás, Daiane acredita que este é um indicativo positivo, pois Mecânica teria até menos profissionais mulheres atuantes do Eletrônica. O que acha? Escreva nos comentários ao final deste post!

Joana Patrícia de Matos Santos, Engenharia Mecânica:

“Onde trabalhei, e conversando um pouco com minhas duas colegas de sala – sim, éramos apenas três em uma sala com mais de 40 alunos -, percebo o quanto esse assunto de ‘Diversidade & Inclusão’ vem cada dia mais sendo discutido e implantado.”

“Na empresa que estou atualmente, sou a primeira mulher na liderança da manutenção. Mesmo esse processo ainda lento, já me deixa muito orgulhosa de saber que a situação está mudando. E mais ainda por fazer parte desse movimento, abrindo caminho para as próximas profissionais que virão.”

“Sobre a resistência, nunca tive problemas em relação a isso, pois, desde criança, sempre fui envolvida em cursos, esportes, atividades majoritariamente masculinas. Então, sempre encarei as coisas de forma tranquila. Claro que não sou exceção; já ouvi bastante falas machistas disfarçadas de piadas, mas nunca me permiti abaixar a cabeça para esse tipo de situação, e sempre provei o meu valor através do meu conhecimento e dos resultados que entrego sempre. Portanto, a desconstrução de mulheres na área da Mecânica, onde passei, fluiu bem.”

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Mulheres no mercado de trabalho
Imagem reproduzida de Instituto de Engenharia

Veja Também: Entenda a importância da participação das mulheres na área de Segurança do Trabalho

Ygor Souza, Engenharia Civil:

“Em relação ao mundo corporativo, percebo ações acontecendo, e posso afirmar que vejo o número de mulheres em todas as posições crescendo.”

“Por exemplo, quando trabalhava para uma franqueadora, na área de implantação nacional, eu era o único homem de uma equipe de 7 pessoas. Em um determinado momento, havia uma gerente e uma coordenadora ao nível hierárquico acima de mim. Na faculdade, tive colegas mulheres; infelizmente não na mesma proporção que a parcela masculina. Mas, hoje em dia, essas minhas colegas têm ótimas posições no mercado da Engenharia, enquanto muitos dos homens nem ao menos conseguiram ingressar na área.”

“Na minha experiência, principalmente quando assumi como gestor, tive que fazer contratações para uma determinada posição e mantive a minha colega que já trabalhava comigo. A equipe do RH, composta integralmente por mulheres, fez o processo seletivo. Porém, só recebi perfis masculinos. Inclusive, fui questionado por um colega se eu tinha certeza da decisão, da minha escolha.”

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

“O que vivenciei, em relação ao ambiente de trabalho na Engenharia Civil, é que o cenário em partes é, sim, hostil. Aliás, essa minha colega já tinha sofrido discriminação, tanto de homens quanto de mulheres, em alguma região do Brasil, mais do que em outras, em lojas que ela estava construindo, e mais.”

“O ponto focal do meu trabalho com ela foi, primeiro no mindset dela, a encorajando e depois analisando os detalhes do cargo, sempre compartilhando o fardo.”

“Vejo que o que falta muito é uma resiliência verdadeira – principalmente entre os pares. Assim, conseguimos vencer cada vez mais essas barreiras.”

Mulheres no mercado de trabalho
Imagem reproduzida de Donna Moderna

Veja Também: 15 mulheres da construção civil cuja história você precisa conhecer

Cristiano Oliveira da Silva, Engenharia Civil:

“Minha experiência de convivência com as mulheres na Engenharia começou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde, por ano, entram cerca de 750 calouros. No meu ano, turma de 1999, deste total, acredito que uns 10% correspondia a mulheres. No dia a dia, elas eram respeitadas, sabiam se impor, inteligentíssimas, e super organizadas. Nos trabalhos em grupo, sabiam organizar as tarefas e também eram caprichosas. Tanto que, na minha turma, os 2 melhores alunos, por média ao final do curso, foram mulheres.”

“No mercado de trabalho, também trabalhei com ótimas profissionais. Nunca houve diferenciação por questão de gênero da minha parte. Entretanto, por ser um nicho de mercado majoritariamente masculino, via situações por vezes de assédio moral. Por exemplo, piadinhas sem graça e outras formas de tentativa de diminuição ou intimidação. Pelo menos com as mulheres que convivi, na minha experiência profissional, elas sabiam colocar os engraçadinhos em seus devidos lugares.”

“Tive algumas líderes e aprendi muito com elas. Tomara que aumente o número de mulheres na Engenharia.”

“Penso que uma das razões para essa relação desproporcional entre mulheres e homens na Engenharia se deva à limitação do que se entende por Engenharia. Basicamente, ‘mecânico aprende motores’, ‘civil aprende construção’, ‘elétrico aprende sobre instalações”… o que é muito limitado e não mostra a atratividade e todas as coisas legais que permeiam as engenharias. Talvez, ampliando o entendimento, possa haver uma migração da atenção das mulheres para a Engenharia.”

Mulheres no mercado de trabalho
Imagem reproduzida de Alcance Engenharia Jr

Então, o que achou das experiências dos redatores colaboradores do Engenharia 360? Que tal se incluíssemos nesta discussão a diversidade como um cenário geral, pensando também nos desafios enfrentados por pessoas portadoras de deficiência, afrodescendentes e comunidade LGBTQIA +? Pedimos que compartilhe seus pensamentos conosco, na aba de comentários!

Veja Também: Como anda a participação das mulheres no mercado da Energia Solar?

Engenharia 360

Redação 360

Somos uma equipe de apaixonados por inovação, com “DNA” na Engenharia. Nosso objetivo é mostrar ao mundo a presença e beleza das engenharias em nossas vidas e toda transformação que podem promover na sociedade.

Comentários

Assine nossa newsletter
e receba
uma curadoria exclusiva de conteúdos:

Continue lendo