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Rapaz escreve carta sobre desigualdade entre homens e mulheres na engenharia

por Clara Ribeiro | 20/05/2016
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É difícil admitir, mas a desigualdade entre homens e mulheres na engenharia é gritante. Mas o que mais incomoda é que parece que nem todos enxergam isso, ou melhor, quem precisa ver não vê.
Por conta disso, um estudante de engenharia mecânica, Jared Mauldin, resolveu escrever uma carta para explicar seu ponto de vista sobre por que suas colegas não são iguais a ele e os outros estudantes homens.

Carta de Jared Mauldin sobre desigualdade entre homens e mulheres na engenharia

A carta foi publicada no jornal de sua universidade, a Eastern Washington, mas logo tornou-se viral nas redes sociais. O texto conversa diretamente com suas colegas, a quem explica sua indignação por haver uma desigualdade explícita.
Ele convoca as mulheres a quebrarem uma barreira na educação superior: a igualdade de oportunidades nos campos da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Para Mauldin, as mulheres têm mais dificuldades, sim. Mas não porque são menos capazes, mas porque não há incentivo tanto da sociedade quanto do Estado, deixando-as sem oportunidades.
Mauldin afirma que não sabia como cresce no mundo todo o desencorajamento de mulheres se concentrarem em ciência dura. “Eu, por exemplo, não vivi em uma sociedade que me dizia para não me sujar, ou que eu não podia expor minhas habilidades de liderança.”, escreveu o estudante.

Ele exalta ainda o fato delas terem conquistado o principal, para ele, que é estar no mesmo campo de estudo. Mas que é só o início da luta. A falta de mulheres nas áreas de ciência e engenharia, onde são uma minoria, é um dos tópicos importantes de igualdade de gênero na agenda de muitas organizações internacionais, incluindo a Comissão Europeia.
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A carta rapidamente rodou os sites de relacionamentos, sempre acompanhados de elogios e aplausos à atitude de Mauldin, que diz não ter feito nada demais. “Nada do que eu disse era novo, tudo tem sido dito milhares de vezes. A diferença é que eu sou um homem”, disse o estudante em entrevista ao jornal Huffington Post.
Após ver o resultado de seu texto, ele acredita que pode ajudar outros homens a enxergar a desigualdade existente. “Quebrando o silêncio do lado masculino, eu posso ajudar mais alguns homens a ver os problemas e a começar a ouvir as mulheres. Elas que começaram a falar sobre isso o tempo todo.”
Um estudo feito com base nos resultados dos testes do PISA (Programme for International Student Assessment – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), mostrou que as diferenças entre meninos e meninas na escola não são inato e tem a ver com o comportamento de cada um.
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A pesquisa evidenciou que o fato do desempenho das meninas não ser igual ao dos meninos em matemática, ciências e resolução de problemas é devido à falta de confiança e motivação para aplicar-se nestes campos específicos. O relatório também enfatiza a importância das expectativas dos pais e professores, e sobretudo da sociedade, onde os alunos estão inseridos.
Seguindo a mesma linha da carta escrita por Jared Mauldin, em 2014 tornou-se popular nas redes sociais a hashtag #iLookLikeAnEngineer (#EuPareçoumEngenheiro), publicada primeiramente por Isis Anchalee.
Ela lançou essa campanha no Twitter após comentários sexistas em anúncio que estrelou para a empresa onde trabalha. Esses comentários questionavam como uma pessoa com a aparência dela poderia ser um engenheiro. A frase é usada ainda hoje por meninas ao redor do mundo para demonstrar que a aparência não tem nada a ver com o seu valor profissional.


E o BDE tem acompanhado a discussão sobre o reconhecimento da mulher na engenharia e áreas correlatas desde o comecinho do blog. Uma das maiores inspirações para nós é Debbie Sterling, veja matéria que fizemos sobre ela e sua luta para incentivar as mulheres.
Mas conte para a gente, qual sua opinião sobre a desigualdade entre homens e mulheres na engenharia?

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Clara Ribeiro

Jornalista especializada em arquitetura e engenharia. Ávida consumidora de informação; viciada em produzir conteúdo; amante das letras, das artes e da ciência.

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