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Saiba como as mulheres conquistaram a engenharia

Engenharia 360
por Larissa Fereguetti
| 23/04/2015 3 min

Saiba como as mulheres conquistaram a engenharia

por Larissa Fereguetti | 23/04/2015
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Pouco tempo atrás a engenharia era vista como um campo de atuação masculino. Felizmente, os tempos estão mudando e a presença feminina está cada vez maior. E não, este fato não se deve somente à criação de novos cursos de engenharia (aqueles erroneamente chamados de “engenharia de mulherzinha”), a presença feminina também aumentou em cursos tradicionais de engenharia.

Imagem: engineeringschools.com

Imagem: engineeringschools.com



No passado, as mulheres foram excluídas da ciência, recebendo como atribuição apenas as tarefas domésticas.  Estes costumes permaneceram até o século 19 e, ainda em muitos países as mulheres eram proibidas de frequentar uma universidade. Marie Curie representa bem o ingresso das mulheres na ciência. Famosa por suas descobertas científicas, foi a primeira mulher a dar aulas em um curso superior na França, onde estimulava suas alunas ao interesse científico com experimentos antes restritos aos homens. Além disso, Curie também foi a primeira mulher a receber um Nobel (e ela o fez duas vezes), enfrentando o preconceito e o machismo predominantes na época.
Imagem: app.emaze.com

Imagem: app.emaze.com


No Brasil, ainda no século XX, as mulheres sofriam preconceito ao ingressar no meio científico.  Na engenharia, elas foram conquistando espaço aos poucos. Evelyna Bloem Souto era, em 1957, a única mulher a fazer parte da primeira turma de engenharia civil da Escola de Engenharia de São Carlos e relatou as dificuldades que passou durante o curso: “A primeira bolsa que consegui foi em Paris. Eu e mais 10 alunos homens fomos visitar um túnel que estava sendo feito para ligar a França à Itália. Eu fiz questão de estar lá porque sabia que posteriormente teríamos de construir túneis no Brasil, mas não queriam que eu entrasse. Fizeram com o que eu me vestisse de homem, colocasse galochas, prendesse o cabelo e desenhasse barba e bigode no meu rosto. Só assim pude verificar as obras. Essa foi a maior prova de preconceito que sofri na época.


 

Leia também: Mais mulheres na Engenharia para uma nova Engenharia!


Ainda, Souto descreve outra situação em que sofreu preconceito após formada e na mesma instituição, na criação do departamento de Geologia e Mecânica dos Solos, que teve sua ajuda. “O presidente me fez assumir o papel de bibliotecária para que ninguém soubesse que eu era engenheira. Mas fui conquistando o meu espaço, e não demorou muito para eu virar chefe de tudo”. Em 2013, as mulheres representavam 23% dos ingressantes no curso de Engenharia Civil na Escola de Engenharia de São Carlos.
Atualmente, até a antiga concepção de bonecas para meninas e carrinhos para meninos está mudando, como nós já mostramos aqui no BDE uma empresa que criou brinquedos voltados para futuras engenheiras. No Reino Unido, o projeto Engineer a Better World tem o objetivo de estimular o interesse dos jovens pela engenharia, principalmente de meninas, visto que apenas 6% dos engenheiros do Reino Unido são mulheres, além de estimular os pais a nutrir a curiosidade dos filhos a respeito da engenharia. Abaixo, um interessante vídeo do projeto:

No Brasil, a Universidade de Caxias do Sul desenvolve o projeto Encorajando Meninas em Ciência e Tecnologia, que visa apresentar para alunas do ensino médio o universo da engenharia e despertar o interesse pela área.

Imagem: huffingtonpost.com

Imagem: huffingtonpost.com


A partir de exemplos como Marie Curie, que encarou o preconceito na ciência e Evelyna Souto, que teve coragem ao ingressar em uma turma composta apenas por homens e deixar claro seu posicionamento, é que hoje as mulheres estão entendendo motores, construções, computadores, circuitos elétricos, robôs e tudo mais que pouco tempo atrás era só função de homem. Esta é uma questão que vai além de querer provar que as mulheres podem exercer as mesmas profissões dos homens (e sim, nós podemos!), é uma questão de descobrir como o mundo funciona e agir em prol de melhorá-lo, uma questão de querer ser engenheira, com todas as atribuições e conhecimentos da profissão que amamos.
Referências: Cabral e Brazzo (2005); Tessari e Villas-Boas (2013); Ciência Hoje; USP.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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