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Mitos sobre BIM: desmistificando lendas repetidas

por BIM na Prática | 31/05/2021

Trazemos para você neste post algumas verdades acerca de alguns mitos sobre BIM, para que você não caia nos “contos” que são muitas vezes difundidos sem questionamentos.

Assim como todo novo assunto ou tema, o início de sua disseminação é sempre um momento delicado para a propagação de informações sem a devida verificação. E com o BIM não foi diferente!

O que aconteceu? Principalmente, foram duas vertentes de informações: 

  • Explicações que tendiam a serem mais simplificadas, totalmente adequadas para o início da disseminação da metodologia BIM, o que até facilitou alguns entendimentos chave da metodologia; e
  • Posicionamento forte de algumas empresas de software que, para terem um bom posicionamento de mercado para gerar vendas, acabaram gerando certos “sinônimos” que não são precisos.

Ambas origens de informações são compreensíveis e naturais, especialmente a primeira. Foi graças a ela que a metodologia pôde ser bem disseminada na indústria da Construção Civil e Arquitetura

Porém, juntamente com a facilidade na explicação, vêm as lacunas que elas deixam – que, aliás, podem ser complementadas por informações imprecisas!

bim
Verdade ou mais um dos mitos sobre BIM? Descubra! | Imagem extraída de Refrigerantes Convenção

Mitos comuns sobre BIM

1. “É projeto em 3D”

Começando com um mito clássico do início das conversas sobre BIM no Brasil. Esse mito provavelmente foi criado para facilitar, ao máximo, a explicação de BIM para leigos, especialmente para os de fora do setor.

Mas já está na hora de aposentar o uso desta explicação. É fato que todo projeto em BIM apresenta recursos 3D para a visualização dos modelos. Porém, a recíproca não é verdadeira quando invertemos os papéis! 

Nem todo projeto 3D é BIM, pois, se não há parametrização das informações do modelo, não podemos chamar de BIM. Uma representação em 3D em softwares como Sketchup e Civil 3D, mas que todos os elementos são geométricos somente – sem informações de material, marca, desempenho, por exemplo -, não podem ser chamados de BIM.

2. “É Revit / É um software”

Esse talvez seja o mito mais perigoso para a disseminação da metodologia BIM. Isso porque atrelar toda uma metodologia a somente uma única ferramenta de uma empresa só é tornar simplório todo um potencial grandioso!

Esse “sinônimo” começou pelo posicionamento de mercado que o Revit conseguiu ter no Brasil. Mas o primeiro passo para entender as diferenças é revisitar os conceitos comparar com a atuação do software, como explicado aqui.

Mas, resumindo, o BIM apresenta uma gama bastante ampla de softwares, com diferentes finalidades. Já o Revit é uma das opções para somente uma das finalidades, tendo outros concorrentes equivalentes de peso no mundo – com o Archicad da Graphisoft, na Europa e Ásia, e Edificius da ACCA, também na Europa.

Existem ainda pelo menos outras 16 “categorias” de softwares, como a de ‘Criação e Concepção‘ – que seria onde o Revit se enquadra mais. Este post lista todas e traz ainda algumas dicas de como escolher o software ideal!

Mas, resumindo, a mensagem mais importante é: Revit é UM software BIM, mas BIM não é só Revit e nem um software!

Para entender melhor o conceito, o primeiro passo pode ser conferir o e-book do BIM na Prática com apoio do Engenharia 360. O que acha?

3. “No BIM os quantitativos são automáticos”

Esse mito é o mais complicado de quebrar. Você já deve ter ouvido falar nele pelo menos alguma vez quando alguém listava as vantagens do BIM. 

Acontece que o BIM traz escalabilidade na extração dos quantitativos, porém eles não são “automáticos” se pensarmos em um quantitativo cem por cento adequado ao seu propósito.

Para você conseguir extrair o quantitativo “automático”, primeiro precisa definir qual o formato das informações precisa. Depois precisará modelar aquela informação de acordo com suas demandas, se encaixando na EAP do cliente.

Algumas perguntas importantes de se fazer ao pensar nas estratégias de modelagem:

  • Quais serviços ainda não foram definidos a metodologia construtiva?
  • Quais insumos estão na curva A e B – da curva ABC – do cliente?
  • Como é a estrutura de EAP do cronograma físico-financeiro do cliente?
  • Preciso modelar todos os elementos para extrair o quantitativo do insumo ou esse quantitativo pode ser baseado por outro parâmetro como parâmetro?
    • Exemplo: modelar a parede para extrair a quantidade de reboco, ou consigo extrair isso pela área de parede? Qual nível de precisão é necessário?
    • Exemplo 2: modelar a camada de impermeabilização para extrair o quantitativo de impermeabilizante ou posso extrair da área de piso multiplicada por um fator? Qual nível de precisão é necessária?

Uma vez respondidas essas e várias outras perguntas, aí você pode partir para a modelagem dessa informação, de acordo com sua necessidade. E aí sim a extração de quantitativos começa a ser automatizada e em linha com a demanda, ou seja, mais automatizada.

É certo que a experiência profissional agrega muito nessas decisões. Por isso, buscar aprender com quem já aplica pode tornar seu processo de modelagem muito mais eficiente!

imagem representando um dos mitos do bim
Exemplo de uma etapa de modelagem BIM: coordenação (Fonte: BIM na Prática)

4. “Projeto em BIM é mais caro”

O exemplo dado no mito acima é um ótimo ponto de partida para entender porquê algumas pessoas – projetistas e contratantes – acham o BIM mais caro.

Fazer a construção virtual do empreendimento abre muitas possibilidades, inclusive a ansiedade de modelar elementos em excesso. E é nesse ponto que muitos projetos se tornam excessivamente custosos, pois demandam muito tempo.

Profissionais iniciando na metodologia BIM, especialmente, acabam não tendo tão claro qual o propósito do modelo e aplicam mais tempo do que o necessário em sua modelagem. Como os projetos são precificados pela estimativa de tempo alocada neles, acabam ficando mais caros.

Mas se o objetivo estiver bem claro, é inegável que o BIM entrega muito mais resultado do que um projeto em AutoCad. Dessa forma, mesmo com licenças de softwares mais caras, o BIM traz um retorno sobre o investimento muito maior

No final das contas, o BIM até pode ser mais caro que o projeto convencional – e isso não é uma regra também, mas, sendo bem feito, ele entrega muito mais economia e eficiência para o contratante!

5. “É só para projetistas”

Para ser direto sobre esse ponto, além de todos os possíveis softwares da metodologia e suas finalidades, como citados anteriormente neste post, devemos entender outras aplicações da metodologia. Só para exemplificar:

  • Fazer uma análise de desempenho térmico da edificação;
  • Análise de isolamento acústico;
  • Estudo de custos e orçamentação da obra;
  • Análise de cenários de planejamento e cronograma;
  • Viabilizar e facilitar o processo de industrialização de uma parte da obra; e
  • Digitalizar o processo de checagem de interferências em obras.

Enfim, o BIM veio para mudar toda a cadeia produtiva da Construção Civil e não somente otimizar os projetos!

6. “É muito fácil / É muito difícil”

Esse último mito é um tanto quanto paradoxal. Pois, de um lado, temos a visão de quem acha a metodologia BIM muito fácil, pela vasta gama de possibilidades que ela abre. Mas, do outro, temos quem começou a trabalhar na metodologia e vê que ela não é tão simples quanto parece.

Para quem já utilizou um software BIM, deve ter percebido que é possível fazer de tudo nele. Ele muda muito diversas coisas, mas também não precisa ser tudo ao mesmo tempo e no maior detalhe possível. É justamente por essas possibilidades que ter um entendimento da metodologia, e não só de softwares, é crucial para aplicar o BIM “na dose certa”!

Mas e por onde começar? A melhor resposta talvez seja do especialista em BIM, Jorge Neto – entrevista a seguir:

Os mitos sobre BIM: ser muito difícil ou simples

“BIM é começar! Faça o que faz hoje no BIM e vá sentindo ganhos e dificuldades. (…) Você vai perceber que não é nem tão fácil e nem tão difícil.” – Jorge Neto.

Cada objetivo traz complexidades e facilidades diferentes. É importante entender primeiro o objetivo antes de decidir qual grau de complexidade será aderido ao modelo!

Conclusão

É fácil criar expectativas desalinhadas ou receber informações carregadas de imprecisão quando  se trata de algo novo. Mas como pôde ser visto, um pouco de criticidade e curiosidades ajudam a esclarecer diversas armadilhas sobre a metodologia BIM.

Damos duas dicas finais que elucidam tanto os mitos listados neste post quanto outros – deixamos como recomendação para qualquer profissional começar: 

  • Aprenda a base da metodologia – não vá direto aos softwares; e
  • Entenda seu objetivo com a metodologia antes de aplicá-la.

E você, já ouviu alguma “lenda” do BIM? Ou você mesmo possui alguma dúvida? Escreva para a gente aqui nos comentários!

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