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Exoesqueleto controlado pelo cérebro permitiu que homem tetraplégico andasse em laboratório

por Kamila Jessie | 05/11/2019
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A ideia de um exoesqueleto completo e controlado pelo cérebro pode fazer a gente pensar no Tony Stark, mas, na verdade, está mais próxima de objetivos médicos. Esse tipo de abordagem é vinculada à prostética e tem papel fundamental no auxílio a pessoas com dificuldades motoras. Recentemente, houve um grande avanço nessa área, com um exoesqueleto com interface cérebro-máquina wireless testado em um paciente tetraplégico.

Produto de pesquisa em laboratório:

Instrumento de um estudo sobre viabilidade de uma técnica semi-invasiva de prostética para melhorar a qualidade de vida de pacientes tetraplégicos, foi elaborado um exoesqueleto com interface cérebro-máquina sem fio. O teste do exoesqueleto foi realizado dentro da segurança de um laboratório. O paciente a testá-lo foi capaz de controlar os braços e as mãos do traje, usando dois sensores em seu cérebro. No caso, o usuário foi um homem de Lyon chamado Thibault, que caiu a 12 metros de uma varanda há quatro anos, deixando-o paralisado dos ombros para baixo.

exoesqueleto
Imagem: Clinatech/AFP/Getty

A interface:

O paciente recebeu dois implantes, por meio de uma cirurgia, cada um contendo 64 eletrodos, nas partes do cérebro que controlam o movimento. O software traduziu as ondas cerebrais lidas por esses implantes em instruções de movimento. O desenvolvimento do exoesqueleto, realizado pela Clinatec e pela Universidade de Grenoble foi descrito em um artigo científico disponibilizado aqui.

Thibault treinou por meses, usando seus sinais cerebrais para controlar um avatar de videogame, a fim de aprimorar as habilidades necessárias para operar o exoesqueleto, que era sustentado por um arnês montado no teto. Ele foi capaz de andar devagar no “traje” e depois parar, como quisesse.

exoesqueleto controlado pelo cérebro
Imagem: Clinatech/AFP/Getty

Aspirações:

A esperança é que um dia uma tecnologia semelhante possa eventualmente deixar as pessoas em cadeiras de rodas movê-las usando suas mentes. É um avanço impressionante, mas o dispositivo é um protótipo e está distante de estar disponível ao público, dado que ainda não forneceu algo como caminhada autônoma.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pela elaboração do traje, ainda é necessário encontrar uma maneira de equilibrar o traje com segurança antes que ele possa ser usado fora do laboratório. Enquanto isso, a gente vai acompanhando os avanços da engenharia na medicina.

Fonte: The Lancet. BBC.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217

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