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Depressão na Engenharia: O que está por trás desse mal?

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5 min

POR Kaique Moura 16/03/2020

Não é raro encontrar algum graduando em engenharia que esteja com estresse elevado e até mesmo uma tristeza traduzida muitas vezes em lágrimas.

pessoa com depressão sentada no chão
Depressão na Engenharia: vamos falar sobre? Créditos: www.ans.gov.br.

Segundo um estudo da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) divulgado em 2016, mostrou que sete de cada 10 alunos de instituições federais sofrem de algum transtorno emocional, como estresse, ansiedade e Depressão.

Tem se tornado cada vez mais comum alunos nessa situação procurarem ajuda no setor psicopedagógico da faculdade/universidade.

O cenário que podemos observar hoje é a crescente demanda deste tipo de atendimento e a luta das universidades em solucionar esse mal. É de vital importância debater esse assunto. Por isso, hoje vamos tratar um tema em evidência atualmente: a depressão na engenharia.

Memes sobre cálculo e brincadeiras. Isso ajuda algumas vezes a eliminar um pouco da tensão que os estudantes de engenharia carregam consigo, tendo que passar por disciplinas difíceis, TCC, cobrança dos pais/mercado de trabalho, busca por excelência… São tantas coisas que poderíamos fazer uma vasta lista de itens que contribuem para tamanho estresse.

Uma coisa que os estudantes estão acostumados a ouvir é que difícil mesmo são só os primeiros semestres de curso, depois fica tudo mais fácil. Isso é bem subjetivo. Porém em muitas situações essa afirmação não passa de pura “Fake News”.

E uma coisa vem tirando o sono ainda mais dos estudantes: o medo de não conseguir o tão sonhado emprego depois de formado. Muitos ingressam na engenharia na esperança de obter um emprego com um salário acima da média. Só com o tempo, é possível constatar que diploma não é sinônimo de emprego. E essa ficha cai nos momentos finais do curso.

Tudo isso contribui para uma coisa séria: depressão!

Depressão não é frescura ou apenas uma fase e sim algo muito sério. Ela tem como característica predominante uma tristeza persistente, diferente da tristeza que as vezes podemos sentir no dia a dia. Por exemplo, é normal ficar triste por ir mal em uma prova. Depois de um período talvez você já tenha superado esse acontecimento e tenha tocado a vida adiante.

Com ela, surgem outros problemas, como alterações no sono, na alimentação e na interação social. O chato de tudo isso é que ela não vai embora assim tão facilmente. Segundo do Dr. Drauzio Varella, a depressão acarreta entre outras coisas:

  • Alteração de peso (perda ou ganho de peso não intencional);
  • Distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva  praticamente diárias);
  • Problemas psicomotores (agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias);
  • Fadiga ou perda de energia constante;
  • Culpa excessiva (sentimento permanente de culpa e inutilidade);
  • Dificuldade de concentração (habilidade diminuída para pensar ou concentrar-se);
  • Ideias suicidas (pensamentos recorrentes de suicídio ou morte);
  • Baixa autoestima.

Muitas pessoas atrelam a depressão a uma expressão triste ou cabisbaixa. Mas acredite: a depressão não apenas se manifesta através de expressões tristes. Pelo contrário, a doença pode estar enrustida atrás de um largo sorriso de uma colega na roda de amigos. de fato, não é possível saber o que se passa na cabeça das pessoas. As vezes, o seu amigo sorridente pode estar com vários pensamentos negativos na cabeça.

Um caminho tenebroso que as vezes não tem volta

pessoa com depressão com as mãos na cabeça
Depressão é coisa séria. Créditos: www.omunicipio.jor.br

Quando a vida não faz mais sentido algum, muitas pessoas, infelizmente, recorrem ao suicídio para acabar de vez com essa tristeza. Essa é uma questão delicada, mas que precisa ser debatida.

Pela constrangimento e delicadeza desse assunto, nós como sociedade, escondemos por muitos anos o suicídio como um assunto. Já imaginou se esse assunto fosse tratado e discutido de maneira adequada, quantas mortes poderiam ter sido evitadas?

Torna-se cada vez mais imprescindível fomentar campanhas de cuidado com a saúde mental, de modo que tanto os alunos se sintam mais à vontade para conversar sobre isso e expor seus problemas como professores tentem diminuir a pressão sobre eles.

O que as faculdades poderiam fazer para eliminar esse problema?

Segundo o Dr. Martin Swanbrow Becker da Florida State University, de um modo geral, as instituições de ensino poderiam tomar as seguintes iniciativas:

  • Orientar/Capacitar os alunos

Ao capacitar os alunos com maior autoconhecimento, eles podem identificar os problemas com mais antecedência e acessar recursos de suporte. As faculdades podem ajudar a motivar e incentivar os alunos a monitorar seu progresso através da criação de um portal on-line, onde os alunos podem acessar ferramentas, como as que promovem o desenvolvimento de habilidades nas áreas de atenção plena, gerenciamento de tempo e reflexão de carreira, etc.

  • Disponibilizar ecursos de gerenciamento de estresse

Faculdades e universidades devem criar processos e ferramentas para os alunos melhorarem sua capacidade de gerenciar o estresse, indicando pessoas/locais onde podem encontrar ajuda. Poderiam desenvolver uma plataforma que ajude os estudantes a encontrar conselheiros, grupos de apoio, etc.

  • Identificar as causas e tomar medidas preventivas

As faculdades devem identificar o que de fato pode estar contribuindo para um aumento de estresse dos alunos – como uso de substâncias, bullying discriminação, agressões, etc. Aqui também deve-se observar se devido a cobrança por decidir de maneira assertiva a carreira, os alunos não estão gerando para si uma elevada pressão para descobrir a especialização e a carreira que devem de fato seguir. Feito isso, as instituições devem agora trabalhar de maneira preventiva para que os itens citados anteriormente não venham a atrapalhar na vida acadêmica dos mesmos.

  • Lançar campanhas de saúde mental

Instituições de ensino devem criar/estimular as campanhas de saúde mental em todo o campus. Alunos, professores e funcionários devem ser treinados em como trabalhar em conjunto para melhorar a saúde mental tanto individual quanto de maneira coletiva, incluindo a identificação de outras pessoas em que demonstrem sinais de depressão e orientando as mesmas a buscar a devida ajuda. As faculdades devem anunciar sua visão e iniciativas para transmitir a mensagem a todos os membros da comunidade.

E você nessa história?

Caso em algum instante você comece a identificar que está entrando numa tristeza que não cessa, não hesite em procurar ajuda de um profissional. Tenha uma conversa franca com sua família, amigos, colegas, professores. Procure ajuda no setor psicopedagógico de sua faculdade. Você também tem a opção de telefonar para o Centro de Valorização da Vida, ligando no número 188, além dos outros canais (chat, e-mail ou em um endereço físico).

banner do cvv
Centro de Valorização da Vida. Créditos: www.treslagoas.ms.gov.br

E caso você identifique que um amigo apresenta os sinais de uma depressão, demonstre todo o seu apoio. Esse apoio pode salvar a vida de alguém. E lembre-se: sempre é tempo de repensar a vida, onde pode mudar. Não tem problema se você não vai conseguir se formar em 5 anos. Não tem problema se você não é o melhor aluno da turma. Lembre-se que mais importante do que faculdade e conquistar tudo que a engenharia pode proporcionar é a sua saúde mental.

Referências: Desafios da Educação, Andifes, MedicalXpress, Dr. Drauzio Varella.

Leia também: Depressão na Engenharia: é hora de falar sobre o assunto!

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Kaique Barbosa de Moura

Apaixonado por gestão industrial, atualmente é aluno do 10° de Engenharia de Produção no Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). É também Técnico em Mecânica pelo Instituto Federal do Piauí (IFPI).

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