Engenharia 360

Por que o alargamento de Balneário Camboriú sofre danos com as chuvas?

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por Simone Tagliani
| 22/12/2022 | Atualizado em 27/01/2023 4 min

Por que o alargamento de Balneário Camboriú sofre danos com as chuvas?

por Simone Tagliani | 22/12/2022 | Atualizado em 27/01/2023
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Recentemente, as fortes chuvas que caíram castigaram diversas regiões entre o sul, centro e sudeste do Brasil. Desde então, alguns episódios, às vésperas do fim de ano, vêm chamando a atenção de quem mora em Santa Catarina. Por exemplo, o surgimento de grandes valetas abertas, “degraus” e “lagoas” na faixa de areia alargada na Praia Central de Balneário Camboriú. Este é um dos pontos turísticos mais importantes do país, que deve receber milhares de visitantes para apreciar a queima de fogos no Ano Novo.

O interessante é que faz apenas um ano que essa faixa de areia foi ampliada de 25 para 70 metros. A megaobra foi concluída em dezembro de 2021, nove meses após o início dos trabalhos. O objetivo era melhorar as condições ambientais e turísticas da região, permitindo, além da proteção da orla contra o avanço das marés, a criação de espaços privilegiados para os moradores e os visitantes. E aí, será que deu certo?

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Balneário Camboriú
Imagem reproduzida de G1 – Globo

Danos observados na praia de Balneário Camboriú

De acordo com a prefeitura, os danos observados após as grandes chuvas eram já esperados e, apesar disso, não houve alterações significativas do que já ocorria antes da obra. Além disso, especialistas lembram que, por ser uma cidade costeira, Balneário Camboriú sempre sofrerá com problemas de marés altas e com drenagem. É provável que os “degraus” apareçam e desapareçam, assim como as “lagoas”. Infelizmente, “o mar tem a sua dinâmica, vai voltar e resgatar aquilo que é dele”, como afirmou o geólogo Juarês José Aumond, em reportagem de G1.

Causas para a movimentação de areia

De acordo com estudiosos, o que aconteceu em Balneário Camboriú tem a ver com:

  • elevação do nível do mar,
  • alterações na biodiversidade,
  • e falta de estudos sobre os efeitos da obra.

Há a possibilidade de a água, com elevação do nível do mar, sobretudo por conta das mudanças climáticas, passar por baixo do alargamento e chegar às bocas de lobo. É fato, o nível do mar vai aumentar em função do aquecimento global e degelo dos glaciários. Isso quer dizer que a água não mais caberá dentro da caixa oceânica e acabará transgredindo sobre a área continental. Trata-se de um fator natural, acelerado pelas ações humanas, e que deveria ser considerado – se não foi – no projeto de Balneário Camboriú.

Balneário Camboriú
Imagem reproduzida de BC Notícias

O que poderia amenizar os impactos ambientais?

Os cientistas já sugeriram que, para aliviar esses problemas, seja plantada restinga, marisma, vegetação que seguraria a areia e absorvesse gás carbônico. Aliás, esta foi uma exigência do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) para dar o licenciamento ambiental à obra de alargamento. Mas parece que não se teve muito respeito com a real situação da biodiversidade do lugar. É preciso agora identificar os sistemas em que foram perdidos com o engordamento, toda a flora comprometida nos costões. A boa notícia é que essas formações podem ser restauradas!

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Até agora, contudo, “Não se sabe qual o tamanho do comprometimento porque os estudos não tiveram a necessária abrangência para as áreas adjacentes”, disse o professor de ecologia e oceanografia Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (SC), em reportagem de G1. Sabe-se que há um projeto-piloto de plantio de mudas de restinga para a Barra Sul, por exemplo. Inclusive, a secretária municipal do Meio Ambiente, Maria Heloisa Lenzi, afirma que há 700 metros quadrados de plantio em 13 bolsões “para avaliar como será o desenvolvimento da restinga”.

A saber, foram plantadas as seguintes espécies de restinga herbácea: Ipomea pes-caprae (pé-de-cabra), Blutaparon portulacoides, Hydrocotyle bonariensis (erva-capitão) e Panicun racemosum (capim-das-dunas).

Planos da prefeitura para o futuro

A prefeitura de Balneário Camboriú afirma que por hora, apesar de não parecer, o alargamento de areia está estável – pelo menos como o que já era esperado. Ela planeja mais trabalhos em breve envolvendo não apenas vegetação, mas infraestrutura, muros de limitação entre praia, e drenagem (microdrenagem e macrodrenagem). Afinal, muitas etapas previstas para depois do alargamento ainda não estão prontas. Por exemplo, a tão aguardada ampliação do calçadão.

Especialmente, a macrodranagem – para dar mais vazão à água – deve ficar pronta ainda em dezembro de 2022. Já outras obras só vão começar após a alta temporada, provavelmente em abril de 2023. A prefeitura quer fazer logo um processo de estabilização através da instalação de geodutos, ou bolsas de grande volume de areia usadas para conter o avanço da erosão. Vamos aguardar!

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Balneário Camboriú
Imagem reproduzida de G1 – Globo

Fontes: G1 SC, G1 SC – 2.

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais, Jornalismo Digital e Marketing Digital; estudante de Gestão de Projetos; e proprietária da empresa Visual Ideias.

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