Engenharia 360

Como se preparar para um Mestrado em Engenharia?

Engenharia 360
por Victor Peron
| 06/10/2022 6 min

Como se preparar para um Mestrado em Engenharia?

por Victor Peron | 06/10/2022
Engenharia 360

Está prestes a dar o próximo passo em sua carreira e está confiante que o caminho certo após terminar a graduação é ingressar num Mestrado em Engenharia? Então, presta atenção nessas dicas que podem te ajudar nesse estágio inicial.

Antes de tudo, vale a pena perguntar: você já tem certeza de que o Mestrado é o caminho para você? Se a resposta for não, não deixe de conferir o primeiro texto desta série em que desvendamos qual tipo de pós-graduação você deve fazer. Se, por outro lado, a resposta é sim, este guia busca mostrar as primeiras tarefas a se realizar para ingressar com o pé-direito.

Bem, saiba que, durante o andamento do Mestrado, além dos conhecimentos desenvolvidos, é necessário desenvolver diversas outras habilidades secundárias, fundamentos ou ferramentas para o desenvolvimento da dissertação.

Esse guia apresenta algumas ferramentas e habilidades necessárias para completar um programa de Mestrado e, posteriormente, um passo-a-passo básico para que o leitor possa entender como encontrar e ingressar no programa e linha de pesquisa de seu interesse.

Vale ressaltar que esse guia busca ser o mais abrangente possível dentro das engenharias, buscando habilidades que sejam desejáveis para dissertações nas mais diversas linhas de pesquisa e linhas de desenvolvimento (teórico/computacional ou experimental). Também vale ressaltar que não estamos recomendando que você tenha conhecimento muito avançado nessas ferramentas – muitas das vezes um nível básico/intermediário de conhecimento já é suficiente.

Mestrado em Engenharia
Imagem Reproduzida de RedBubble

Parte 1 – Ferramentas e Habilidades

Aprender a Estudar

Sei que não poderia iniciar esse texto de maneira mais clichê, mas acredite em mim: praticamente tudo o que você vai fazer no Mestrado será estudar. E, no fim, a Dissertação nada mais é do que um resumo dos principais pontos do seu estudo. O estudo deverá ser conduzido individualmente e com uma grande bagagem teórica.

Tenha certeza de que você tem as habilidades necessárias para conseguir aprender sozinho do melhor jeito possível.

Metodologia Científica

Mais um tópico que é “chover no molhado”, eu sei. Mas, mais uma vez, peço que entenda que você estará, na maioria das vezes, desenvolvendo Ciência, e você tem que sempre se certificar que a metodologia científica está sendo seguida. Essa metodologia ajuda a entender melhor qual o passo-a-passo das atividades a serem desenvolvidas para que, no final, se atinjam os objetivos necessários.

Um adendo importante a essa categoria: caso o Mestrado de seu interesse seja profissional, ao invés de acadêmico -ou seja, mais voltado para práticas do mercado -, é importante que a metodologia científica seja utilizada em conjunto com a metodologia utilizada pelas empresas para o desenvolvimento de projetos.

Programação e MATLAB

A programação está cada vez mais intrínseca ao desenvolvimento da Engenharia; e, em um desenvolvimento científico, não poderia ser diferente.

Claro, dependendo da sua linha de pesquisa e de desenvolvimento, você pode acabar realizando um Mestrado que é mais ou menos voltado à Computação, mas até mesmo para mestrandos em linhas experimentais, a programação pode auxiliar muito. Como citado antes, não estamos recomendando que você necessite de conhecimento avançado de programação, mas é muito desejável que as habilidades básicas sejam desenvolvidas. Nesse contexto, recomendamos muito dois conhecimentos: um curso básico de Python (pois é uma linguagem que está em grande uso nos mais diversos setores da engenharia) e um curso simples de MATLAB.

Essas duas habilidades diferentes, ao nível básico, buscam principalmente auxiliar você a lidar com dados, grandes cálculos e análises (MATLAB) e criar scripts básicos para lidar com algumas tarefas repetitivas (Python). Sabemos que ambas as ferramentas conseguem realizar as mesmas tarefas, mas em um nível básico saber um pouco de cada ferramenta é desejável, principalmente para que você consiga decidir qual ferramenta é melhor para qual procedimento você enfrentará.

Inglês

A “linguagem mundial” é o Inglês; e no mundo científico, não poderia ser diferente. A grande maioria dos conhecimentos avançados de Engenharia (sejam artigos ou livros) está escrito em Inglês e, muito provavelmente, a revisão bibliográfica do seu estudo e as referências das matérias a serem cursadas no Mestrado serão neste idioma. Como se isso não fosse suficiente, para a conclusão do Mestrado, é necessário que se realize uma prova de proficiência. Portanto, não deixe de desenvolver o inglês, pois ele será exercitado muito durante o curso.

Leitura Técnica

Esse tópico tem grandes chances de ser subestimado, mas não deve. A leitura de livros técnicos e, principalmente, de artigos científicos, é uma tarefa que demanda uma curva de aprendizagem, para que se possa absorver os principais pontos o mais rápido possível. Você irá se deparar com muitos artigos que serão e não serão úteis para o seu desenvolvimento. Então, saber rapidamente analisá-los para poder focar nos que são mais importantes é crucial!

Outro ponto, que de certa forma se funde com o primeiro tópico, é a capacidade de absorver o máximo possível do que se está lendo. Para isso, recomendamos fortemente este vídeo, do canal Física e afins.

LaTeX

LaTeX é uma linguagem de escrita científica, muito útil para se escrever artigos e dissertações em engenharia. Eu entendo a resistência em aprender uma “linguagem de programação” simplesmente para escrever quando podemos fazer simplesmente no Word, mas a agilidade que se ganha com o uso dessa ferramenta é muito interessante. Com ele, é possível:

  • configurar a página com templates já prontos para que o texto já tenha o formato da ABNT,
  • configurar referências mais facilmente,
  • escrever fórmulas muito mais rapidamente.

Mesmo que você tenha extrema resistência quanto ao uso do LaTeX e prefira continuar com o Word, o próprio conta com algumas funcionalidades e aceita, por exemplo, que se incluam fórmulas com o LaTeX.

Ferramentas Úteis

Por fim, nesta parte, valem a pena incluir algumas ferramentas mais pontuais, mas que podem ser bastante úteis para a dissertação:

  1. Ferramenta genérica de desenho: Muitas vezes na dissertação será necessário mostrar algum esquema simples para ilustrar seu desenvolvimento, seja para mostrar uma decomposição vetorial feita, mostrar um exemplo de algum resultado, etc. Para isso é muito útil conhecer um pouco sobre alguma ferramenta simples de desenho. Para este fim o AutoCAD é capaz de gerar ótimos resultados, mas temos opções mais simples ainda, como o GeoGebra, por exemplo;
  2. Ferramenta de digitalização de gráficos: Muitas vezes você deverá validar os seus resultados com alguma referência. Normalmente essa referência está publicada e está em forma de gráfico. Portanto, uma ferramenta que permita extrair valores desse gráfico e apresentar para você em uma lista é muito positivo. Para este fim, o WebPlotDigitizer tem ótimos resultados e utilização simples;
  3. Ferramenta de compartilhamento de trabalhos: Seja você parte de um grupo de trabalho dentro do mestrado ou esteja desenvolvendo sozinho com o orientador, é muito útil ter ferramentas que possibilitem o compartilhamento de dados e sirvam como backup. Neste quesito, além da conta na nuvem que seja de sua preferência (Google Drive, Dropbox, etc.), recomendamos o Overleaf como plataforma para o desenvolvimento do trabalho no LaTeX, ou o OneDrive para o desenvolvimento com Word. Ambos permitem a edição e compartilhamento com a possibilidade de revisão e comentários do orientador de maneira simples e eficaz (o OneDrive contando também com o armazenamento em nuvem em conjunto).

Parte 2 – Como Ingressar em um Mestrado em Engenharia

A segunda parte deste guia busca informar, brevemente, como fazer para ingressar em um programa de Mestrado alinhado com os seus interesses. É importante mencionar, desde o início, que cada instituição tem os seus métodos de ingresso. Então, tentamos permanecer o mais abrangentes possível neste texto.

O primeiro passo é, sem dúvida, decidir o que você gostaria de estudar. Isso é uma questão inteiramente pessoal e cada pessoa tem os seus motivos que as levam a seguir suas linhas de pesquisa. Só que algumas perguntas iniciais que você pode se fazer são:

  1. “Qual conteúdo da graduação foi mais prazeroso para mim?”; lembre-se de discernir entre a matéria e a aula, pois um professor que você gostou pode dar aula de uma matéria que você não gostou ou vice-versa);
  2. “Qual conteúdo da graduação eu acredito que consiga fazer a maior contribuição?”; é desejável para a evolução da engenharia e sua como profissional que você esteja inserido em um contexto com possibilidades de inovação e desenvolvimento pessoal).

Nesta etapa, lembre-se de pesquisar tendências na sua linha de interesse e o mais importante. Foque mais na ciência do que na aplicação. O Mestrado normalmente tem uma abordagem de análise científica, e que podem possuir muitos desdobramentos e novas aplicações no futuro. Portanto é crucial focar no conceito e posteriormente na aplicação.

Feito isso, o próximo passo é pesquisar nos programas de pós-graduação quais instituições oferecem linhas de pesquisa dentro da sua área de interesse e, dentro delas, quais são os professores orientadores dessas linhas. Pesquise o Currículo Lattes deles (aproveite e faça um também, vai ser útil) para avaliar quais deles têm mais relação com o que você busca e mande e-mails para eles perguntando se eles estão disponíveis ou se podem recomendar algum orientador. Marque algumas reuniões para tentar entender melhor sobre a área e o desenvolvimento em que está entrando, até que você consiga escolher a linha que mais se aproxima do seu interesse.

Lembre-se também, obviamente, de focar em ser aceito no programa. Algumas instituições demandam apenas uma análise de currículo para a aprovação no Mestrado, outras demandam provas e outras, ainda, demandam cartas de recomendação. E avalie como essa dinâmica funciona nas instituições de seu interesse e não perca as datas.

O Engenharia 360 confia em vocês para nos ajudar a contribuir com a Engenharia no Brasil!

Alguma dúvida ou sugestão sobre o tema ‘pós-graduação’? Escreva na aba de comentários!

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Victor Peron

Engenheiro Mecânico formado pela FEI cursando mestrado na Poli USP com pesquisa em interação fluido-estrutura. Possui experiência em CFD utilizando principalmente o método dos elementos espectrais em solvers de código aberto. Formação extracurricular em matemática aplicada no curso da Prandiano. Tem experiência como empreendedor entregando soluções em engenharia mecânica e também com gerenciamento de projetos na indústria. Tem interesse por máquinas térmicas, otimização, aerodinâmica e física.

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