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Como a indústria 4.0 vai mudar o mundo

por Luis Atilano | 02/11/2016
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O conceito de Indústria 4.0 pode ser encarado como a quarta Revolução Industrial, já que vários aspectos serão alterados com esta mudança de paradigma. A gênese desse pulo tecnológico está na evolução das tecnologias de informação ao longo das últimas décadas, existindo uma tendência clara para a conectividade entre sistemas cada vez mais automatizados e inteligentes, que agregam o componente físico da robótica com o componente da gestão de informação e controle possibilitada pela nova geração de sistemas embarcados e computação em nuvem.
Várias indústrias estão abrindo espaço para essa evolução de modo a não perderem o trem, ao verem a sua margem de operação no mercado limitada e ficando irremediavelmente ultrapassadas por modelos de negócios mais flexíveis e versáteis. Porém, há necessidade de ajustar o mindset dos colaboradores para a obrigatória requalificação e reconfiguração de conhecimentos. É verdade que ainda nos encontramos numa fase inicial, sendo esperada uma duração de pelo menos 20 anos nessa revolução, porém, é fundamental começar a trabalhar essa mudança desde já.
Basta pensar na globalização para compreender quão essencial é essa transformação, já que o mercado é cada vez mais acelerado, sendo muito fácil comprar produtos via internet vindos de qualquer parte do planeta. Isso acaba se refletindo numa demanda cada vez mais agressiva, caracterizada por consumidores mais informados, exigentes e com maior poder de escolha.

(imagem extraída de AirIndKnows)

(imagem extraída de AirIndKnows)


 

Como funciona a indústria 4.0?

Esse novo conceito de produção facilita a execução das chamadas “fábricas inteligentes”, através da integração de estruturas modulares, Computer Aided Manufacturing (CAM) e sistemas embarcados de nova geração (CPS), que permitem monitorar os processos de fabricação com base em simulações virtuais. Dessa forma, o controle adaptativo se dá em tempo real, com os sistemas computacionais coletando informações para os CPS processarem de forma interativa, efetuando a devida correção. Essa ligação entre o mundo real e o mundo virtual aumenta a performance da produção, já que evita a fabricação de produtos defeituosos.
A principal vantagem é a existência de muitas técnicas e tecnologias de suporte à implementação da Indústria 4.0, como o rádio, sensores, módulos GPS, placas eletrônicas – para citar algumas – que facilitam todo o processo de reconversão tecnológica.

(imagem extraída de Intelligent Sensor Networks Conference)

(imagem extraída de Intelligent Sensor Networks Conference)


 
Presente na Internet das Coisas (IoT), os CPS conseguem operar comunicando-se entre si e com os colaboradores em tempo real, de forma colaborativa, via wireless, com base no big data armazenado e oferecendo mais-valias para a cadeia de valor. Dessa forma o controle rígido e centralizado das fábricas dá lugar a um modelo de inteligência descentralizada ubíqua.
De fato, o grande diferencial da Indústria 4.0 se centra na sua ubiquidade, possibilitando um conjunto de potencialidades dos equipamentos, como: disponibilidade, flexibilidade, acessibilidade, rapidez, informação.
(imagem extraída de Siemens Auf Der Hannover)

(imagem extraída de Siemens Auf Der Hannover)


A definição das empresas virtuais torna possível a um colaborador estar trabalhando no Brasil com outro colaborador na Austrália, ou no Japão, continuando esse desenvolvimento em rede. Isso já se vê muito na área da engenharia informática, com os desenvolvedores localizados em várias partes do planeta e trabalhando conjuntamente num mesmo projeto.
 

Aplicação da Indústria 4.0

O escopo da Indústria 4.0 busca reunir as principais inovações tecnológicas nas áreas da automação, controle e tecnologias da informação, visando a melhoria dos processos de manufatura.
Um exemplo interessante se relaciona com a área da manutenção industrial. A multinacional alemã Bosch, por exemplo, já está em um estágio avançado da Indústria 4.0, sendo bastante comum a utilização do smartphone para transmissão das avarias nas máquinas, permitindo que a equipe de engenheiros receba as informações de forma direta e gerando soluções em tempo real.
Outra vantagem passa pelo aumento da vida útil das ferramentas, uma vez que recorrendo a sensores para gerir diversos parâmetros é possível controlar a qualidade e a capacidade da ferramenta por um período mais longo do que a convencional substituição periódica de componentes.
Com a Indústria 4.0 também ficou mais fácil fabricar ferramentas através da utilização da impressão 3D, conseguindo geometrias complexas a um custo bastante inferior, influenciando muito o custo de produção e preço dos produtos.

(imagem extraída de Hytrade)

(imagem extraída de Hytrade)


 

Como transitar para a Indústria 4.0?

A Indústria 4.0 não é somente uma tendência de futuro; a ideia já está sendo absorvida pelas organizações e tornando crucial que elas desenvolvam suas capacidades digitais. Um estudo da PwC junto a 2000 empresas do setor industrial, em 26 países, concluiu que cerca de um terço prevê um crescimento do seu nível de competências digitais de 33% para 72% nos próximos 5 anos. Por exemplo, na África do Sul, é esperado um aumento de quase o dobro, de 27% para 64%.
Essa mudança implica em uma forte aposta na formação de colaboradores e uma forte cultura interna, que dê maior robustez informática com base em workshops e programas de mentoring.
Mas o importante é o planejamento, devendo ser utilizada uma abordagem passo-a-passo, que inclui elaboração de uma estratégia, criação de projetos de teste iniciais, equação de como melhorar a organização suportada na análise de dados, e foco nos clientes. Os dados da PwC indicam que mais de metade das empresas envolvidas espera reduzir os custos operacionais em 3,6% ao ano, aumentando a eficiência em 4,1%. Com um crescimento médio da receita de 2,9% ao ano, as empresas prevem o retorno de todo esse investimento em formação e reconfiguração organizacional num período inferior a 5 anos.
O fundamento básico da Indústria 4.0 passa por conectar máquinas, sistemas e colaboradores, com as organizações podendo utilizar redes inteligentes ao longo de toda a cadeia de valor e gerenciando a atividade de forma autônoma, confiável, transparente e segura. Ou seja, as “fábricas inteligentes” terão a capacidade e autonomia para agendar manutenções, prever avarias e se adaptar a mudanças repentinas, garantindo maior desempenho e menor custo.

 
Fontes: Citisystems, PwC, McKinsey&Company.

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