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Saneamento 4.0: o que esperar com a Indústria 4.0 e a Sociedade 5.0?

por Engenheiros Sem Fronteiras Brasil | 12/08/2020
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Entenda como a revolução tecnológica pode impactar o saneamento no Brasil. Por: Hélen Reis

Por: Hélen Reis

Ao se pensar em inovação e tecnologia, a Indústria 4.0 é um assunto de destaque nos últimos anos. Entretanto, é importante destacar a Sociedade 5.0 ou Indústria 5.0, a qual irá canalizar os benefícios da Indústria 4.0, como, Automação Robótica, Simulação Virtual, IoT (Internet of Things – Internet das Coisas), Computação em Nuvem e Big Data, entre outros, para facilitar a vida do ser humano focando no bem-estar e na qualidade de vida.

Sociedade 5.0

O conceito da Sociedade 5.0 (também definido como Super Smart City) é apresentado no 5º Plano Básico de Ciência e Tecnologia do Japão (2016) que almeja um futuro próspero fofocado na Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) de forma a contribuir a um desenvolvimento sustentável e inclusivo tanto no Japão como no mundo.

Ao se pensar nesta Sociedade 5.0, pode-se pontuar as consequências para a sociedade ao implementar o Saneamento 4.0. Principalmente no Brasil, onde apenas 46,3% da população possui esgoto coletado e tratado, 28,2% tem a coleta de esgoto, mas não o tratamento, e 25,5% não possuem coleta nem tratamento (SNIS, 2019).

Outro dado pertinente também apresentado pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento) em seu último diagnóstico apresenta o mapa do índice médio de atendimento urbano por rede coletora de esgotos dos municípios participantes do SNIS em 2018 segundo municípios:

Mapa brasileiro de índice de atendimento urbano de esgoto, relacionado ao saneamento
Fonte: Malha Municipal, IBGE, 2003. Dados: SNIS, 2018.

Percebe-se a disparidade entre os estados brasileiros quanto ao atendimento urbano com 5 estados da região Norte e 1 estado da região Nordeste com menos de 20% de atendimento. Outro ponto de alerta é a desigualdade do atendimento em um mesmo estado, como o Mato Grosso, além de que 1.521 municípios não apresentaram dados sobre esse atendimento.

A preocupação com a situação atual do saneamento no país está em evidência e pretende-se avançar com a universalização com o novo Marco Legal do Saneamento Básico, o qual foi aprovado em julho de 2020, mas que ainda carece de decretos para regulamentação de alguns aspectos.

Então, ao focar em alguns princípios apresentados no Plano Básico de Ciência e Tecnologia do Japão, como em aprofundar a relação entre CTI e sociedade, aprimorar a capacidade de promover a CTI, abordar desafios socioeconômicos de forma a promover o desenvolvimento sustentável e reposta apropriada a quaisquer mudanças, pode-se estruturar um planejamento para que avanços ocorram para que se alcance a universalização dos serviços de Saneamento Ambiental (Água, Esgoto, Resíduos Sólidos e Drenagem Urbana) no Brasil.

De forma geral, espera-se que o Saneamento 4.0 foque na inclusão de todos os interessados para que se possa ter o acesso igualitário às tecnologias apresentadas pela Indústria 4.0 de forma a garantir seguridade, segurança e qualidade de vida a todos.

Saneamento 4.0

Bem, e como seria esse Saneamento 4.0?

Esquema da automação do sistema de tratamento
Imagem: nb2things.com
  • Usar a IoT de forma a automatizar os processos para ter uma resposta mais rápida na resolução de problemas (plano de ação em tempo real), além de prever certos comportamentos para oferecer o melhor serviço à sociedade, como em épocas de maiores demandas;
  • Investir na automação e otimização do sistema com gerenciamento de dados, IA (Inteligência Artificial) e/ou Big Data poderá diminuir a burocracia, visto que o acesso às informações será mais rápido e de forma remota por meio de aplicativos;
  • Ao implementar sensores na rede pode-se realizar o monitoramento contínuo de forma a acionar soluções previamente estabelecidas e, assim, aumentar a produtividade da equipe para focar em atividades mais estratégicas;
  • Enfoque na Sustentabilidade ao utilizar essas tecnologias para prever onde ocorrerá vazamentos na rede de forma a diminuir o desperdício de água e redução de custos e, quanto ao esgoto, é possível prever lançamentos irregulares;
  • Implementação equipamentos como medidores de turbidez de água potável em que não se tem contato com a amostra, permitindo medições confiáveis para Indústria 4.0 conforme a figura abaixo.
descrição de equipamento de medição para Indústria 4.0
Fonte: Catálogo Oficial: FENASAN (2019) e SWAN Instrumentos Analíticos do Brasil.

Dificuldades para a implementação do Saneamento 4.0

Observa-se as possíveis facilidades que a Indústria 4.0 pode trazer, principalmente ao focar em uma Sociedade 5.0. Entretanto, quais serão as dificuldades?

Elas poderão ocorrer não pela falta de tecnologias, visto que muitas já foram produzidas, mas talvez pela resistência a mudanças da sociedade, o medo quanto à segurança de tantos dados em nuvem (atualmente no Brasil existe a Lei 13.709/2018 – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), ao baixo envolvimento de líderes e governantes, a necessidade de que as empresas mudem a visão de colocar o lucro como a principal prioridade, além de que a sociedade como um todo precisará ter um enfoque em um pensamento mais colaborativo e social.

Quanto ao Saneamento em geral, o Brasil precisa de muito investimento em infraestrutura, na casa de bilhões, além de avaliar a atual situação dos municípios de forma que possamos ir aplicando as tecnologias a favor da universalização do Saneamento. Também é de suma importância levantar as desigualdades de acesso entre áreas urbanas e rurais e até mesmo as populações urbanas em que estão localizadas em locais de déficit socioeconômico. Principalmente a se pensar na maior abertura do capital privado pelo novo Marco Legal do Saneamento. Portanto, teremos que ficar atentos aos próximos anos para verificar a evolução da Sociedade 5.0 e do Saneamento 4.0.

Mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental – UTFPR, Engenheira Sanitarista e Ambiental -UFMT. Apaixonada pelo impacto positivo que a Engenharia pode trazer para a sociedade.

Hélen Reis – Coordenadora de Acompanhamento do Engenheiros Sem Fronteiras Brasil

Fonte: FENASANNossa Tecnologia – NB²ThingsPlano Básico – JapãoSNIS

Conte para gente nos comentários o que você espera da Sociedade 5.0 e do Saneamento 4.0?

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Ser Engenheiros Sem Fronteiras é acreditar na importância da engenharia para o desenvolvimento social e ser protagonista desta transformação. O ESF-Brasil faz parte da rede Engineers Without Borders – International (EWB-I), presente em 65 países ao redor do mundo. Desde 2010 no Brasil já transformamos mais de 84 mil vidas. Acreditamos na importância do envolvimento comunitário, do diálogo e da cooperação. Os projetos são desenvolvidos e executados por voluntários locais organizados em núcleos, que se envolvem pessoalmente com os membros da comunidade, escutam suas necessidades e estabelecem parcerias e amizades. Nós da Diretoria Nacional replicamos essa tecnologia social, capacitando e orientando os líderes destes núcleos para desta forma gerarmos o impacto nos locais que atuamos.

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