Engenharia 360

ESCOLHA A ENGENHARIA
DO SEU INTERESSE

Digite sua Busca

Bioesterelizador desenvolvido em universidade paraibana pode atuar como mais uma frente contra coronavírus

por Kamila Jessie | 03/04/2020

Fora do eixo do Sudeste, as universidades públicas também
estão trabalhando no combate ao coronavírus. A Universidade Federal de Campina
Grande (UFCG), na Paraíba, desenvolveu um sistema chamado de BioEsterelizador para
esterilizar ambientes e pessoas.

universidade federal de campina grande produz bioesterilizador fachada
Imagem: estudopratico.com.br

O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Referência em
Dessalinização (LABDES) da UFCG, com o objetivo de propor uma solução na
segurança de profissionais de saúde. A demanda, em função da pandemia de
COVID-19, sem dúvida é um fator motivador para a mobilização dos cientistas, e
mais uma prova de como ciência, engenharia e sociedade caminham em sintonia na
busca de soluções.

A tecnologia proposta se baseia no princípio de mudança de
fase. O pesquisador Kepler França, coordenador do LABDES, explica que “O calor é a fonte primária,
ativando as moléculas de uma solução aquosa para o estado gasoso, que, por
conter componentes que contribuem para a esterilização, atacam o vírus
”.

Vocês já devem ter lido ou escutado sobre a tal
capa de lipídeos, isto é, gordura, que envolve o coronavírus (inclusive razão
pela qual ele tem esse nome). O calor da vaporização, junto com a atividade dos
potenciais químicos da solução aquosa, contribui para remover essa “coroa” de
proteção do vírus.

coronavírus imagem

Implementação do BioEsterelizador

Mas esquenta o ambiente? Não. O sistema
BioEsterelizador gera um vapor a aproximadamente 70°C, que é atenuado pela
temperatura ambiente. Sendo assim, o sistema poderia ser empregado no acesso
(entrada / saída) de ambientes hospitalares, por exemplo, reduzindo a
propagação do vírus e auxiliando na contenção da pandemia. E não é algo que
ameaça a exposição das pessoas, como lâmpadas UV, por exemplo. Além disso,
desvincula nossa cabeça de comportamentos obsessivos com o famigerado álcool em
gel.

Outra opção, explicada por Kepler França, seria
empregar essa tecnologia em áreas que envolvem grande circulação de pessoas, como
supermercados. A incorporação do BioEsterelizador em entradas e saídas
garantiria um ambiente muito mais asseado.

Ao falar de implementação, é importante
ponderar o custo e operacionalização do equipamento. A princípio, a Ascom da
UFCG divulga que o uso e manutenção do sistema é relativamente baixo e se
justifica pelos benefícios que promove. No nosso cenário, a aplicabilidade se
destaca principalmente em função dos fator emergencial.

Vale apontar aqui que o LABDES está em contato
com um dos hospitais públicos da cidade de Campina Grande para um experimento amplo
in loco. Vamos ver o BioEsterelizador em uso!

Quer ver mais sobre desinfecção de superfícies? Veja como funciona a radiação ultravioleta e seu uso no combate ao coronavírus.

Referências: LABDES. UFCG.

Comentários

Engenharia 360

Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217