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O que é desinfecção ultravioleta e como esse conceito está sendo usado na pandemia de coronavírus

por Kamila Jessie | 03/04/2020

A radiação ultravioleta apresenta aplicabilidade em várias
áreas da engenharia, principalmente voltada para desinfecção de líquidos e
superfícies. Esta abordagem está sendo aplicada na contenção da pandemia de
COVID-19 e a gente explica:

Como funciona a desinfecção ultravioleta

O mecanismo de desinfecção por radiação UV se baseia em
alterações no material genético dos microrganismos expostos. Isto ocorre por meio
da absorção de energia pelos ácidos nucleicos, prejudicando a multiplicação de células
em geral e vírus.

Mas vamos com calma: é preciso lembrar que radiação UV é a
fração do espectro eletromagnético que abrange os comprimentos de onda abaixo
da luz visível. Ela é subdividida em três tipos:

  • UV-A com comprimentos de onda variando de 320 a
    400 nm;
  • UV-B com comprimentos de onda variando de 280 a
    320 nm;
  • UV-C com comprimentos de onda variando de 200 a
    280 nm.
Faixa germicida da radiação UV no espectro eletromagnético. Imagem: auxtrat.com.br
Faixa germicida da radiação UV no espectro eletromagnético. Imagem: auxtrat.com.br

A radiação UV-A pode causar alterações nas células da pele,
causando envelhecimento e, similarmente, a UV-B também, além de estar associada
a câncer de pele. No caso da radiação UV-C, existe um efeito ainda mais
intenso, que atua diretamente no material genético das células. A gente precisa
se proteger dela, mas por que não aplicá-la ao nosso favor? É aí que entra a
engenharia.

A radiação UV-C e é utilizada com diferentes finalidades na
Engenharia Química e Civil, por exemplo. Na área de saneamento, a radiação UV
pode ser aplicada em sistemas de tratamento de água ou esgoto, com lâmpadas germicidas,
que emitem radiação UV-C.

Tratamento de água residuária por UV em canal aberto. Imagem: newlandentecheurope.com
Tratamento de água residuária por UV em canal aberto. Imagem: newlandentecheurope.com

A diversidade de microrganismos que a radiação UV é capaz de
inativar, o fato de não utilizar reagentes consumíveis e gerar poucos
subprodutos, além de não haver gosto ou odor residuais tornam seu uso atraente
na desinfecção. Além disso, trabalhando com lâmpadas, é possível criar vários
arranjos compactos para usos específicos.

Aplicações voltadas para combate à pandemia de COVID-19

Dentre esses arranjos específicos, vejam só a demanda: a pandemia de coronavírus em si.

No Canadá, a faculdade de Engenharia da Universidade de
Waterloo está consultando hospitais e colaborando com uma empresa para produção
emergencial de equipamentos para desinfetar respiradores N95 usando
luz UV. Essa medida poderá permitir o reuso das máscaras que vem sendo
altamente demandadas na pandemia de COVID-19.

Na China, pensando em acelerar e otimizar a desinfecção de superfícies, o transporte público teve sua limpeza regular substituída pelo uso de lâmpadas de UV germicida.

Desinfecção UV aplicada ao transporte público em Pequim. Imagem: france24.com
Desinfecção UV aplicada ao transporte público em Pequim. Imagem: france24.com

Ainda nesse cenário, mas aqui no Brasil, uma das ações aplicando desinfecção por radiação UV partiu da Universidade de São Paulo, a USP, através do Instituto de Física de São Carlos (IFSC). O IFSC cedeu à Santa Casa da Misericórdia de São Carlos dois Rodos UV-C para a descontaminação de pisos. Esses dispositivos foram projetados no próprio IFSC e tem a finalidade de descontaminar superfícies de área relativamente grande.

Essa fonte de luz UV-C vem sendo testada com outras finalidades, dentre as quais a descontaminação completa de órgãos humanos para transplante, abordagem que já foi divulgada em um artigo científico na gigante Nature, o que deixa a gente com muito orgulho da ciência nacional.

Rodo UV desinfetante projetado por pesquisadores da USP. Imagem: IFSC USP.
Rodo UV desinfetante projetado por pesquisadores da USP. Imagem: IFSC USP.

Fontes: France 24. uWaterloo. USP.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217