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Pavilhão Mourisco: conheça o belíssimo edifício da Fiocruz, símbolo da ciência brasileira

por Simone Tagliani | 21/05/2021

A Fiocruz tem sido referência no enfrentamento do covid-19 no Brasil e seu edifício histórico é referência da arquitetura eclética nacional. Saiba+!

Recentemente, por conta da questão da Pandemia do covid-19, a Fiocruz passou a ser mais citada pelos veículos de imprensa. De fato, a instituição tem desempenhado um papel fundamental no enfrentamento de uma das maiores crises sanitárias, econômicas, sociais e humanitárias vividas pelo homem. Hoje, ela desenvolve vários projetos na área de vacinas e até já ajudou a inaugurar um novo Centro Hospitalar. Mas, neste texto, o Engenharia 360 quer destacar a beleza da sua incrível arquitetura. Considerado como um símbolo da ciência brasileira, seu majestoso edifício, localizado em meio a uma vasta área de vegetação, completou 100 anos em 2018 e merece ser citado agora pelo nosso site também! Continue lendo para saber mais!

arquitetura mourisca
Imagem extraída de Sopa Cultural

Sobre a Fundação Oswaldo Cruz

A Fundação Oswaldo Cruz é uma instituição de pesquisa e desenvolvimento em ciências biológicas, vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil. O seu prédio principal está localizado em uma zona de edifícios históricos no bairro de Manguinhos, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Contudo, a Fiocruz também está presente em outros 10 estados brasileiros e possui um escritório internacional em Moçambique. No total, são 16 unidades voltadas para o ensino, inovação, assistência e mais trabalhos no âmbito da Saúde.

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O Castelo da Fiocruz

O edifício da Fiocruz, também conhecido como Pavilhão Mourisco ou Palácio de Manguinhos, começou a ser construído no ano de 1904 e finalizado em 1918, com a melhor tecnologia que havia na época. Seu projeto é de autoria do arquiteto português Luís de Moraes Júnior, que se baseou em desenhos do próprio Oswaldo Cruz, falecido em 1917. A obra foi erguida em uma antiga fazenda, no lugar de instalações improvisadas do Instituto Soroterápico Federal, que havia sido criado em 1900. E o estilo arquitetônico utilizado foi inspirado na cultura hispano muçulmana no Brasil – um dos raros exemplos neomouriscos remanescentes.  A ideia era ressaltar a importância da medicina árabe no país!

Mesmo antes da sua inauguração, em 1910, já se tinha laboratórios instalados no local. Agora, o edifício abriga áreas administrativas da Fundação e do Instituto Oswaldo Cruz e faz parte do circuito oferecido pelo Museu da Vida da Casa de Oswaldo Cruz. Só para se ter uma ideia da sua importância histórica, cultural e científica, em 1981, o local foi tombado pelo IPHAN e agora é considerado um candidato a Patrimônio Cultural da Humanidade

“O castelo é um grande símbolo da ciência brasileira. Uma construção sólida e monumental para resistir através dos tempos.” – Renato Gama Rosa, em reportagem de O Globo.

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Imagem extraída de História, Ciências, Saúde – Manguinhos – Fiocruz
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Imagem extraída de Grafitto

A construção do complexo

O complexo da Fiocruz no Rio é formado por edifícios, em sua maioria, feitos com fundações corridas de blocos de granito, paredes de alvenaria de pedra e tijolos, lajes com vigas metálicas de perfil 1 com vãos preenchidos com tijolos furados abobadadas. Eis as construções: 

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  • Pavilhão do Relógio (1904, utilizado para experimentos na fabricação de vacinas contra a peste bubônica);
  • Pombal (1904, antigo biotério destinado a pequenos animais);
  • Cavalariça (1905, onde era extraído o sangue dos cavalos para a fabricação de vacinas contra a febre amarela);
  • Pavilhão Mourisco (1905-1917, principal edifício do conjunto arquitetônico e ocupado no início do século por bibliotecas, museu e laboratórios);
  • Hospital Evandro Chagas (1912-1917); e 
  • Quinino (1919-1939, construído para abrigar laboratórios de química).
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Imagem extraída de Instituto Oswaldo Cruz – Ciência e Saúde desde 1900

Sobre o Pavilhão Mourisco

O edifício-sede da Fiocruz é o maior símbolo da instituição, abrigando hoje também o centro de entomologia, biblioteca, museu e salas expositivas. Ele é considerado um exemplar da arquitetura eclética brasileira, misturando então essas referências mouriscas e europeias. Inclusive a sua construção foi executada por mão de obra estrangeira e muitos dos materiais utilizados, com exceção da madeira e do granito, foram importados. Resumidamente, este prédio lembra um palácio inglês do período elizabetano, com torres, galeria e mais. E vários dos seus detalhes de fachada, como a decoração geométrica, remetem à arquitetura da península Ibérica, dominada pelos árabes. E acredita-se que, em parte, o motivo da escolha dessas referências tenha sido a compra de um livro feito por Oswaldo Cruz – a obra “O Alhambra”.

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Imagem extraída de Ana Perre
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Imagem extraída de LITERATURA, RIO DE JANEIRO & SÃO PAULO
Detalhes de fachada

O Pavilhão Mourisco da Fiocruz possui cerca de 50 m de altura e 45 m de largura. Sua base é de granito negro e o corpo em tons sóbrios de avermelhado dos tijolos e de outros revestimentos – com destaque para as quinas do edifício, feitos de blocos fabricados em formato específico. Já as varandas são revestidas de azulejos portugueses, com pisos em mosaicos franceses que lembram bastante os desenhos dos tapetes árabes. E as portas, importante marcação de fachadas, são feitas de madeira peroba amarela entalhada, com maçanetas de bronze dourado.

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Imagem extraída de Redalyc
Detalhes de interiores

O estilo neomourisco também se faz presente nos interiores do edifício da Fiocruz, principalmente no terceiro andar, onde está o salão de leitura. Neste local, existe uma elegante arcada apoiada sobre colunas, com paredes e teto em estuque branco esculpido com arcos, rosáceas e caneluras. Mas em cada andar, podem-se ver detalhes diferentes!

Em outros pontos do edifício, existem superfícies de estuque de cor Matte Dourado, trabalhos em alto relevo com desenhos geométricos – expressando realidades cósmicas e a cosmologia – luminárias em ferro fundido ou bronze dourados, cúpulas de opalina lilás, e gradeamentos com desenhos diferentes. No teto do último andar há um grande vitral em cores fortes. O elevador tem cabine de mogno, cúpula de espelhos e portas de cristal bisotado. E a escadaria central, com 101 degraus, é de ferro forjado e mármore de Carrara. 

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Imagem extraída de Thais Thieme em Pinterest

Claro que o edifício da Fiocruz precisou, ao longo dos anos, passar por adequações para atender às exigências modernas – por exemplo, a instalação de redes de Internet e ar condicionado. Mas o que realmente importa para a Arquitetura é o esforço que tem sido feito nos últimos anos para a sua preservação – com impermeabilizações, recuperação de revestimentos e muito mais. E o nosso desejo é que este trabalho possa perdurar mesmo diante das crises, para que futuras gerações se beneficiem da importante pesquisa desenvolvida no local, carregando consigo as lindas lembranças da sua história.


Fonte: Capital Mundial da Arquitetura, Agência Fiocruz, Racismo Ambiental, O Globo, Vitruvius, História do Brasil, Wikipedia.

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.