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Conheça a história do agricultor suíço que ensina os brasileiros a "plantar água"

por Redação 360 | 02/12/2021

Água é vida, água é tudo! Mas numa terra desmatada, nada se encontra, nem vida, nem água. Inspire-se no trabalho do suíço Ernst Götsch, na Bahia!

Essa história se passa na Fazenda Piraí do Norte, no sul da Bahia! Um suíço chamado Ernst Götsch está ensinando os brasileiros a “plantar água”. Sim, é isso mesmo que você leu! Esse é um sistema agroflorestal que já está sendo adotado por vários agricultores ao redor do mundo. É praticamente uma filosofia de vida, de tratamento da terra. O interessante é que, nesse caso, a prática agropecuária não é considerada uma vilã do clima, pois combina a produção de comida com regeneração das florestas e recuperação de nascentes. E isso, como um ciclo, também faz as plantações bombearem mais água para a atmosfera.

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Imagem reproduzida de Agenda Gotsch
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Imagem reproduzida de Compre Rural

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Todos para todos

Neste sistema estimulado por Ernst, humanos, animais e até microrganismos têm papéis igualmente importantes. Olha que interessante. Quando o suíço chegou, há quarenta anos nesta localidade do Brasil, tudo estava desmatado e os animais eram raros. Os donos anteriores haviam usado a propriedade para criar porcos e cultivar mandioca de forma CONVENCIONAL. O que aconteceu? A terra acabou esgotando a sua capacidade, ficou árida e nada mais nascia e crescia. Até os riachos da região ficaram cheios de areia.

Mas Ernst não desistiu! Ele trabalhou bem a terra e em menos de 2 ANOS conseguiu reflorestar. Hoje, a maior parte da propriedade virou uma reserva ambiental privada, e somente 5 hectares — menos de 1% do terreno — lhe geram receitas. É nessa área que, em meio a grande variedade de frutas, legumes e árvores imensas, ele cultiva um cacau de alto valor, exportado para Portugal. E, veja, numa região decadente, que sofre pela crise que atingiu o setor cacaueiro desde os anos 80.

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Imagem reproduzida de BrightVibes

Consultoria para o bem

As atitudes de Ernst logo chamaram a atenção de governos, agricultores e empresas, que nas últimas décadas passaram a contratá-lo para consultorias. Inclusive, agora, o suíço percorre o Brasil fornecendo cursos sobre o tema, ensinando o que sabe inclusive para movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). E quem pensa que não pode seguir os seus passos por falta de estudo está enganado!

Ernst nasceu em um vilarejo pequeno, cresceu numa realidade rural – trabalhando com vacas e produção de queijo -, e jamais frequentou faculdade. Inclusive, chegou a ser expulso da escola três vezes porque questionava os professores além da conta. Contudo, chegou a passar num concurso para trabalhar com melhoramento genético de plantas.

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Foi quando passou a questionar “Será que não seria mais inteligente se nos dedicássemos a melhorar as condições que damos às plantas, em vez de tentar adequá-las às condições cada vez piores que lhes oferecemos?”. Nesse tempo, ele realizou serviços na Tanzânia e na Costa Rica. E quando chegou no Brasil fez questão de escolher uma terra empobrecida e que fosse considerada imprópria para o cultivo de cacau pelo órgão federal responsável pelas políticas para o setor, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). “Eu tinha de provar que sabia trabalhar”, ele conta.

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Imagem reproduzida de Nova Onda Online

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Transformação de paisagem

Ernst começou seu trabalho na Fazenda Piraí do Norte realizando ações para recuperar os riachos assoreados, abrindo valas nos cursos originais e reflorestando o entorno. As raízes destas plantas passaram a proteger o solo da erosão e permitir que a água da chuva voltasse a infiltrar, trazendo os riachos de volta à vida. Depois disso, a quantidade de chuvas na fazenda – e até 8 km a oeste dela – aumentou 70%. Por que isso? Porque, ao transpirar, as árvores transferem água para a atmosfera, intensificando a formação de nuvens. E, quanto mais plantas há num local, mais água é bombeada. Por isso é que DESMATAMENTO É MORTE de um país, de um continente, da vida na Terra! Entendeu?

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Imagem reproduzida de Árvore, ser tecnológico – Tumblr

De acordo com o suíço, aproveitar as relações entre as espécies é outro pilar do modelo agroflorestal que utiliza! Por exemplo, respeitar as condições de que cada planta usufruía em seu estado natural, como a quantidade de luz. Neste sistema, o espaço é otimizado. Plantas crescem sob a sombra de outras, produzindo alimentos, com copos de árvores e arbustos sobrepostos. Além disso, ele enxerga as pragas como amigos mensageiros, rejeita radicalmente o uso de agrotóxicos e dispensa fertilizantes químicos – a grande oferta de matéria orgânica em seus sistemas suprem plenamente as plantas.

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Imagem reproduzida de GMC Creative

“Sempre que vejo aqui um bicho ou planta pela primeira vez, eu pergunto: ‘o que você faz de bom?’.”,

“(…) cada bioma desenvolveu ao longo de bilhões de anos interações para que a vida ali tivesse o máximo êxito. Nada mais natural, portanto, que a agricultura pegasse carona nesses arranjos.”,

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“O pequeno, quando vê o vizinho grande fazendo alguma coisa, ele tem confiança de que aquilo funciona.”,

“Antes eu era considerado um maluco. A partir daquele momento, começaram a dizer: ‘o gringo está fazendo uma coisa interessante’.”

– comentou Ernst Götsch em BBC News.


Fontes: Época Negócios.

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