Esqueça as avaliações de pista fechada ou os lançamentos cheios de tapete vermelho. Para conhecer um carro de verdade, é preciso colocá-lo para trabalhar na vida real. Foi exatamente isso o que nossa equipe do Engenharia 360 fez, pegamos o Novo Nissan Kicks Advance 2026 e fomos para a estrada em uma missão real — levar a sogra ao aeroporto, carregar a mudança de um colchão e transportar a carga para uma festa de aniversário.

Após rodar bastante, entender a nova dinâmica e testar o espaço interno no limite, trazemos o nosso veredito editorial e técnico sobre a grande aposta da Nissan.
A estratégia da Nissan que colocou o Kicks de outro patamar

A primeira grande constatação ao olhar para o Novo Kicks é que ele mudou de categoria. Ele cresceu consideravelmente em tamanho e robustez. Para quem conhece a linha da marca japonesa, a engenharia da Nissan fez uma movimentação muito parecida com a que existe nos sedãs:
- O Sentra é o sedã médio e completo, enquanto o Versa é o compacto.
- Agora, o Kicks assumiu o posto de “SUV do Sentra” (maior e mais imponente), enquanto o inédito Nissan Kait chega para ser o “SUV do Versa” (uma opção de entrada menor).
Robustez com pequenas economias de custo


Visualmente, o carro impressiona e ganhou muita “presença de rua”. A dianteira ficou imponente, mas o olhar clínico de engenharia revela onde a Nissan economizou na versão Advance (que fica posicionada logo acima da versão de entrada Sense).
Embora conte com o sistema de câmeras 360° integrado à grade, a peça plástica preta na parte inferior do para-choque não abriga faróis de milha. Além disso, os faróis principais são em LED, mas dispensam o projetor do tipo “canhão” das versões de topo (Exclusive e Platinum). Nas laterais, as rodas de 17 polegadas calçadas com pneus Dunlop 215/60 R17 preenchem bem as caixas de roda, mas ficam visualmente mais simples se comparadas às redondas de aro 19 das configurações mais caras.
Cabine tecnológica eleva a experiência a bordo


Por dentro, o Novo Kicks Advance entrega uma atmosfera muito superior à geração anterior. O destaque imediato vai para a gigantesca central multimídia de 12,3 polegadas e para o acabamento do painel, que agora ostenta uma faixa em tecido muito agradável ao toque, estendendo-se também para os painéis de porta com áreas em soft touch.
PUBLICIDADE
CONTINUE LENDO ABAIXO
No entanto, duas críticas precisam ser feitas. A primeira vai para o painel de instrumentos: nas versões de topo a tela é totalmente em LED digital e inteiriça; aqui na Advance, nota-se claramente uma divisão física no painel, separando duas telas menores por trás do vidro. Já a segunda crítica vai para um componente importante.
A Nissan perdeu a oportunidade de evoluir o volante, mantendo o mesmo padrão visual e os botões grandes que já conhecemos de modelos anteriores da marca, o que destoa um pouco da modernidade do restante da cabine.
Colocamos o espaço interno à prova em situações reais

Espaço interno e modularidade são os maiores argumentos de compra deste carro. Para provar isso, nós realmente colocamos o SUV para trabalhar. Com os bancos traseiros rebatidos, conseguimos acomodar um colchão de solteiro inteiro dentro do veículo — uma prova real de volume útil.


Para quem viaja atrás, o conforto é garantido. Mesmo com os meus 1,90 m de altura, o espaço para a cabeça em relação ao teto é excelente, resolvendo o problema comum de pessoas altas rasparem o topo da cabeça em SUVs compactos.
PUBLICIDADE
CONTINUE LENDO ABAIXO
Porta-malas gigante e soluções inteligentes

O porta-malas é outro show à parte: amplo, profundo e equipado com um sistema de fundo falso (piso modular). Conseguimos carregar uma quantidade massiva de caixas e decorações para uma festa de aniversário e, abaixo do piso principal, ainda sobrou espaço para organizar itens menores de forma totalmente camuflada.
O novo motor turbo finalmente entrega alto desempenho

Se antes o Kicks sofria com o motor 1.6 aspirado, a engenharia acertou em cheio na nova motorização. Agora, todas as versões — da básica à topo de linha — compartilham exatamente o mesmo conjunto: um propulsor 1.0 Turbo de 3 cilindros com 125 cv.
Consumo surpreendente mostra a eficiência
Na prática, o motor não se comporta como um “motorzinho”, mas sim como um “motorzão”. Ele segura a onda com muita facilidade, desenvolvendo bem tanto nos trechos urbanos quanto nas retomadas em rodovia, mesmo com o carro carregado. O câmbio oferece trocas manuais e conta com um seletor no console central para três modos de condução: Eco, Standard e Sport.
O grande trunfo, porém, foi a eficiência energética. Rodando 100% no etanol, mantendo uma velocidade média de 110 km/h a 120 km/h na estrada, o Kicks Advance registrou a excelente marca de 12 km/L.

Ficha técnica completa do Nissan Kicks Advance 2026
| Componente / Atributo | Especificação Técnica |
| Posicionamento | Segunda versão da linha (Acima da Sense, abaixo da Exclusive e Platinum) |
| Motor | 1.0 Turbo, 3 cilindros, Flex |
| Potência | 125 cv |
| Modos de Condução | Eco, Standard e Sport |
| Rodas e Pneus | Liga leve aro 17″ com pneus Dunlop 215/60 R17 |

| Consumo Real na Estrada | 12 km/L (Medido no Etanol a 110-120 km/h) |
| Tecnologia e Telas | Central multimídia de 12,3″ e painel de instrumentos digital dividido |
| Assistências (ADAS) | Piloto automático adaptativo (ACC), alerta de saída de faixa (sem correção ativa) |
| Manobra | Câmera com visão 360 graus inteligente |
| Preço Estimado | Na faixa de R$ 160.000 a R$ 170.000 |
Veredito do Engenharia 360
O Novo Nissan Kicks Advance 2026 provou no nosso teste dinâmico que tem competência de sobra para o uso familiar e profissional. Ele se comportou muito bem inclusive em estradas de terra secundárias; embora sua suspensão tenha uma calibração nitidamente urbana e firme, a maior altura em relação ao solo garantiu que o carro passasse por valetas e imperfeições sem raspar nada.
Custando na faixa dos R$ 170.000, a versão Advance se mostra o equilíbrio ideal da linha: entrega o excelente motor turbo comum a todas as versões, o espaço generoso e tecnologias cruciais como a câmera 360° e o piloto automático adaptativo, abrindo mão apenas de refinamentos estéticos mais caros das opções de quase R$ 200.000. Uma evolução madura e muito bem-vinda.

Veja Também: Engenharia Automotiva e o qual o futuro da mobilidade
Comentários
Rafael Rosa
Um experiente desenvolvedor criativo e de negócios com mais de 20 anos no mercado de comunicações. Formado em Escola Panamericana de Arte e Design, com passagens na University of the Arts London. Já atuou da produção de conteúdo e outros projetos em famoso site de inovação e criatividade do Brasil, trabalhou como diretor de arte em agência, e lançou plataforma de conteúdo.
