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'Vidrados' da Netflix: série lembra a importância dos trabalhos de Arte em Vidro

por Simone Tagliani | 12/02/2021

O vidro é um material já conhecido pelo homem há milhares de anos e que hoje pode ser utilizado para vários fins

Há pouco tempo, a plataforma de streaming mais famosa do mundo, a Netflix, lançou um reality – atualmente na segunda temporada – bastante peculiar. O programa ‘Vidrados’ traz a tona o tema dos trabalhos de arte em vidro. Na competição, dez vidraceiros desenvolvem peças que fogem dos utensílios comuns, sendo verdadeiras obras primas de expressões ousadas e movimentos que remetem a diversos estilos, como o Pop Art. Por fim, o vencedor leva para casa uma quantia em dinheiro e a chance de realizar um estágio no Corning Museum of Glass e de ter uma de suas coleções expostas.

vidraceiro em cena de vidrados, da Netflix
(imagem de Entreterse)

O que mais nos chama a atenção quanto a esta séria é justamente o tema de debate que ela traz. Realmente, a arte em vidro é pouco comentada nos dias de hoje; e, certamente, sempre foi uma das menos conhecidas. E nós, do Engenharia 360, acreditamos que falar sobre este assunto deve ajudar, relembrando as pessoas de quantas coisas maravilhosas podemos fazer com este material – incluindo na Arquitetura, Engenharia e Decoração.

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arte em vidro
(imagem de Espace Verre)

Sobre a origem do vidro

Nós estamos muito acostumados com o vidro, pois faz parte do nosso cotidiano. Com ele o homem faz para-brisas, telas de TV e monitores, lentes, frascos de remédios e de bebidas, copos, pratos, mesas, janelas, portas, espelhos, lâmpadas, isolamentos, objetos de arte, e mais. Agora, quem não entende do assunto deve estar se perguntando “da onde vem o vidro?”!

lâmpada feita de vidro
(imagem de Pixabay)

Pois bem, há cerca de 7 mil anos, mercadores fenícios faziam uma fogueira na areia de uma praia quando descobriram o vidro. É que a versão mais pura deste material é a soma de areia, sal ou nitrato de sódio e fogo ou calor! Depois de saber disso, tantos os fenícios quanto os sírios e babilônicos passaram a utilizar o vidro – só que apenas em pequena quantidade, claro.

Aqui mesmo no Brasil, o vidro demorou a chegar. No Período Colonial, as construções no país ainda eram muito rústicas e poucos eram as famílias ricas o suficiente para adquirir vidro. Porém, nas casas dos nobres, já se podia ver a utilização de alguns utensílios domésticos no material, como taças. Janelas envidraçadas, por exemplo, era coisa rara! Só no século XX é que o vidro realmente ficou popular nestas terras – ainda visto como sinônimo de luxo e modernidade.

igreja com vitrais
(imagem de Pixabay)

O vidro atual

Claro que o vidro atual é bem diferente daquele descoberto pelos fenícios. As técnicas de fabricação deste material foram aprimoradas durante gerações. Os romanos foram o povo que realmente ficou mestre nisto – mundialmente conhecido pelas peças de vidro de Murano, pequena ilha perto de Veneza.

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vitrais de igreja
(imagem de Pixabay)

A forma de produção de vidro mais utilizada nos dias de hoje é a de “fusão + resfriamento”. Tudo começa pela nova fórmula do vidro, que contém areia de sílica, sódio e cálcio mais magnésio, alumínio e potássio. Tudo isto é misturado e processado, e depois levado à um forno industrial à uma temperatura de 1600 graus célsius. Mas a proporção de cada matéria prima pode variar de acordo com os resultados de resistência em que se deseja alcançar!

peça de vidro em produção
(imagem de Pixabay)

Dentro do forno, a massa de vidro é derretida até virar um líquido. Neste momento, o vidro é despejado em uma banheira de estanho – que, por ser mais denso, faz o vidro flutuar. Por fim, o material vidro é passado entre roletes – que determinam a sua espessura. Então, levado para uma câmara fria com sopradores, onde atinge uma temperatura de 250 graus. E, posteriormente, para o ar livre, até terminar de resfriar.

Sobre o uso do vidro na Arquitetura

Dentro das fábricas, é possível criar vidros com várias características, destinados para usos específicos. Todos podem ter elevada dureza; serem impermeáveis; e, se não quebrados, durar milhares de anos. E o mais legal é que o vidro pode ser reciclado! Portando, é considerado um material ecológico – uma alternativa bem melhor do que o plástico, por exemplo, que tanto tem contribuído para a poluição e morte de animais no mundo.

utensílios de vidro sobre mesa
(imagem de Pixabay)

Vidro na construção civil

O vidro já é utilizado há muitos anos nos projetos de Arquitetura, Engenharia e Decoração, principalmente por ser bastante versátil! Sua leveza visual oferece mais elegância às obras. É capaz de combinar com muitos outros materiais, proporcionando ambientes mais harmônicos. E pela sua transparência, promover maior integração – continuidade espacial – entre as áreas internas e externas destas construções – garantindo, inclusive, mais aproveitamento da luz natural. Mas, quando opacos, também garantiriam mais privacidade para as pessoas.

Eis os tipos de vidros mais conhecidos e utilizados na construção civil: laminado, temperado, blindado, insulado, termo acústico, anto reflexivo, autolimpante, decorativo, serigrafado, esmaltado, impresso e resistente ao fogo.

Veja Também: Qual a diferença entre vidro comum, laminado e temperado?

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prédio espelhado
(imagem de Pixabay)

Sobre a criação de Arte em vidro

É possível, sim, criar belas esculturas em vidro! Prova disso são os trabalhos maravilhosos que vemos no programa ‘Vidrados’, da Netflix. De fato, vale a pena falar sobre este assunto e mostrar exemplos aos expectadores, pois quanto mais pessoas souberem o que se pode fazer com vidro, mais elas respeitarão não só o material, quanto o trabalho dos artesãos!

Nem precisa dizer o quanto é difícil e arriscado lidar com vidro! Dentro de um atelier comum, pode-se ver estações de trabalho, fornos de reaquecimento, fornos de fusão, câmaras de resfriamento e várias ferramentas diferentes. Para o vidro virar escultura, ele deve passar por vários processos!

esculturas de vidro
(imagem de Entretese)

Na fase um, o artesão coleta a quantidade de vidro líquido que necessita para trabalhar com uma ferramenta chamada de “cana de vidraceiro”. Depois, ele vai soprando o material fora e dentro de moldes, ajustando as formas com pinças e maçaricos. Se quiser dar cor à escultura, o profissional precisa adicionar à mistura materiais como selênio, cádmio, cromo, chumbo, âmbar, resina vegetal e grafite. Depois de rígido, o vidro é levado para um tratamento térmico – recozimento. Então, tudo é novamente resfriado. Enfim, a escultura está pronta!

vidraceira em cena de vidrados, da Netflix
(imagem de Architectural Digest)

Fontes: Abravidro, Statera Arquitetura, Pilkington, Prismatic, Divinal Vidros, Prepara Enem, Recicloteca, O Globo.

Já assistiu a essa série? Comente!

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.