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Engenheiros testam ponte projetada por Leonardo da Vinci há mais de 500 anos

por Larissa Fereguetti | 21/10/2019
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Engenheiro, arquiteto, cientista, matemático, inventor, escultor, anatomista, botânico, poeta, músico e pintor, Leonardo da Vinci era o verdadeiro “faz tudo” da sua época, só que com muito requinte. Ele também recebia demandas de várias partes do mundo solicitando projetos. Uma delas foi em 1502, quando ele recebeu um pedido do Sultão Bayezid II para um projeto de ponte que ligaria Istambul a Galata, mas ela nunca foi construída. Visando ver se o projeto funcionaria, alguns engenheiros do MIT reproduziram a ponte e a colocaram a prova.

O primeiro passo dos cientistas foi esmiuçar o esboço pertencente à carta enviada ao sultão e os documentos disponíveis sobre a época e as condições geológicas do local, que é o estuário Chifre de Ouro.Os problemas começaram porque da Vinci não descreveu, em sua carta com o esboço, de qual material seria feita a ponte. O chute da equipe, com base no que havia disponível de material na época, foi de que ela seria de pedra, visto que madeira ou tijolo não suportariam a carga por muito tempo.

Ponte Leonardo da Vinci
Imagem: edition.cnn.com

A ideia era de que a ponte de sustentaria como as pontes de alvenaria clássicas dos romanos: sem argamassa para manter as pedras juntas. Ainda, ela teria 280 metros, o que a deixaria muito maior que as pontes da época. A ponte projetada por ele era um pouco diferente das de sua época e consistia em um arco achatado alto o suficiente para que um veleiro passasse por baixo dele. Para estabilizar, ele propôs pilares que se estendiam para os lados.

Com as informações em mãos, os pesquisadores partiram para o ataque e construíram um modelo para mostrar a estabilidade da ponte. Eles precisaram estimar o número de blocos que seria usado, chegando a conclusão de que usariam 126, em uma escala de um para quinhentos. Os blocos foram impressos em uma impressora 3D e levando seis horas para fazer cada um.

O resultado foi que o modelo funcionou e a ponte ficou de pé. Segundo os pesquisadores, o “poder da geometria” é o que a faz funcionar. A base mais larga de ambos os lados provavelmente era para contribuir para a estabilidade, visto que a região era propensa para terremotos.

Ponte Leonardo da Vinci
Imagem: pressfrom.info/

Apesar do resultado positivo, restam algumas dúvidas: será que Leonardo da Vinci fez somente um esboço rápido para responder a carta, em segundos ou minutos, ou será que ele planejou por dias? Ao mostrar que a ponte funcionaria, os cientistas acreditam que ele sabia o que estava fazendo e projetou com cuidado e zelo.

Atualmente a ideia não é muito funcional para os projetistas modernos, visto que há uma gama de materiais e técnicas disponíveis que são muito mais leves e resistentes. Porém, provar a viabilidade do projeto dá um indicativo do que poderia ter sido construído na época, quando não havia muita tecnologia, além de nos fazer ter mais certeza sobre quão brilhante da Vinci era.

Referências: Techxplore.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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