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O que as cidades podem aprender com a pandemia?

por Matheus Martins | 01/05/2020

A pandemia instaurada no mundo em função do coronavírus (Covid-19) tem afetado grandemente o cotidiano das pessoas. A sociedade foi obrigada a se comportar de modo diferente. Isso nos faz refletir sobre como o meio em que vivemos e as interações humanas influem num momento destes.

Impactos da pandemia nas cidades

A necessidade de quarentena, modificou muitos aspectos da vida humana. O modo como utilizamos os espaços urbanos foi afetado brutalmente e a reclusão das pessoas durante a quarentena deixa cidades quase que paralisadas.

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Avenida vazia na China, sem nenhum movimento de carros. Ao fundo céu nublado.
Imagem: exame.abril.com.br

Por outro lado, existe um certo caos nos desdobramentos do combate aos impactos do vírus. A corrida logística dos países por suprimentos de higiene e proteção individual, o resgate de países dos seus cidadãos em outros continentes e os plantões diversos de equipes de saúde para realização de testes, transporte de pacientes, o próprio atendimento nas UTI’s, entre outras necessidades inerentes ao combate à pandemia.

Num cenário de enfrentamento de pandemia e, de maneira geral, eventos que prejudiquem ciclos econômicos e comerciais, enfrentam barreiras para aceitação na sociedade. Num primeiro momento, o pensamento é de que não haverá uma afetação significativa ou que ficará sob controle. Num segundo momento, aceita-se os efeitos – que se tornam inegáveis – e busca-se identificar um culpado. Apenas num terceiro momento, os esforços passam a ser totalmente direcionados ao empreendimento de estratégias e ações de combate à pandemia.

Avenida de Wuhan, na China, durante a noite, com baixo volume de tráfego.
Wuhan, China. Imagem: nyt.com

Mas vejamos, embora após haja medidas restritivas estabelecidas, a transmissão do vírus não fica estagnada. Isto, pois, a circulação de pessoas pelas cidades ainda é necessária. E é aí que notamos a importância de entender o comportamento das cidades.

Existe um precedente muito forte ao que vivemos atualmente. Trata-se da crise gerada pela Gripe Espanhola em 1918, pouco mais de 100 anos atrás. Uma cidade brasileira foi um bom exemplo de como passar pela pandemia, apesar dos problemas enfrentados.

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Como a cidade de Belo Horizonte superou a pandemia de 1918?

A cidade de Belo Horizonte foi construída no final do século XIX e seguia uma planejamento urbano que prezava pela higiene dos espaços, conforto ambiental e outros aspectos mínimos de qualidade urbana. Embora a cidade tivesse uma infraestrutura razoavelmente planejada e estruturada, isso não fez com que ela sofresse menos com o vírus.

Isso é o que conta a historiadora Anny Jackeline Torres Silveira, autora do livro A influenza espanhola e a cidade planejada – Belo Horizonte, 1918, numa entrevista ao jornal Estado de Minas.

Praça da Liberdade em Belo Horizonte, Minas Gerais, na década de 1920.
Belo Horizonte, 1918. Imagem: em.com.br

Na época, a cidade possuía 20 anos desde sua criação e população de 50 mil pessoas. Durante a crise, 2 mil pessoas foram infectadas. Medidas de isolamento social, fechamento de diversos estabelecimentos, suspensão de aulas nas escolas e faculdades, e diversas outras medidas restritivas de prevenção foram tomadas também naquela época.

Para tirarmos lições de um evento histórico análogo ao que vivemos hoje, é necessário entender como o problema foi superado e um dos vetores de escape foi a mobilização da sociedade civil. Ocorreram muitas ações conjuntas para provisão de subsídios mínimos de alimentação, medicamentos e produtos de higiene. Equipes de ajuda na capital mineira colaboraram com essas distribuições. A Faculdade de Medicina, à época, suspendeu suas aulas e utilizou seu espaço como um hospital provisório.

Rua da Bahia, no Centro de Belo Horizonte, década de 1920, época de pandemia
Belo Horizonte, 1918. Imagem: em.com.br

A superação da crise, foi através de um senso de cidadania que emergiu e proporcionou ações louváveis, levando Belo Horizonte até o outro lado da pandemia.

O que aprendemos?

É possível avaliar que, preventivamente, é necessário propor o planejamento urbano, promovendo ambientes confortáveis, tráfego com fluidez, mas, sobretudo, capacitar a população para ter ciência dos aspectos urbanos, de como utilizar corretamente os mecanismos propostos num plano diretor, por exemplo.

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Homem andando em calçada de Xangai protegido com máscaras.
Imagem: exame.abril.com.br

O planejamento urbano das cidades deve contemplar mecanismos que proporcionem a interação social, de modo que o senso de comunidade seja estabelecido e dê espírito às cidades. Quando vemos mobilizações de instituições públicas e privadas, em prol de uma cidade, como a construção de hospitais de campanha em estádio, por exemplo, verificamos que o senso de comunidade está presente.

O reflexo do nosso contexto atual é de que, existem erros e acertos. Erramos, ao insistir em negar o tamanho do problema por algum tempo, por buscar culpados antes de nos focarmos totalmente em resolver o que mais importa. Por outro lado, a sociedade civil mais uma vez demonstra que o senso de comunidade existe e, isto fica claro, ao vermos diversas ações sociais sendo feitas em todo o país[1, 2, 3].

Conhece alguma outra questão que as cidades podem aprender com situações de pandemia? Conta para a gente nos comentários!

Fontes: Estado de Minas, O Tempo.

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Matheus Alves Martins

Mestrando em Ciência dos Materiais, Engenheiro Civil, MBA em Gestão de Projetos e Auditor Líder ISO 9001:2015. Um sul-mato-grossense entusiasta da gestão, da qualidade e da inovação na indústria da construção. Fã de tecnologias e eterno estudante de engenharia.