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O que você precisa saber sobre o BIM?

por Gabriel Brito | 08/04/2020
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BIM – Building Information Modeling (Modelagem das Informações da Construção, em português), para muitos profissionais algo bem entendido, para outros mais conservadores, nem tanto, porém não se discute o tamanho da importância da ferramenta na engenharia civil.

Mão segurando edifício virtual 3D
Imagem: ambar.tech

Vamos verificar algumas informações relevantes neste texto, tanto para quem nunca teve contato com este termo quanto para quem já está atuando no “futuro”.

Quem é quem no meio profissional?

O avanço da tecnologia neste século tem permitido a implementação de ferramentas cada vez mais otimizadas e eficientes nas mais diversas áreas de atuação, entretanto essas novidades exigem estudo e aplicação, além de tempo e recurso, fatores que influenciam ou até barram o crescimento de processos que facilitam a vida de quem trabalha. Podemos citar aqui alguns exemplos destes níveis de utilização de tecnologia voltada para a engenharia/arquitetura e sua atuação.

Homens desenhando projeto construção civil antes do CAD
Imagem: reddit.com

O primeiro grupo é composto por aqueles que elaboram seus projetos de forma manual, com papéis, traços, rabiscos e calculadora. No segundo grupo estão aqueles que utilizam softwares com a tecnologia CAD, e aqui está a maior quantidade de profissionais hoje.

Interface software ZWCAD
Imagem: totalcad.com.br

Essa ferramenta possibilita certa agilidade e precisão nos traços em 2D, porém pode apresentar falta de atenção aos detalhes, deixando passar erros despercebidos ou adaptações irreais, uma vez que aceita qualquer tipo de informação com que seja alimentado (ainda que essa informação seja completamente equivocada), responsabilizando única e exclusivamente o profissional em sua criação. Cabe ressaltar que estes softwares não trabalham com critérios de dimensionamento, necessitando auxílio de outros programas para a elaboração de projetos (principalmente no que se refere a cálculos).

O terceiro grupo a ser listado envolve os profissionais que conseguiram se desenvolver em meio a crescente disseminação e já desenvolvem seus projetos com o uso da tecnologia BIM, agregando valor ao seu trabalho e diminuindo erros básicos, uma vez que os programas simulam uma situação real e não permitem informações inconsistentes, além de facilitarem o entendimento para os profissionais do quarto e último grupo: os que atuam no campo (obras).

Conjunto de práticas BIM
Imagem: asmetro.org.br

Observe que um mesmo profissional pode estar inserido dentro de mais de um grupo, a depender das necessidades do seu dia a dia, do relacionamento com seus parceiros e a linguagem que estes utilizam, dos recursos disponíveis e do nível de entendimento de cada tecnologia.

Afinal, o que é BIM?

Ao contrário do que muitos podem pensar, essa sigla não faz referência a um software específico, mas sim a uma espécie de linguagem utilizada dentro dos softwares, com parâmetros conforme cada área de atuação. Isso quer dizer que os arquitetos podem trabalhar em um ambiente que os facilite, enquanto engenheiros utilizam outro programa que os atenda, porém todos podem conversar de maneira clara entre si no mesmo projeto, cada um se relacionando e elaborando sua parte no plano geral (open BIM).

Interface Sotware AltoQi
Imagem: maisengenharia.altoqi.com.br

Entre os softwares mais comuns listados para projetos na área da arquitetura temos o Autodesk Revit, o Archicad (Graphisoft) ou o Vectorworks (Nemetschek), já para a área da engenharia podemos citar os softwares da AltoQi (Eberick, QiBuilder), o próprio Revit que possui complementos como o Robot Structure, MEP, e mais uma variedade de utilitários, como TQS, CypeCAD, SAP2000, etc., a depender de qual disciplina está sendo desenvolvida pelo profissional.

Diferenciais

A principal diferenciação notável entre esta ferramenta e os programas em CAD é a representação gráfica em modelos 3D de todo o projeto, que carregam consigo informações sobre a realidade executiva do elemento.

Imagem: archiexpo.com

Portanto, uma parede por exemplo deixa de ser apenas linhas desenhadas em uma planta, passando a ser um elemento construtivo com dimensões e características particulares (altura, tipo de vedação – concreto, alvenaria, gesso, outros – tipo de revestimento, espessura, desconto de aberturas de janelas e portas ou rasgos de tubulações, etc.), contribuindo para acerto das informações projetadas, quantidades, custos, enfim, parâmetros que transformam o projeto em algo além do desenho.

Como resultado, outra vantagem já descrita no texto é a facilidade de conversação entre as áreas, possibilitando compatibilização eficaz, uma vez que os modelos verificam colisões e interferências entre si (situações em que um pilar estrutural cruza com uma janela da arquitetura, por exemplo), alertando os seus usuários sobre medidas a serem tomadas e enviando assim menor quantidade de erros para a execução final, sem surpresas. No mercado atual diversos fornecedores já disponibilizam de forma gratuita seus produtos em modelos reais 3D para utilização nestes softwares.

Níveis de utilização da ferramenta

É verdade que a utilização de modelos 3D é a característica principal da linguagem BIM, mas devido ao fato destes modelos carregarem consigo parâmetros particulares (tal fato exclui por exemplo o Sketchup desta categoria, uma vez que o software 3D trabalha somente com representações gráficas sem informações complementares) é possível desenvolver e aprofundar seu uso em outras “fases” do projeto, conforme o objetivo desejado. As identificações destes níveis do BIM são representadas pela variação do número de “D”s empregado. Abaixo um resumo do assunto:

níveis do BIM
Imagem: utilizandobim.com
  • BIM 4D: Visa antecipar análises futuras de execução do projeto, prevendo riscos e elaborando o planejamento das etapas construtivas;
  • BIM 5D: Foca na parte financeira. Agrega análise de orçamento aos elementos do modelo 3D conforme especificações, permite análise físico-financeira do cronograma de execução;
  • BIM 6D: Utilização de equipamentos com consumo consciente de energia. Desempenho X consumo, impacto ambiental, funcionamento sustentável do canteiro de obras;
  • BIM 7D: Manutenção das instalações da etapa de execução, análise de funcionamento e necessidade de substituição eficiente de partes ou peças a serem utilizadas, entre outros pontos de gerenciamento a longo prazo;
  • BIM 8D: Análise de segurança operacional, indicativo e prevenção de riscos reais no processo construtivo e operacional;
  • BIM 9D: Lean construction (construção enxuta), busca minimizar o desperdício de materiais e agregar valor ao produto final apresentado, otimizando cada atividade a ser realizada, sem impacto na produtividade da obra;
  • BIM 10D: Integração de dados físicos, ambientais, comerciais e funcionais a cada um de seus componentes, peças e sistemas. Implementação de processos no modelo “Construção industrializada” (produtividade, sequenciamento, setores).

Realidade atual

Podemos concluir que o BIM veio para ficar e contribuir com a vida do profissional em nosso ramo de atuação. Sua utilização requer estudo, desenvolvimento e adaptação. Saindo do modelo de trabalho menos automatizado, os impactos a longo prazo tendem a elevar a qualidade das construções nacionais.

ilustração de pessoas sustentando seta de crescimento
Imagem: neoassist.com

Quando o conhecimento será requerido? Hoje! Caso você não esteja familiarizado com essa tecnologia, sugerimos começar a estudar o quanto antes puder. Podemos citar alguns exemplos, como as obras metroviárias em SP que já utilizam a tecnologia na sua execução, ou ainda o decreto nº 9.983, que visa a disseminação de uso do BIM para participação em licitações a partir de 2021 (apesar de terem sido revogados decretos anteriores com mesmo tema, postergando a data). Por fim, há uma demanda de mercado entre os escritórios, que cada vez mais oferecem seus projetos utilizando desta tecnologia.

homem e mulher apertando as mãos
Imagem: freepik.com

Todos saem ganhando. O projeto tem produção otimizada com relacionamento de todos os envolvidos, prazos menores, diminuição de erros, detalhamento refinado. O cliente, por sua vez, tem possibilidade de visualizar o serviço de forma mais intuitiva com modelos tridimensionais.

E você, já está preparado?

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Gabriel Brito

Engenheiro civil de origem em São Paulo com amor por Florianópolis. Filho do Rei, relacionamento concreto com a música, apaixonado por exatas, séries, tecnologia e viagens. Criador de conteúdo, anseia por aprendizado constante, gosta de transmitir o ensino e preza por uma vida feliz.

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