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O que a impressora 3D e o PC têm em comum?

por Vinicius Licks | 04/02/2015
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“Bom dia, professor. Chegou uma encomenda aqui para o senhor.”
Finalmente chegara a caixa que eu tanto esperava. Depois de mais de um mês de espera e desembaraços alfandegários, lá estava ela: a minha primeira impressora 3D. Tirei da caixa, liguei na tomada (sem ler o manual antes, é claro) e menos de uma hora depois ela já estava lá imprimindo, em plástico azul, uma engrenagem. Depois de pronta, levei-a, todo orgulhoso, para meu colega, especialista em processo de fabricação. Ele pegou a engrenagem azul na mão, olhou rapidamente e saiu disparando perguntas. “Quanto tempo levou para imprimir? Qual a precisão? Dá para imprimir em metal?” Depois de ouvir minhas respostas, ele deu um sorriso amarelo e disparou: “Super bacana mas é brinquedo de criança essa sua impressora 3D; prefiro meu torno!”

Foto: Reprodução FAB LAB SP.


 

Confesso que a cena me lembrou da primeira vez que chegou um PC no escritório do pai de um amigo meu, lá se vão uns trinta anos. Ele e um colega, ambos contadores, levaram menos de uma hora entre tirá-lo da caixa e digitar a primeira fórmula em uma planilha eletrônica, maravilhados em frente à tela verde. Mas nem tudo era perfeito: o PC levava tempo para rodar a folha de pagamentos da empresa, a planilha tinha limite de linhas, os disquetes davam problema. Ou seja, no começo, os PCs eram lentos, não muito precisos e não faziam tudo o que o usuário queria. Só quem os utilizava eram pessoas que não podiam ter acesso aos caríssimos supercomputadores e que não se importavam com estas limitações.  Hoje em dia, esses problemas são coisa do passado e a capacidade de processamento dos computadores pessoais supera, em muito, a necessidade da grande maioria dos usuários.
Esse mesmo fenômeno, conhecido como inovação disruptiva, aconteceu em inúmeros outros mercados, das mini-mills (usinas siderúrgicas que utilizam aciarias elétricas e têm a sucata como matéria-prima ) às câmeras digitais. Com o passar do tempo, esses produtos que inicialmente não eram lá grande coisa e que somente eram adotados nas margens dos mercados, acabaram crescendo rapidamente e tomando conta dos grandes mercados, desalojando os seus predecessores. Isso aconteceu com o PC, que deixaram para trás os supercomputadores, com as câmeras digitais, que deixaram no esquecimento as câmeras que utilizam filmes e com as mini-mills, que tomaram um boa parte do mercado das siderúrgicas integradas. Se você quiser saber mais sobre as inovações disruptivas, leia os livros de um professor de Harvard chamado Clayton Christensen.

Foto: Insper.


 
Outro exemplo de inovação disruptiva: as impressoras 3D que se tornaram populares recentemente e que utilizam a tecnologia de extrusão plástica conhecida como FDM (fused deposition modeling). Elas são apenas a ponta do iceberg. As primeiras tecnologias de manufatura aditiva estão entre nós desde os anos 80. Em 1984, Chuck Hull, o engenheiro que fundou a 3D Systems Corporation, inventou um processo chamado de estereolitografia no qual camadas de material polimérico eram curadas utilizando lasers ultravioleta. A partir daí, a tecnologia só tem evoluído. A manufatura aditiva já trabalha com metais desde a década de 1980, com os processos de sinterização seletiva como o SLS (Selective Laser Sintering) e o DMLS (direct metal laser sintering).
As indústrias aeroespacial e de próteses médicas estão entre os primeiros usuários destas tecnologias em escala industrial. As normas técnicas internacionais também estão sendo desenvolvidas, como por exemplo a norma ASTM F2792-10 que define a terminologia padrão para as tecnologias de manufatura aditiva.
Para entender melhor como funciona uma impressora 3D, veja no vídeo abaixo um projeto feito no Insper Fab Lab.

A manufatura aditiva é um caso típico de inovação disruptiva que surgiu em mercados periféricos como um produto marginal e que, pouco a pouco, se aproxima das aplicações mainstream da indústria. Ela traz consigo inovações em processos de fabricação mas não para por aí. Ela também traz grandes mudanças ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos, começando com a metodologia que hoje empregamos para projetá-los. Quem insistir em considerar a impressão 3D como brinquedo de criança (assim como quem achava isto sobre o PC) ficará para trás.
Em função destas mudanças metodológicas do projeto de produto, é fundamental que o Engenheiro se capacite no emprego dos processos de fabricação que utilizam a manufatura aditiva. São poucas as instituições de ensino brasileiras que oferecem alternativas para a formação no tema. Uma destas instituições é o Insper, em São Paulo, que conta com um laboratório de fabricação digital, o Insper Fab Lab, e que periodicamente oferece atividades voltadas ao assunto.

A partir de 05 de fevereiro, é possível conhecer o Insper Fab Lab todas as quintas-feiras. O funcionamento do laboratório é das 12h30 às 21h00. Lourenço é o guru do Fab Lab e responsável por conduzir as visitas programadas. Para participar das visitas, ver de perto este e outros projetos, inscreva-se aqui e venha nos conhecer.

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