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Entenda a gravidade e o tamanho do impacto dos incêndios na Amazônia

por Larissa Fereguetti | 23/10/2019
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Nos últimos meses, vimos grande parte do Brasil pegar fogo de uma forma assustadora. As notícias, que viraram relatos e polêmicas internacionais, geraram revolta e preocupação no mundo todo. Mas qual o real impacto dos incêndios na Amazônia?

Um dos grandes problemas relacionados ao assunto é que os incêndios podem estar subestimados, então é difícil avaliar o impacto real. Os incêndios podem ser detectados por meio de satélites, mas é difícil definir o que é área agrícola do que é floresta em chamas, e é daí que surgem interpretações controversas.

incêndios na amazônia
Imagem: portalamazonia.com

Outra preocupação surgiu quando o dia virou noite em São Paulo. Alguns cientistas associaram o fato às queimadas na Amazônia, enquanto outros afirmam que o problema foi local ou que não foi o fator mais agravante para o escurecimento do céu.

Os incêndios na Amazônia sempre aconteceram, mas 2019 chamou a atenção pelo grande número de focos em relação aos anos anteriores. Entre janeiro e agosto deste ano houve um aumento de 83% em relação ao ano anterior.

Vários fatores combinados contribuem para o aumento de incêndios, como a seca, o desmatamento e a prática de queimadas. Porém, a seca não foi severa a ponto de justificar a elevação dos números, o que joga a culpa no desmatamento e nas queimadas.

As consequências não se restringem só à região ou ao Brasil, a perda de floresta é sentida em escala global. A floresta amazônica detém cerca de 10% a 20% do carbono de todos os ecossistemas da Terra. Se essa quantidade for parar na atmosfera, pode acelerar de forma perigosa o aquecimento global.

incêndios na amazônia
Imagem: noticias.uol.com.br

No cerrado, por exemplo, os incêndios contribuem para a manutenção do ecossistema, que está adaptado para isso (como as árvores que possuem cascas grossas e as sementes que germinam ao ter a dormência quebrada pelo fogo). Porém, a Amazônia não é adaptada para o fogo, de forma que o desequilíbrio e as consequências são enormes.

Apesar de não ser o pulmão do mundo (esse é representado pelas algas marinhas), a Amazônia é riquíssima em biodiversidade e contém espécies que nem foram descobertas ainda (de fauna e flora). Para os animais, o impacto acontece não só de forma imediata, mas a longo prazo também, desequilibrando todo o sistema. É uma perda gigante não só para as comunidades que usufruem dos seus recursos naturais de forma sustentável para sobrevivência, mas também para o mundo todo.

Alguns pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimaram que as queimadas na região amazônica afetam a saúde de crianças, cuja internação hospitalar dobrou com relação à média dos últimos 10 anos. Esse aumento foi puxado principalmente por registros em municípios próximos à área afetada e representou um custo excedente de aproximadamente 1,5 milhão de reais ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Tudo mostra que os impactos dos incêndios na Amazônia têm consequências em escala local e global. O Brasil e o resto do mundo perdem um pedaço valioso do planeta e a intensificação do aquecimento global piora ainda mais a situação climática que vivemos. No fundo, essa situação mostra que precisamos cuidar do planeta em que vivemos, seja na Amazônia ou no deserto do Saara. É mais que uma questão de conscientização, é um ato de sobrevivência.

Referências: Phys.org, Agência Brasil.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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