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Conheça os benefícios da utilização de BIM no mercado AEC

por Cristiano Oliveira da Silva | 24/09/2020
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Entenda como foi o surgimento da metodologia BIM até seus usos e aplicações nos dias atuais

Ao longo dos últimos anos, a representação gráfica de um empreendimento desde sua concepção até sua utilização e gestão, bem como o conjunto de informações técnicas necessárias para sua realização, vem sofrendo transformações. A fase de projetos merece destaque, uma vez que novas (e velhas) tecnologias estão disponíveis hoje no mercado de trabalho. Hardware já não é um problema, dada a alta capacidade de processamento de dados das máquinas atuais.

Se pensarmos em como se fazia projeto há uns 50 anos, era uma atividade quase artesanal, na qual os desenhos eram confeccionados em papel vegetal, prancheta, projetistas trabalhando semanas na produção de um único documento, tinta nanquim, aranhas, “mata-gato” (tadinho dos bichanos, nunca entendi esse nome), régua de cálculo, bolômetro, etc. Os produtos finais eram pranchas, desenhos A0, A1…

equipamentos para desenhos de engenharia

No Brasil,na década de 80, começava a ser difundido o Autocad. Houve certa resistência à mudança no início (previsível e natural, assim como hoje ainda há em relação ao BIM – Bulding Information Modeling), mas o mercado absorveu bem o novo paradigma tecnológico, dado que sua adoção trouxe consigo um ganho significativo na produtividade. Os produtos finais, entretanto, continuavam a ser os mesmos: desenhos 2D e algum modelo de visualização 3D, com uso restrito à visualização, quando muito, algum suporte à orçamentação e planejamento de execução (constructability).

Por volta dos anos 2000, empresas da área de Óleo e Gás começam a contratar os projetos de suas obras com a exigência de se ter um modelo 3D funcional, parametrizado para extração de informações (quantitativos estruturais, itens e peças de tubulação, equipamentos tagueados etc). Nessa metodologia de trabalho baseada em BIM, o produto final passa a ser um modelo 3D, do qual são extraídas as informações necessárias para construção, compras e atividades referentes à execução do empreendimento (tabelas, quantitativos e, inclusive, desenhos 2D).

Nesse período, BIM começava a ser difundido no Brasil. Atualmente, dentro de todo ferramental tecnológico de que o mercado AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção) dispõe, BIM é a expressão da melhor filosofia de gestão e execução de projeto. Os produtos são extraídos de um modelo 3D municiado de informações parametrizadas e ajustadas a cada uso.

É necessário ressaltar que BIM envolve mudança na forma de fazer o projeto, partindo-se de um modelo 3D cuja evolução depende, dentre outros fatores, do tipo de contratação, do escopo pactuado entre contratante e contratado e dos usos previstos. Se adaptar a esse novo paradigma envolve capacitação de pessoas, aquisição de novas tecnologias (hardwares, softwares, plug-in’s) e tornar transparentes os fluxos de trabalho e escopo contratado.

BIM aplicado às diversas fases do projeto

Na fase de estudos preliminares, análise de viabilidade e preconcepção, modelos digitais do terreno são criados e neles inseridos os estudos de alternativa. Importante salientar a facilidade e ganhos de produtividade para esses estudos, permitindo partir-se de uma solução ótima baseada nos parâmetros de decisão que forem inicialmente acordados (melhor aproveitamento do terreno, volume de concreto, área útil, posicionamento do empreendimento, dentre outros possíveis).

estrutura BIM em software visualização 3D
Imagem: medium.com/@structuraldesigndrafting

Durante a fase de projeto, deve-se evoluir com a modelagem da informação, aumentando-se o nível de detalhamento (LOD – Level of Development). Orçamentos com maior acurácia decorrem imediatamente de um melhor detalhamento do modelo. Pode ser previsto um fluxo financeiro para programação de compras de insumos para obra de forma integrada à EAP (Estrutura Analítica de Projeto).

O planejamento de obra pode então ser realizado a partir de um modelo, no qual é possível prever e programar as etapas construtivas, simular às atividades no canteiro e operações especiais. Esse é o chamado BIM 4D.

O BIM 5D trata de orçamentação / levantamento de custos. Nessa etapa são configuradas as saídas para, a partir de uma base de dados (informações do modelo) alimentar, por exemplo, uma planilha de quantidades que por sua vez será utilizada no processo de orçamentação.

Um benefício corolário da metodologia BIM é a Interoperabilidade e a possibilidade de trabalhar na nuvem, através da adoção do CDE: Common Data Environment, local previsto para integrar as diversas partes e sistemas geradores da documentação de projeto de um empreendimento. É um ambiente no qual os diversos softwares, arquivos e formatos trocam informações de projeto entre si a partir de arquivos exportados no formato IFC (Industry Foundation Classes) e que alimentam um Modelo Federado.

Leia também: Como foi avanço dos desenhos de Engenharia? | 360 Explica

Dessa forma, BIM já é uma realidade no mercado AEC e vem demandando profissionais capazes de lançar mão das possibilidades e ganhos decorrentes desse novo paradigma. E você, tá preparado ?

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Cristiano Oliveira da Silva

- Engenheiro Civil (Poli-USP/2003) - Pesquisador colaborador UFABC - Capacitação e disseminação de BIM - Gerente de Engenharia / BIM Manager - Projetos, Planejamento e Qualidade na empresa BEN - Bureau da Engenharia - INEXH - Instituto Nacional de Excelência Humana - MasterPractitioner e Coach Sistêmico

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