Na primeira metade do mês de janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma tarifa adicional de 25% contra todos os países que mantêm relações comerciais com o Irã. A nação do Oriente Médio passa atualmente por um momento de grave conflito interno, com interferência de vários atores globais. E pensando em economia e geopolítica é normal a reflexão sobre como tudo isso pode impactar a nossa realidade aqui no Brasil – afinal, se tem uma coisa que a pandemia nos ensinou é que estamos todos interconectados.

Até o momento da postagem deste conteúdo no Engenharia 360, ainda não houve, por parte dos Estados Unidos uma ordem executiva detalhada que explique exatamente como serão aplicadas essas novas taxas. Porém, o simples anúncio nas redes sociais já foi suficiente para colocar em alerta setores estratégicos da economia brasileira.

E não é por acaso. Só em 2025, o Brasil movimentou cerca de 3 bilhões de dólares americanos em comércio com o Irã, sendo 2,9 bilhões em exportações e apenas 84 milhões em importações. Resumindo, este parceiro representa menos de 1% das exportações totais do nosso país. Porém, é o parceiro mais relevante no Oriente Médio, estratégico para setores-chave da nossa economia. Assim podemos considerar que perdê-lo neste momento traria grandes consequências. Ou será que ferir ainda mais nossa relação com os Estados Unidos não seria pior?
A saber, o Irã é o 5º maior destino no Oriente Médio (atrás de Emirados Árabes, Egito, Turquia e Arábia Saudita) e o 31º no ranking global, superando Suíça, África do Sul e Rússia.
Qual a situação atual da economia brasileira?
O Brasil é um país emergente. Embora não sejamos ricos, nosso papel no jogo econômico global é relevante. Fazemos parte do Mercosul e também do BRICS. E aí entra essa polêmica relação com o Irã, já que ambas as nações são membros desse agrupamento de grandes potências, focado em cooperação econômica e política para aumentar a influência do Sul Global. É óbvio que os Estados Unidos temem essa relação e essa pode ser a causa principal das tarifas já aplicadas ao Brasil de 50% (e, posteriormente, 40%).

À primeira vista, parece que todo esse assunto não tem nada a ver com Engenharia. Mas se prestarmos bem atenção ao que dizem os economistas, entendemos como estamos diante de um cenário complexo.
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O comércio entre Brasil e Irã se concentra principalmente no agronegócio, mais especificamente nas exportações de milho e soja, além de açúcar, farelos de soja e derivados do petróleo. Mas também importamos, além de pistaches, uvas seca, ureia e remédios, muitos fertilizantes — um insumo essencial para o agronegócio e, diretamente, para toda a cadeia produtiva que depende dele.

Quais as medidas tomadas pelo governo brasileiro?
Neste momento, o Brasil está lidando com a situação através da sua diplomacia. É claro que não queremos brigar com o governo norte-americano, já que exportamos bilhões para os Estados Unidos todos os anos. Por isso, o Itamaraty e a presidência estão em silêncio, aguardando a ordem executiva e a formalização da medida para reagir. Outros parceiros do BRICS também devem sofrer com as novas tarifas, incluindo China, Rússia, Emirados Árabes e Índia.
O que pode acontecer daqui para frente é, com as tarifas dos Estados Unidos, haver o desvio de fluxos, crescimento da inflação e aumento da insegurança global. Em consequência, muitos engenheiros serão forçados a repensar projetos.
O que esperar daqui para frente?
A história ensina que a engenharia não está isolada do cenário geopolítico. É óbvio que o que acontece na Ucrânia, na Palestina, na Venezuela ou no Irã gera consequências aqui no Brasil. Decisões tomadas em Washington, Teerã ou outros centros de poder devem afetar diretamente nosso planejamento de obras, a viabilidade econômica de projetos e até a empregabilidade de profissionais do setor.
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Redobre a atenção! Hoje, o engenheiro que busca sucesso precisa ir muito além dos cálculos, das normas técnicas e dos softwares: é essencial compreender o cenário econômico e político, incluindo tarifas, sanções e disputas comerciais. Afinal, essas variáveis influenciam diretamente — e muitas vezes comprometem — o planejamento de longo prazo.
Veja Também: Guerra no Oriente Médio: Impactos na Agricultura Brasileira
Fontes: Agência Brasil, G1, Itatiaia.
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