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Carros autônomos funcionando cooperativamente reduzem o engarrafamento

por Kamila Jessie | 24/05/2019

Os veículos que funcionam sem motorista , isto é, os veículos autônomos, são uma novidade para a qual temos dirigido nosso interesse (trocadilho intencional). O que a gente veio contar hoje é que carros autônomos funcionando cooperativamente são capazes de reduzir engarrafamentos potenciais em cerca de 35%, de acordo com estudo da Universidade de Cambridge.

Estudo com modelos de carros autônomos em miniatura

O estudo funcionou assim: 16 miniaturas de carros robóticos foram programadas para percorrer uma pista de duas faixas. Os pesquisadores observaram como o fluxo de tráfego mudou quando um dos carros parou (claro, tem que prever um inconveniente).

carros autônomos funcionando cooperativamente
Imagem: techxplore.com

Quando os carros não estavam dirigindo cooperativamente,
qualquer veículo atrás do carro parado tinha que parar ou desacelerar e esperar
por uma brecha no trânsito para poder passar. Esse efeito, como a gente bem
conhece, normalmente aconteceria em uma situação real. Então, conforme seria de
se esperar, uma fila rapidamente se formou atrás do carro parado e o fluxo
geral de tráfego diminuiu.

Resultados quando os carros autônomos funcionam em
cooperação

Quando os carros se comunicavam entre si e dirigiam
cooperativamente, assim que um carro parava na pista interna, ele enviava um
sinal para todos os outros veículos. Os carros na faixa externa que ficavam
próximos ao carro parado diminuíram ligeiramente para que os veículos na pista
interna pudessem passar rapidamente pelo carro parado sem ter de parar ou
desacelerar de forma significativa, melhorando o fluxo de tráfego e, portanto,
o tempo de viagem. Em termos matemáticos, essa economia no engarrafamento foi
de 35%.

Imagem: techxplore.com

Tem mais: mesmo quando um carro com controle humano foi
colocado na pista com os carros autônomos e se movimentou de maneira agressiva
(o que é triste, porém típico), os demais carros foram capazes de dar lugar a
evitar o motorista agressivo, melhorando a segurança.

Os resultados ajudarão a trabalhar para estudar como os carros autônomos podem se comunicar uns com os outros e com veículos controlados por motoristas humanos em rodovias reais no futuro.

O coautor do estudo, Michael He, estudante de graduação do
St. John’s College, de Cambridge, disse: “Os carros autônomos poderiam
resolver vários problemas associados à condução nas cidades, mas é preciso que
haja uma maneira de trabalharem juntos”.

Dificuldades nos estudos com carros autônomos

Geralmente os testes para múltiplos carros autônomos sem
motorista são feitos digitalmente, ou com modelos em escala que são muito
grandes ou muito caros para realizar experimentos em ambientes fechados com
frotas de carros.

Mas cada carro modelo de escala 1:24 utilizado no estudo
gira em torno de 20cm por 8cm, possibilitando a realização de testes em
ambientes fechados e com baixo custo. Eles testaram a frota em modos de
condução “egocêntricos” e “cooperativos”, usando
comportamentos de condução normais e agressivos, e observaram como a frota
reagiu a um carro parado.

No modo normal, a condução cooperativa melhorou o fluxo de
tráfego em 35% em relação à direção egocêntrica. Honestamente, a conclusão
desse estudo cabe para a vida, não é?

Os pesquisadores, cabe citar, dizem que as montadoras precisam trabalhar juntas para garantir que os veículos de marcas diferentes possam se comunicar entre si para o maior benefício. Atualmente, os carros autônomos tendem a ser desenvolvidos usando o software especifico da marca que o produz. Inclusive, a gente já apresentou algumas novidades sobre isso.

Em um cenário futuro, a equipe de pesquisa planeja usar a
frota em cenários mais complexos, incluindo estradas com mais pistas,
interseções e uma ampla gama de tipos de veículos. Enquanto isso, a gente fica
atento e espera essas novidades darem partida.

carros autônomos funcionando cooperativamente
Imagem: giphy.com

Fonte: Telegraph UK.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217