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Engenharia Automotiva: o desafio dos veículos autônomos

por Carlos Aros | 19/11/2014
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Você pode não ter notado, mas os veículos autônomos estão por toda parte. No metrô algumas linhas já são operadas por computador; na agricultura o maquinário já funciona, em grande parte, de maneira autônoma com diminuição das perdas de produtos e redução dos custos com funcionários; em alguns edifícios os elevadores inteligentes já levam os moradores e visitantes até o andar desejado sem que um único botão seja pressionado.
CARRO_VOLVO

Os exemplos não faltam. E quando falamos em carros de passeio autônomos a primeira coisa que nos vem à cabeça é o modelo desenvolvido pelo Google e que circula pela sede da empresa lá em São Francisco. Acontece que não precisamos ir muito longe para encontrar esses brinquedinhos de gente grande.
Aqui no Brasil várias Universidades têm projetos em estágio avançado. Um exemplo é o CaRINA (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma) da USP de São Carlos.

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Já percebemos que em um ambiente isolado, sob condições seguras e com todas as variáveis ponderadas um carro autônomo funciona bem. Mas e no trânsito caótico das cidades? E quando produzido em série? Quais são os desafios que a indústria automobilística vai enfrentar para colocar no mercado esses veículos?
Ricardo Takahira, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, afirma que são cinco os desafios que devem ser superados para que os veículos autônomos possam se popularizar: custo, conforto, segurança, infraestrutura e legislação.

Custo x Conforto x Segurança

CARRO_COMPUTADOR
Barato, confortável e seguro. O motorista (ou passageiro?!) que investe em um carro autônomo não quer ter de pensar em nada: no caminho, nos carros que disputam lugar na avenida congestionada, em ter que manobrar para estacionar naquela vaga apertada, etc.
Para garantir essa comodidade, são instalados centenas de sensores, câmeras, computadores e outros dispositivos no veículo. É aí que entra o custo. “A engenharia brasileira tem o desafio de não ter um produto caro, que é o que a gente pode manufaturar por aqui. Os carros médios e de luxo normalmente têm mais esse tipo de conteúdo, ainda são de engenharia ou de procedência importada”, explica o engenheiro Takahira.
Segundo ele, existem as condições para produzir esses carros aqui no Brasil (tomemos como exemplo a produção de maquinário agrícola) mas a aplicação dessa tecnologia nos modelos mais baratos que saem das linhas de montagem nacionais ainda é um empecilho. No entanto, Takahira lembra que boa parte dos sensores e dispositivos que juntos definem um carro 100% autônomo já estão no mercado e funcionam separadamente nos veículos que circulam por aí.

Infraestrutura x Legislação

CARRO2
Em caso de acidente, quem é o culpado quando falamos em um carro sem motorista? Esse é o tipo de questionamento que ainda não foi resolvido. Não há jurisprudência, diz Takahira, para qualquer evento que envolva um carro autônomo. Segundo o engenheiro, a questão burocrática talvez seja o maior empecilho para que esses veículos deixem as pranchetas.
“Esses aspectos legais e de infraestrutura são bastante importantes. Um carro autônomo precisa visualizar semáforo, a faixa de pedestre tem de estar bem demarcada. A tecnologia pode estar embarcada, mas depende muito da infraestrutura”, enfatiza Takahira, que esclarece que muitos empecilhos fogem ao controle dos engenheiros, como é o caso da regulamentação.
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Por enquanto apenas alguns países, como Inglaterra, permitem a circulação de veículos autônomos nas ruas das cidades. Especialistas ainda divergem sobre as questões de segurança e regulamentação. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Google foi obrigado a devolver o volante ao carro para que em caso de pane no computador o motorista possa assumir o controle.
Outros, no entanto, dizem que a legislação é um passo adiante, pois ainda há questões técnicas que engenheiros e projetistas têm de resolver até que se pense em circular por aí em um carro sem motorista.
No meio desse debate estão as empresas. Há algum tempo atrás a Nissan afirmou que em 2020 comercializaria esses veículos. Outras montadoras fazem projeções e já têm protótipos em análise e projetos em estudo, como é o caso de Volvo, BMW e Mercedes-Benz.

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