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BDE Explica: quais cuidados um engenheiro deve ter quanto ao uso do policarbonato em coberturas?

por Simone Tagliani | 24/02/2017
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Quando se fala em policarbonato já vem em mente a ideia de inovação e versatilidade. De fato, desde a sua descoberta, em 1898, e sua comercialização, em 1958, o mercado da construção civil aprimorou consideravelmente todos os seus sistemas. E, ao longo dos anos, viram-se as vantagens de usar o termoplástico para o fechamento customizável de coberturas e fachadas. Bonito, resistente, maleável e econômico, não demorou muito para ser o material mais procurado e indicado por clientes e profissionais.

Museu de arte moderna Kunsthaus Graz, na Áustria. (imagem extraída de Wikimedia)


O policarbonato é uma das soluções mais eficientes para levar luz natural aos interiores das edificações. Usado na proteção de domus, claraboias e coberturas de diferentes formatos, o material é vendido como placas compactas, placas alveolares e telhas. Pode ser encontrado em tom bronze, fumê, branco translúcido ou incolor. Mas é a sua extraordinária resistência às rupturas, impactos e intempéries, como trocas extremas de temperaturas e outras condições climáticas, que realmente surpreende.

+ Aspectos térmicos do policarbonato

O policarbonato é muito eficiente no aspecto térmico. Primeiro, é importante destacar que esse material tem uma condutibilidade menor que a do vidro. Portanto, ele é capaz de resistir a diferentes temperaturas, desde menos quinze até aproximadamente cento e cinquenta graus célsius positivos. Uma coisa interessante é que as placas, de qualquer modo, irão expandir a essa variação – sendo o coeficiente de dilatação linear igual a 0,065mm/m.

(imagem extraída de BOLD Indústria Brasileira)

A dilatação térmica é uma questão bem comum e requer muita atenção na hora da instalação de coberturas transparentes. Só um trabalho eficiente poderá garantir bons resultados, principalmente em países de clima quente, como o Brasil. Para evitar qualquer efeito estufa, a cobertura precisa permitir a entrada de luz solar no ambiente, mas sempre controlando a passagem dos raios ultravioletas.

+ Defeitos superficiais e danos permanentes

As peças em policarbonato dilatam e se contraem rapidamente e o desempenho a essa flexão é sempre muito ruim, especialmente em coberturas. Quando o serviço de instalação não é bem feito ou as informações não são devidamente repassadas ao consumidor, muita gente pode ficar decepcionada com o resultado final. Infelizmente, não é incomum ver peças plásticas rachadas ou quebradas e isso se deve, principalmente, a dilatação do material.

(imagem extraída de BOLD Indústria Brasileira)

Uma forma de evitar possíveis problemas ligados à questão da dilatação térmica do policarbonato é optar por peças incolores, já que elas esquentam menos que as coloridas. Mas, de qualquer forma, elas precisarão se mover livremente, dentro dessa variação de temperatura. Prever juntas de dilatação não só ajudará a evitará possíveis danos, como também qualquer vazamento de água resultante dessa deformação – adicionando também a proteção de neoprene para a vedação dos espaços.

A fixação do policarbonato sobre a estrutura de apoio precisa ser bem estudada. Excesso de furos e de arruelas metálicas, prendendo as peças, pode gerar trincas e outros problemas mais graves. Orifícios perfurados diminuem a resistência da peça. Quanto maior eles forem e maior for a espessura da chapa, menor será a contração do conjunto. Se a peça for muito comprida, então os furos devem ser o mais largo possível. E mais, a distância entre os furos e o limite externo da chapa deve ser de pelo menos 6mm.

(imagens extraída de Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico)

Algumas patologias em chapas de policarbonato e suas possíveis causas:

– Bolhas = umidade ou aquecimento excessivo;

– Ondulações = distância incorreta entre placas, ausência de juntas de dilatação, distância insuficiente entre peças, superfície demasiadamente pequena, aquecimento não uniforme na estrutura;

– Trincas e rachaduras = instalação realizada de forma incorreta, principalmente em relação aos orifícios de fixação;

– Chapas encardidas, opacas ou amareladas = limpeza e polimento das placas feito de forma errada, má qualidade ou desempenho do material; ou final da sua vida útil.

(imagem extraída de Poly Solution)


(imagem extraída de Poly Solution)

+ Limpeza e polimento das peças

Geralmente, as placas de policarbonato costumam vir com uma película antiabrasiva, que ajuda a preservar o material. Mas há outros cuidados também necessários para assegurar a resistência e a estética do material. Por exemplo, é indicada uma limpeza a cada seis meses. Essa tarefa deve ser feita, preferencialmente, pela manhã ou fim de tarde, quando os raios solares são menos intensos.

Para não haver o surgimento de manchas, essa manutenção tem de ser feita de forma adequada. Sempre com panos macios e umedecidos com água e sabão neutro. Jamais deve-se usar substâncias abrasivas, como água sanitária, sabão em pó ou pasta saponácea. No caso de riscos mais profundos, o indicado é o polimento industrial.

(imagem extraída de )

+ Manipulação e instalação

A manipulação e instalação de placas em policarbonato são, teoricamente, muito fáceis. A estrutura de apoio deve ser projetada de modo a evitar desprendimentos, principalmente com a ação do vento. Normalmente, utiliza-se o metal ou a madeira. Para saber qual a distância mínima entre apoios, faz-se o cálculo usando números múltiplos da largura ou do comprimento da chapa, sempre prevendo os espaços para a dilatação do material.

A estrutura precisa ser montada no sentido da queda d’água. Nenhuma chapa terá a espessura inferior a 3mm. Desse modo, o vão máximo em relação a espessura seguirá a seguinte proporção: 3mm = 600mm; 4mm = 800mm; 5mm = 950mm; 6 mm = 1100mm; 8mm = 1300mm; e 10mm = 1500mm. Se for necessária a divisão de uma chapa, podem ser utilizadas as serras manuais habituais.

(imagens extraídas de Wikimedia e Pixabay)

Depois de apoiadas sobre a estrutura, as peças em policarbonato podem ser cravadas, ligadas ou rebitadas. Perfuração de chapas finas pode ser feita com ferramentas simples. Mas as mais grossas devem ser furadas sobre superfície com água ou através de ar comprimido, isento de óleos. Se for optado pela colagem das chapas, a união deve resistir aos possíveis deslocamentos, como dilatação e retração. Após a superfície ser devidamente limpa, pode-se usar uma cola ditada de dissolventes ou fita adesiva especial, de dupla face e de base acrílica.

(imagem extraída de Pixabay)

Para melhor uma fixação, as guarnições devem receber uma camada de EPDM – borracha de etileno propileno dieno – ou de neoprene expandido, para que haja quaisquer movimentos sem danificar o conjunto. Um silicone neutro, que possui boas propriedades elásticas, servirá de vedação para as frestas. Finalizada a instalação é o momento de remover, dos dois lados, o filme em polietileno, que serve apenas para a proteção da chapa durante o transporte, manuseio e instalação.

Para mais informações técnicas, quanto à instalação e conservação de placas em policarbonato, indicamos a consulta à ABNT NBR ISO 7823-2:2012.

Fontes: Blog AECweb, BOLD Indústria Brasileira, Acrílicos Brasil, Téchne.

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