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Antibióticos em rios: desafio para o tratamento de água e esgoto

por Kamila Jessie | 03/07/2019

As mudanças nos hábitos das pessoas geram impactos diretos
no meio ambiente. Alguns efeitos são visíveis, como aqueles cenários
apocalípticos de poluição atmosférica ou rios cheios de lixo. Mas algumas
formas de contaminação não são tão nítidas. É o caso dos micropoluentes, como
hormônios e antibióticos, por exemplo.

antibióticos
Imagem: cvwdwater.com

Micropoluentes nos rios

Mas como essas drogas chegam aos rios? A resposta é a mesma:
por meio de resíduos humanos, ou seja, lixo contendo restos de remédios, por
exemplo, ou da nossa própria excreta (fezes e urina que contenham concentração
elevada de hormônios ou medicamento). No caso, isso é conduzido às estações de
tratamento de esgoto, não é removido em função da carência de legislação
rigorosa e padrão de qualidade de efluentes lançados e o produto do tratamento
é devolvido ao corpo d’água. Muitas vezes, esse corpo d’água é o manancial que
provê nossa captação.

antibióticos
Imagem: proxismed.com.br

Resumidamente, os micropoluentes são um desafio para a
engenharia, pois nossas estações de tratamento de água e esgoto não foram
concebidas para remover esse tipo de substância. Não é à toa que são chamados
de “contaminantes emergentes”, afinal tratam-se de algo que ganhou atenção
recentemente. Com isso, há esforços no sentido de identificar estes
micropoluentes, regulamentar devidamente a sua remoção, conceber plantas de
tratamento que os removam e adaptar as existentes.

antibióticos
Imagem: brkambiental.com.br

muitas pesquisas ocorrendo no sentido de investigar a presença de micropoluentes em águas brasileiras e também maneiras de remover estes contaminantes. No entanto, o quadro do saneamento do Brasil, como um todo, ainda requer investimentos em saneamento básico. Tecnologias de remoção de micropoluentes estão associadas a polimento de efluentes e a tratamentos avançados, demandando mais custos para a estação.

Antibióticos e seus efeitos na água

Especificamente, o problema dos antibióticos na água está
associado ao desenvolvimento de resistência por parte dos microrganismos. O
objetivo do antibiótico é matar as bactérias e conter infecções, mas o que pode
acontecer se essas mesmas bactérias estiverem expostas a eles o tempo todo? E
os humanos? É nesse sentido que as pesquisas são desenvolvidas.

Imagem: cdn.zmescience.com

Avaliando, pela primeira vez, um cenário global desse tipo
de contaminação, pesquisadores da Universidade de York, no Reino Unido,
analisaram amostras de rios de 72 países e descobriram que os antibióticos
estavam presentes em 65% deles.

Níveis mais alarmantes de contaminação com esses
micropoluentes foram encontrados com mais frequência nas análises de rios da
Ásia e África, segundo a equipe, com os locais em Bangladesh, Quênia, Gana,
Paquistão e Nigéria excedendo em muito os níveis aceitos. A questão da
regulamentação nesse sentido é muito variável, tanto em função do medicamento, quanto
do local. De toda forma, os pesquisadores investigaram as amostrar procurando
por 14 antibióticos comumente usados.

antibioticos
Imagem: theguardian.com

Conforme esperado, os cientistas confirmaram que locais de alto risco eram tipicamente próximos a estações de tratamento de esgoto, depósitos de lixo e em algumas áreas de conflito político (estas últimas são especialmente vulneráveis e já foram apontadas aqui pelo viés da engenharia humanitária).

Também considerando esta perspectiva, é interessante levar
em conta que a divulgação deste estudo abordou o problema dos micropoluentes
como algo global, embora os limites de segurança tenham sido mais
frequentemente ultrapassados nos países em desenvolvimento.

Fonte: CNN. The Guardian.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217