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5G para leigos: saiba TUDO sobre esta tecnologia que irá expandir a Internet das Coisas

por Daiane J. Silva | 11/08/2021

Tudo o que você precisa saber sobre o 5G e as transformações que ele vai fazer em sua vida numa linguagem simples e acessível.

A não ser que você esteja numa caverna nos últimos meses ou isolado em uma ilha, com certeza já ouviu falar sobre o 5G. O hype acerca desse assunto já faz parte das rodas de conversas de diversos setores e vem ganhando mais notoriedade a cada dia. Aliás, principalmente por estarmos em 2021, quando vai acontecer o leilão de frequências. E também por conta das recentes notícias sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

A chegada do 5G no mercado mundial

Para começar a entender o 5G, é preciso saber antes que, periodicamente, tecnologias assim são aprimoradas e sofrem atualizações para suprir as demandas de consumo. O 2G, por exemplo, que foi inicialmente pensado para o uso de voz, precedeu o 3G,  focado em dados. A quarta geração (4G) chegou com a demanda de streaming e sede de velocidade por parte dos usuários. Já o 5G promete revolucionar a forma como a sociedade se comporta, visto que tornará possível a Internet das Coisas – IoT -, smart cities e uma infinidade de dispositivos conectados ao mesmo tempo, através de conexões de alta velocidade e conexões massivas.

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Imagem extraída de UOL

A utilização do 5G, na prática

Mas, afinal, por que o 5G causa tanto burburinho a ponto de todas as mídias noticiarem cada passo rumo a sua implantação se se trata de uma evolução das outras gerações?

Podemos dizer que o 5G é uma ponte que nos liga a um futuro conectado!

Essa tecnologia irá permitir que milhares de dispositivos se conectem e conversem em tempo real; e que milhares de dados sejam trafegados através de trilhões de dispositivos conectados à rede. A Agricultura e a Medicina vão avançar a passos largos. A Publicidade e Marketing serão mais assertivos e poderão prever rapidamente as demandas e mudanças de comportamento dos usuários, através de dados coletados. Ou seja, a Internet das Coisas e a Indústria 4.0 se tornarão uma realidade em poucos anos!

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Imagem extraída de researchgate.net

As expectativas para o 5G

Inicialmente, espera-se que a rede 5G tenha velocidade mínima de 20 Gb/s de download e 10 Gb/s de upload.  Essa velocidade representa de 10 a 100 vezes mais se comparado com a taxa de dados que o 4G pode fornecer (1Gb/s), permitindo o download de vídeos e músicas em tempo recorde. Para se ter uma ideia do quão rápido é o download, o Wall Street Journal fez uma simulação na qual uma playlist baixada com o 5G durou incríveis 0,6 segundos contra 20 segundos no 4G,, um ganho inenarrável para o usuário com internet móvel de ultra velocidade.

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Velocidade x Latência

Este é um dos três pilares da quinta geração que chamamos de ‘Banda Larga móvel melhorada‘ – do inglês, eMBB Enhanced Mobile Broadband.

Claro que é preciso entender que estes valores são em simulações e previstos nas estações de rádio base (antenas de transmissão, aquelas retangulares que você vê nos prédios ou torres). Mas isso não acarreta que o usuário irá receber essas taxas em seus smartphones e que tais valores estarão sempre disponíveis.

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Imagem extraída de Super Interessante

Além de ultra velocidade, a quinta geração também promete baixa latência URLLC – Ultra-Reliable Low Latency Communication ou Comunicação de baixa latência ultra confiável -, que é o tempo que os dados levam para chegar da origem ao destinatário, e a confiabilidade de que estes dados chegarão íntegros.

Falam-se em valores em torno de 1 milissegundo. Uma baixa latência assim permitirá a implementação, por exemplo, dos tão falados carros autônomos ou dos carros com direção assistida. Também possibilitará avanços na Medicina, em que médicos não precisarão, necessariamente, estar na sala de cirurgia para operar um paciente.  Além de cenários nobres como a maior segurança no trânsito – vem neste combo as realidades virtuais e jogos em rede com maior desempenho.

Conectividade

Finalizando o tripé do 5G temos, também, a possibilidade de milhares de máquinas conectadas na rede, cujo termo é mMTC – Massive Machine Type Communication ou Comunicação do tipo de máquina massiva. Nesse caso, a tecnologia irá permitir que, em um quilômetro quadrado, seja possível até 1 milhão de conexões – uma mão na roda quando pensamos em Internet das Coisas.

Baixo consumo de energia

Outro ponto muito comentado é o baixo consumo de energia esperado para esta tecnologia. O 5G promete economia de bateria dos smartphones – um tema sempre recorrente nas rodas de conversas sobre telefonia.

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Comparando, o 4G é, hoje, o grande vilão de quem precisa se manter conectado o dia inteiro. Tal tecnologia, que é antiga e foi pensada há mais de uma década, não prioriza poupar baterias e não prevê que isso se torne algo tão importante. Já o 5G veio para mudar isto! É previsto que ele terá uma latência menor e conseguirá se conectar à torres que estejam lotadas, aumentando a vida útil dos dispositivos conectados!

O baixo consumo é de extrema importância quando se fala em um mundo conectado. Imagine trilhões de dispositivos ao redor do mundo precisando trocar a bateria regularmente – carros autônomos e equipamentos médicos, cuja bateria não dura nem 3 anos. Isto seria impraticável do ponto de vista ecológico e tecnológico. Portanto, estima-se que os smartphones não precisarão mais carregar todo dia e que as suas baterias irão durar em torno de 10 anos!

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Imagem extraída de Thales Group

A implantação do 5G

A implantação do 5G só será mesmo possível devido a outro recurso já implementado na tecnologia, que é o Massive MIMO – Multiple-Input and Multiple-Output, Entrada e saída múltiplas. Com isso, as antenas são otimizadas para aumentar a taxa do link e ter maior eficiência do espectro, com feixes mais direcionais, utilizando melhor a potência e poupando melhor a bateria dos dispositivos.

Disponibilidade para o público

Outra coisa que é preciso saber sobre a quinta geração é que ela não estará disponível de primeira para todos – o 4G mesmo ainda nem cobre todos os cantos do mundo. Após a sua implementação, estará disponível apenas para um número limitado de usuários e com uma cobertura bem restrita.

A tendência é que a rede se expanda em poucos anos – e com a evolução dos dispositivos e da indústria. O 5G ainda não passou pelos trâmites de regulamentação aqui no Brasil e precisa lidar com problemas de disponibilidade de espectroondas eletromagnéticas por meio da qual os dispositivos se conectam e trafegam dados – para aí, então, começar a operar de forma comercial e atendendo o usuário final.

Adequação do sistema

Para que o volume de informações seja trafegado, é preciso um espectro que permita a transmissão desses dados. Para isso, foi selecionada a faixa de sub 6Ghz (3.5Ghz a 6.425 GHz) que apresenta a maior estabilidade mesmo em condições adversas. Por exemplo, frequências menores têm alcance maior e atravessam melhor obstáculos, além de sofrerem menos interferência com chuva.

O grande problema para a implementação dessas frequências de 5G no Brasil, é que a faixa do espectro selecionada para ele está muito próxima da faixa que hoje utilizamos nas antenas parabólicas para recepção do sinal aberto de TV. Portanto, para sua implementação será preciso descontinuar a utilização do sinal das parabólicas.

A ANATEL é a agência reguladora responsável por fiscalizar as especificações da rede 5G no país e também será o órgão responsável pela realização do leilão de frequências que permitirá a implementação no Brasil. Entretanto, os critérios técnicos são definidos pelo 3GPP, órgão internacional responsável pelas releases do 5G.

Veja Também: Sua Internet irá mudar [será?]! Entenda a importância do cabo submarino que ligará Brasil e Portugal


Fontes: O Estadão, Tudo Celular.

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Daiane J. Silva

Engenheira eletrônica e de telecomunicação forma pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Feminista, Geek. Fala sobre tecnologia, acessibilidade, empoderamento, educação, negócios e diversidade.