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Spotters: boias similares a drones de alto-mar podem preencher as lacunas de dados oceânicos

por Kamila Jessie | 13/12/2019

Oceanos sempre foram cheios de mistérios e pauta para histórias de criaturas míticas. Atualmente, ainda carecemos de muita informação sobre as profundezas oceânicas, mesmo sendo algo grande demais para ignorar, principalmente no quesito das mudanças climáticas. Nesse cenário, a startup Sofar criou os Spotters, boias que mais parecem drones de alto-mar, como um equipamento para monitoramento de dados ambientais nos oceanos. Vem com a gente conhecer.

Imagem: Sofar Ocean’s demo patch of ocean.

Uma estratégia para obter medidas ambientais dessas regiões
remotas no fundo do oceano foi construir estações com sensores flutuantes. O
problema é que os custos de 50 mil dólares americanos (ou mais) por boia e quase
o mesmo em manutenção anual tornam isso proibitivo para todos, exceto algumas
agências governamentais e grandes corporações. Obviamente, os satélites espiam
do espaço, mas são limitados em precisão para mapeamento oceânico.

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Sofar e a proposta de equipamentos de baixo custo

Nesse cenário, a startup Sofar Ocean Technologies abriu o acesso a uma nova matriz global de boias oceânicas que prometem medições detalhadas do vento, do tempo e das correntes no Pacífico e, eventualmente, em todos os oceanos do mundo. A Sofar adotou a estratégia CubeSat: emprestar hardware de ponta, dar um jeito de protegê-lo contra intempéries e depois lançar os equipamentos em ambiente inóspito. O CubeSats, satélites em miniatura montados a partir de componentes relativamente baratos, geralmente emprestados de smartphones, já conquistou a órbita próxima à Terra. Mas os oceanos ainda estão quase vazios. Embora o vácuo além de nossa atmosfera pareça duro, é quase calmo em comparação com tempestades oceânicas, colisões de navios e água salgada corrosiva, capaz de afundar todas as embarcações menos resistentes.

spotter
Imagem: Sofar Ocean Technologies.

Spotted: Spotters mapeando o oceano inteiro

Para resolver isso, a Sofar, fundada em 2016 por Tim Janssen, engenheiro e oceanógrafo, projetou e lançou mais de 200 boias chamadas Spotters (agora à venda por aproximadamente 5 mil dólares americanos, uma ordem de grandeza abaixo das estações convencionais). Os Spotters são pequenas pirâmides amarelas brilhantes rodeadas de painéis solares que podem atravessar os oceanos do mundo. Os dados de vento, ondas e temperatura são transmitidos continuamente através de uma conexão via satélite a um custo pelo menos 10 vezes menor do que os instrumentos tradicionais.

O que é um pontinho amarelo no meio do oceano?

Para obter dados em tempo real, o Sofar inverteu o modelo de
monitoramento existente. Em vez de implantar relativamente poucas boias carregadas
de sensores muito caros, a Sofar embarcou centenas de boias leves e baratas que
podiam percorrer os oceanos por uma fração do custo de suas antecessoras
flutuantes. Depois dos Spotters, a Sofar planeja construir uma enorme frota de
embarcações de superfície autônomas movidas a energia solar, chamadas Striders que
podem ser descartadas por navio aeronaves em qualquer lugar no oceano aberto. Eles
transmitem dados em tempo real e vídeos.

Com observações meteorológicas comparáveis ​​àquelas feitas
para continente, uma série de novas aplicações é aberta e a Sofar busca vender
a tecnologia produzida. Vale ressaltar que os satélites podem ser calibrados
usando dados globais da superfície para melhorar as previsões. O desafio será
acessar e integrar dados de plataformas de sensores autônomos de baixo custo
nos modelos climáticos e oceânicos do mundo. Calibrar e refinar essa nova fonte
de dados trará grandes benefícios, mas muito trabalho ainda está por vir.

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spotter
Imagem: Sofar Ocean Technologies.

Eventualmente, a Sofar espera que o custo da implantação de
sua rede de sensores seja tão baixo que seja possível cobrir o oceano do mundo,
mesmo em áreas próximas a países em desenvolvimento e comunidades insulares
onde nada desse tipo existe atualmente. “Trabalhamos para evitar o
problema de hardware e torná-lo um problema de dados”, disse o engenheiro
e oceanógrafo Janssen. “Pela primeira vez, podemos fechar a lacuna de
dados nos oceanos.” A gente mergulhou na ideia.

Fonte: Quartz.

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Kamila Jessie

Doutoranda e mestre em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo, é formada em Engenharia Ambiental e Sanitária.