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Sensor de suor sendo desenvolvido como alternativa potencial a exames de sangue

por Kamila Jessie | 30/09/2019

Uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia, Berkeley, está desenvolvendo sensores de pele que podem detectar o que está em seu suor. Vem com a gente conhecer a ciência por trás desse wearable e as suas possíveis aplicações (voltadas para a redução de procedimentos invasivos, que geralmente envolvem as afamadas agulhas).

Fabricação e detalhes do sensor:

Da perspectiva da engenharia, a primeira coisa a comentar é
que a equipe descreveu um novo design de sensor que pode ser fabricado
rapidamente usando uma técnica de processamento “rolo a rolo”.
Basicamente, o processo imprime os sensores em uma folha de plástico como se
fossem palavras em um jornal. O produto assume a forma de um adesivo
descartável.

suor wearable
Imagem: Science Advances

Os novos sensores contêm um tubo microscópico em espiral que
absorve o suor da pele. Ao rastrear a rapidez com que o suor se move através dessa
estrutura, os sensores podem relatar o quanto uma pessoa está suando (em
volume) ou sua taxa de suor. Esses microtubos também são equipados com sensores
químicos que podem detectar concentrações de eletrólitos como potássio e sódio
e metabólitos, como glicose. O objetivo disso é detectar substâncias que podem “decodificar”
o suor.

Testes com o sensor de suor:

O time de engenheiros aplicou os sensores para monitorar a
taxa de suor e os eletrólitos e metabólitos no suor de voluntários que se
exercitavam e outros que estavam experimentando transpiração induzida
quimicamente.

Para entender melhor o que o suor pode dizer sobre a saúde
em tempo real do corpo humano, os pesquisadores primeiro colocaram os sensores
de suor em diferentes locais do corpo dos voluntários – incluindo testa,
antebraço, axilas e parte superior das costas – e mediram suas taxas de suor e
os níveis de sódio e potássio no suor enquanto andavam de bicicleta
ergométrica.

suor
Imagem: Science Advances

Eles descobriram que a taxa de suor local pode indicar a
perda total de líquidos do corpo durante o exercício, o que significa que o
rastreamento da taxa de suor pode ser uma maneira de alertar os atletas quando
eles estão se esforçando demais. Na forma de um sensor wearable, mudanças dinâmicas podem ser percebidas, o que é um
grande avanço!

Os pesquisadores também usaram os sensores para comparar os
níveis de glicose no suor e os níveis de glicose no sangue em pacientes
saudáveis ​​e diabéticos. Com isso, descobriram que uma única medida de glicose
no suor não pode necessariamente indicar o nível de glicose no sangue de uma
pessoa… O que indica que a ciência ainda precisa suar a camisa (trocadilho
intencional) para encontrar mais correlações que poupem pacientes de exames
invasivos.

O vídeo abaixo, divulgado pelo grupo de pesquisa, mostra um resumo do projeto. E daí fica mais um exemplo de tecnologia nascendo por engenheiros dedicados à ciência e abrigados por universidades para o desenvolvimento de pesquisa. O artigo derivado do trabalho está disponível na Science Advances.

Fonte: Techxplore.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217