Engenharia 360

ESCOLHA A ENGENHARIA
DO SEU INTERESSE

Digite sua Busca

Saiba como a Engenharia de Produção contribuiu com a fabricação de testes e vacinas durante a pandemia

por Samira Gomes | 31/08/2021

Entenda como a engenharia de produção ajudou no processo de produção de testes da COVID-19 e do imunizante na Fiocruz.

Em meio a Pandemia, a sociedade brasileira tem demandado melhorias na prestação de serviços na área da saúde, sobretudo na produção de vacinas. Nesse panorama, a atuação do engenheiro de produção tem sido essencial, tendo em vista a gama de conhecimentos sobre melhoria contínua, gestão de recursos e estoque, planejamento, padronização dos processos produtivos de insumos, qualidade e logística de abastecimento. Aliás, esses fundamentos vêm sendo utilizados em centros de fabricação de imunizantes, como em Bio-Manguinhos, produtor de imunobiológicos da Fiocruz.

engenharia de produção
Linha de produção de vacinas – Imagem reproduzida de China Daily -Reuters

Planejamento institucional

O Programa de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PEP/UFRJ) convidou a vice diretora de Gestão e Mercado de Bio-Manguinhos, Priscila Ferraz – mestre e doutora em Engenharia de Produção –, para uma palestra sobre a “Engenharia de produção e o enfrentamento da Covid-19: produção de vacinas em Bio-Manguinhos/Fiocruz”. No webinar, foi abordado como a unidade de Bio-Manguinhos se preparou, interna e externamente, para encontrar soluções e prestar apoio ao Ministério da Saúde frente à pandemia da Covid-19.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Com a chegada do novo coronavírus ao Brasil, alguns desafios relacionados à gestão foram impostos ao Instituto. Primeiramente, foi necessário reforçar o trabalho de prospecção tecnológica. Antes de tudo, objetivando a procura por respostas sobre o enfrentamento da então nova doença, na área de diagnóstico (testes moleculares e rápidos) e tratamento (criação de vacinas ou medicamentos).

engenharia de produção
Imagem reproduzida de Bernardo Portella – Bio-Manguinhos

Veja Também: Qual é o papel do engenheiro de produção no setor energético sustentável?

Frentes de trabalho

Dessa forma, surgiram outras frentes de trabalho. Foram cerca de 70 iniciativas de combate à Pandemia (como a elaboração de uma construção fabril para a produção de máscaras, visto ser necessário manter os funcionários de atividades essenciais da unidade operando presencialmente). Isso exigiu da instituição uma retificação do planejamento e controle das operações, das preferências (projetos e intentos); novos princípios de trabalho; bem como novas estruturas de governança e gestão (como comitês para estudo de questões sustentáveis ligadas ao vírus), considerando o aumento da demanda e a redução de recursos.

Além disso, também foi primordial arquitetar uma estrutura de engenharia industrial, com a finalidade de realizar análises de capacidade das linhas de produção, tal qual uma área de planejamento e controle das análises dos processos de controle de qualidade. Medidas tradicionais da engenharia de produção que precisaram ser acionadas ligeiramente.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

engenharia de produção
Produção de vacinas em Bio-Manguinhos – Imagem reproduzida de Peter Ilicciev – Fiocruz

Diagnóstico

O primeiro obstáculo da Pandemia foi a disponibilidade dos testes, que hoje são conhecidos como PCR, moleculares e padrão. À vista disso, o instituto de Bio-Manguinhos ficou responsável por desenvolver um kit molecular que fosse apto a detectar o vírus em um indivíduo. Para isso, foi preciso escalonar a produção, rever o sistema produtivo e automatizar a operação de envase, a fim de elevar a produtividade e capacidade de entrega para o Ministério da Saúde. Além disso, com o trabalho minucioso da área de logística, foi possível produzir um plano de gestão de riscos dos insumos escassos ao nível mundial. Dessa maneira, o kit foi desenvolvido em menos de 40 dias após o sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2.

Logo, o próximo passo era organizar a distribuição desses kits para o Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, utilizou-se mais uma ferramenta da Engenharia de Produção: a cadeia produtiva. Inicialmente, um dos principais problemas dessa cadeia era a capacidade laboratorial. Com isso, foi utilizada a estratégia de concentração – também bastante conhecida pelo setor. A mesma consistia em estabelecer centrais de grande processamento, capazes de gerar o máximo de output (ou seja, o maior número de amostras processadas para os resultados gerais da população). E em um tempo recorde de 45 dias, foram implantadas 25 plataformas de testagem no Rio de Janeiro, em Curitiba e São Paulo.

engenharia de produção
Cadeia de testes moleculares desenvolvida para organizar os processos envolvidos na testagem – Imagem retirada do webinar da UFRJ

A logística também está incluída nessas etapas. Era necessário coletar as amostras e transportá-las em 24 horas até as centrais de processamento, com o propósito de que o indivíduo obtivesse o resultado rapidamente.

Prevenção

No que concerne a produção da vacina, a preocupação inicial era produzir uma alternativa que permitisse uma distribuição de curto prazo para a população. Diante disso, a opção viável era realizar a transferência de tecnologia de vacinas em etapas mais avançadas, sem abster das iniciativas de desenvolvimento tecnológico nacional.

engenharia de produção
Imagem – Arquivo JCS

Para a realização da transferência de tecnologia da vacina produzida pela Universidade de Oxford, foi necessário realizar o planejamento fino da produção (PFP), isto é, utilizar ferramentas que auxiliam a função de Planejamento e Controle de Produção (PCP) a atingir a flexibilidade da organização. Dessa forma, foram desenvolvidos estudos de capacidade, análise de turnos e feita a adaptação das áreas de produção baseada na demanda.

Além disso, foi montada a estrutura do projeto de transferência de tecnologia da vacina. O intuito era organizar as etapas incluídas no processo de transferência de tecnologia e impedir gargalos na produção. E também foram construídas estruturas laboratoriais de controle de qualidade, para impedir que o controle de qualidade não se tornasse um limitador da capacidade de produção e distribuição das vacinas.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Qual área da Engenharia de Produção lhe desperta mais interesse? Compartilha a sua opinião nos comentários!

Comentários

Engenharia 360

Samira Gomes

Engenheira de Produção em formação no Vale do São Francisco. Nordestina fascinada pela escrita e por tecnologia. Tem como objetivo levar conhecimento sobre engenharia, por meio da leitura, pois acredita no potencial das palavras para o enriquecimento intelectual.