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Saiba a classificação dos açudes de irrigação de acordo com sua capacidade de acumular água

por José Joebson Lima | 22/03/2018
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Açude é um termo que deriva da palavra árabe “as-sudá“, utilizada para definir construções de barramentos transversais em terra, concreto, madeira e pedra, que visam conter o fluxo de escoamento de água, a fim de gerar um lago artificial denominado de reservatório ou represa, conforme a figura abaixo.

 

Vista frontal de um projeto de barragem (Imagem: Reprodução).

História da açudagem

A história da açudagem no Brasil está diretamente ligada ao plano econômico de tornar o Nordeste uma economia mais forte. Seria impossível fazer isso sem a obtenção de fontes regularizáveis de água em quantidade e qualidade adequadas.

Para tanto, o Governo instituiu políticas e delegou esse papel a instituições. O século XX, mais especificamente, foi o momento de auge do programa de construção de barragens no país, e nisto foram criados projetos como o “Sertanejo”, um momento de grande avanço das atividades de irrigação, psicultura, abastecimento d’água e até mesmo de geração de energia hidrelétrica, à exemplo das barragens de Curema/Mãe D’água (PCH-CHESF), já desativada.

Os primeiros açudes do Nordeste foram construídos desde a implantação dos engenhos na zona da Mata e eram utilizados para desviar a água dos riachos que forneciam energia hidráulica aos moinhos. No decorrer da colonização do sertão, posteriormente, o pequeno açude apareceu como uma das soluções ao problema do abastecimento e difundiu-se paulatinamente.

Em 1909, nasceu a Inspetoria de Obras contra as Secas (IOCS), posteriormente DNOCS, que quando completou 80 anos (hoje já são 107) estava com um saldo de cerca de 300 barragens construídas de usos múltiplos.


Veja também: Como são feitos os projetos de barragens


Caracterização técnica dos açudes

Segundo a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), uma das formas de caracterizar açudes é quanto a sua capacidade de acumulação de água. São elas:

  1. BARREIROS: quando o barramento, seja de terra, madeira, pedra ou concreto, gera um lago artificial com capacidade de projeto igual ou inferior a 10.000³ de água, ele é considerando um barreiro, que não suporta uma seca nem se regulariza. Serve apenas para dessedentação animal, em geral.
  2. AÇUDES PEQUENOS E MÉDIOS: se enquadra nesse grupo açudes com capacidade de acumulação superior a 10.000³ de água e igual ou inferior a 200.000³. Estes regularizam-se e suportam uma seca, necessitando que esta não se prolongue, pois pode acarretar em seu secamento. São estes, geralmente, os usados para irrigar terras de beneficiamento agrícola, que necessitam de uma quantidade determinada (em larga escala) de água, a depender da cultura de plantio em questão.
  3. AÇUDES PÚBLICOS: são mananciais de uso múltiplo previsto e normatizado pela Política Nacional de Recursos Hídricos – PNRH/Lei 9.433/97, os quais abrangem um leque de utilização extremamente maior que os barreiros e também os açudes pequenos e médios usados na irrigação rural.

 

Em resumo, é de suma importância quando se pretende construir um açude que se saiba a classificação na qual ele se enquadra. Isto serve, entre outros motivos, para evitar gastos desnecessários que podem inviabilizar o projeto, se oneroso em excesso.

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