Engenharia 360

Segurança Hídrica, uma questão de soberania

Engenharia 360
por José Joebson Lima
| 17/08/2018 | Atualizado em 07/12/2023 4 min

Segurança Hídrica, uma questão de soberania

por José Joebson Lima | 17/08/2018 | Atualizado em 07/12/2023
Engenharia 360

O conceito de soberania está aliado a expressividade de ter poder e exalar este por meio de um canal que seja transversal e torne esse significado de bem comum, parte maior de um avanço social, econômico e inter-setorial. Entenda um pouco mais sobre segurança hídrica nesse artigo.

Segurança Hídrica

Portanto, nesta perspectiva, a Soberania dos Recursos Hídricos  é o maior bem natural que uma civilização pode ter, sobretudo, como no caso do Brasil que a tem em quantidade e qualidade para múltiplas finalidades, conforme a Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei 12.433/97. Porém, é notório nos últimos anos que, mesmo fora do Nordeste (parte do Brasil que sofre o fenômeno das estiagens naturais), aconteceram fortes crises hídricas que ameaçaram colocar em cheque o suprimento de água, principalmente para abastecimento humano e geração de energia hidrelétrica. Esses fatos ocorreram/ocorrem em todo o país e a principal ideia é conter de forma sustentável esses inconvenientes para que possamos continuar produzindo com qualidade, diante de nossas riquezas naturais, defendendo nossa soberania e acentuando nosso desenvolvimento.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

segurança hídrica
Figura 01 - Usina Hidrelétrica de Itaipu/Binacional

O Sistema Cantareira

O Sistema Cantareira é o maior dos sistemas administrados pela Sabesp, destinado a captação e tratamento de água para a Grande São Paulo e um dos maiores do mundo, sendo utilizado para abastecer 8,8 milhões de clientes da Sabesp. O sistema é composto por seis barragens interligadas por um complexo sistema de túneis, canais, além de uma estação de bombeamento de alta tecnologia para ultrapassar a barreira física da Serra da Cantareira (SABESP, 2017).

O SISTEMA é integrado pelas Represas:

E garante condições de soberania nos aspectos de qualidade de vida e saúde para o maior Complexo de cidades do país.

A Seca do Nordeste

As secas de 1825-1827-1830 marcam a arrancada do açudamento do Nordeste semiárido. Em 1832, o Conselho da Província do Ceará passou a atribuir prêmios a quem construísse um açude de certas dimensões. A partir de 1844, o Governo Imperial decidiu intervir diretamente, empregando recursos na construção de estradas e açudes (SUDENE, 1992).

A grande seca de 1877 levou o governo a cogitar projetos de grandes barragens; somente em 1906, porém, ficaria concluÍdo o primeiro dentre eles, o açude Cedro em Quixadá (CE) (figura 02). O Sertão já contava, nessa época, com cerca de 6.000 açudes de todos os tamanhos (SUDENE, 1992).

Segurança Hídrica
Açude Cedro DNOCS/CE

Em 1909 cria-se a Inspetoria de Obras Contra as Secas – IOCS, que depois se chamaria Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – IFOCS até que em 1945 receberia o nome DNOCS – DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA AS SECAS. A partir de então ficou efetivamente consolidada a ideia de que o Nordeste precisava se desenvolver economicamente de forma mais vertiginosa, e isto só seria definitivamente possível por meio do armazenamento de água para uso na agricultura, abastecimento urbano, geração de energia elétrica, psicultura, dentre outras.

As Obras da Transposição

O Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é a maior obra de infraestrutura hídrica do País, dentro da Política Nacional de Recursos Hídricos. Com 477 quilômetros de extensão em dois eixos (Leste e Norte), o empreendimento vai garantir a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, onde a estiagem é frequente (Ministério da Integração Nacional-MI).

O empreendimento que visa garantir segurança hídrica, engloba a construção de 13 aquedutos, nove estações de bombeamento, 27 reservatórios, nove subestações de 230 quilowats, 270 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão e quatro túneis. Com 15 quilômetros de extensão, o túnel Cuncas I é o maior da América Latina para transporte de água (Ministério da Integração Nacional-MI).

Segurança Hídrica
Figura 03 - EBV1 - Floresta/PE (MI, 2016)

Todos esses esforços e desenvolvimento do pensamento e da tecnologia brasileira ligado à água é pelo fato de entendermos que, dentre muitos outros setores, o Cantareira, o PISF e a açudagem nordestino, assim como a gestão estratégica dos recursos hídricos destas Regiões são altamente necessários para que o desenvolvimento econômico e social acontece.

E você, o que pensa sobre a segurança hídrica no Brasil?

"Não há dignidade sem água. E sem condições dignas de viver, é impossível alcançar ou até mesmo citar a palavra Soberania. Um dos pontos chaves da soberania brasileira começa pela água." (Joebson Lima, 2018, Acadêmico de Eng. Civil).


Imagens: Todos os Créditos reservados aos respectivos proprietários (sem direitos autorais pretendidos). Caso eventualmente você se considere titular de direitos sobre algumas das imagens em questão, por favor entre em contato com contato@engenharia360.com para que possa ser atribuído o respectivo crédito ou providenciada a sua remoção, conforme o caso.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Comentários

Engenharia 360

José Joebson Lima

Autor colaborador de Engenharia 360.

LEIA O PRÓXIMO ARTIGO

Continue lendo