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Megacidade de R$ 9 trilhões na Paraíba: o que se sabe sobre o projeto de engenharia

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por Redação 360
| 03/01/2024 4 min
Imagem de Henning Larsen via Movimento Econômico

Megacidade de R$ 9 trilhões na Paraíba: o que se sabe sobre o projeto de engenharia

por Redação 360 | 03/01/2024
Imagem de Henning Larsen via Movimento Econômico
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Chamamos de megacidade aquelas cidades com grande aglomeração urbana, algo em torno de 10 milhões de habitantes. Esses importantes centros abrigam uma considerável diversidade de pessoas, comércios, indústrias, instituições de ensino, bem como áreas verdes e espaços culturais. Infelizmente, também enfrentam desafios, como pobreza, desigualdade, poluição e congestionamentos. No Brasil são dois exemplos as cidades de São Paulo, com 20,2 milhões de habitantes, e Rio de Janeiro, com 11,9 milhões de habitantes.

Fora do nosso país, o crescimento das cidades para megacidades é um fenômeno - mais acentuado em países em desenvolvimento. Por exemplo, em 2023 já tínhamos 33 megacidades no mundo. E prevendo as próximas migrações dentro do nosso território, uma empresa chinesa planeja a construção de uma megacidade na Paraíba. Continue lendo este texto do Engenharia 360 para saber mais!

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O Maior projeto de construção da historia brasileira #geopolitica #atualidades

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O anúncio da empresa chinesa sobre a construção de cidade futurista na Paraíba

A empresa chinesa Brasil CRT, dos sócios Ruotian Chen e Jianing Chen, pouco conhecida no mercado e com sede em Belo Horizonte, Minas Gerais, anunciou em dezembro de 2023 que está projetando uma megacidade para a Paraíba. Ela seria erguida em terreno de Mataraca, custaria 9 trilhões de reais e teria capacidade para 3 milhões de habitantes.

projeto de engenharia de megacidade na paraíba
Imagem de Henning Larsen via Movimento Econômico
projeto de engenharia de megacidade na paraíba
Imagem reproduzida de Facebook Brasil CRT via UOL

No mesmo mês, representantes da Brasil CRT estiveram no estado participando de eventos, muitos deles para promover o projeto. Inclusive, na ocasião, eles assinaram um protocolo de intenções com o prefeito da cidade, Egberto Madruga. Muitos ficaram entusiasmados com a notícia, projetando um desenvolvimento para a Paraíba. Porém, outros questionam a viabilidade e impacto do empreendimento, alertando sobre a falta de transparência da empresa, que não tem site oficial e ainda não ofereceu ao público informações suficientes sobre o projeto da megacidade.

Veja Também: Quais são as cidades mais populosas do mundo?

Investigação do MPPB suspende projeto da megacidade

Antes das obras começarem, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) iniciou uma investigação para apurar as informações sobre o projeto de engenharia para a cidade futurista. Não está claro a origem dos recursos para o empreendimento nem mesmo a capacidade da Brasil CRT para executá-lo. Por isso mesmo, de acordo com Jianing Chen, um dos sócios da empresa chinesa, em entrevista à Folha de São Paulo, o projeto foi suspenso e é realizada busca de investidores internacionais para retomá-lo.

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A saber, se for aprovada, a megacidade de Mataraca provocaria um grande impacto para a Paraíba e para o Brasil. No entanto, também seria um empreendimento de alto risco, que pode mexer com questões políticas, econômicas, ambientais e sociais.

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A #Paraíba pretende criar um Complexo Industrial, Tecnológico e Portuário, conhecido como Porto de Águas Profundas, e a cidade nova de Mataraca. O projeto é tão moderno que levou o apelido de “cidade do futuro”. No entanto, a empresa que demonstrou intenção de construção, a Brazil CRT, de origem chinesa, apresentou um projeto semelhante ao de Shenzhen, metrópole daquele país. A empresa Brazil CRT assinou um termo de intenções para as construções, na segunda-feira (11/12). Uma audiência entre o prefeito de Mataraca, Egberto Madruga, os proprietários das terras cedidas e o governador da Paraíba, João Azevedo, está marcada para esta terça-feira (12/12). De acordo com veículos de imprensa locais, a previsão é da geração de 100 mil empregos diretos e indiretos. #TikTokNotícias

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Em princípio, ficou acordado que a empresa Brasil CRT ficaria responsável pela construção da megacidade projetada para a Paraíba. Enquanto isso, a prefeitura do município de Mataraca - hoje com apenas 8.345 habitantes - forneceria os terrenos e a infraestrutura básica. A expectativa é de que tudo seja concluído em cinco anos. Mas, pensando no Brasil, será que isso é um sonho ou pode acontecer de verdade?

projeto de engenharia de megacidade na paraíba
Imagem de Henning Larsen via Movimento Econômico

Análise técnica sobre o futuro do empreendimento

Projetos de engenharia de grande porte como esse, de megacidade na Paraíba, costumam apresentar grandes desafios técnicos e financeiros. Um planejamento urbano nessas dimensões exigiria uma infraestrutura bastante complexa, contando com vasta rede de energia, saneamento, gás e telecomunicações, além de vias, rodoviárias, aeroportos, etc. Deve-se considerar tudo que é necessário, em termos de habitação, gestão de resíduos, emprego, educação, saúde e lazer, para atender uma quantidade tão grande de pessoas.

Construir uma megacidade envolve operações de engenharia em larga escala e não pode ignorar aspectos complexos como gestão de recursos naturais e sustentabilidade - e nem se sabe se os chineses estão levando isso em conta. Isso requer a adoção de tecnologias e práticas sustentáveis, como a energia solar e eólica, o transporte público e a reciclagem.

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Enfim, o planejamento deve ser bem cuidadoso. Inclusive, o governo da Paraíba precisa refletir se está preparado para receber pessoas de diferentes origens, culturas e até religiões atraídas para habitarem a região, evitando os conflitos e desigualdades.

A Brasil CRT fala em um custo base de R$ 9 trilhões. Para se ter uma ideia da proporção de tal projeto de engenharia, esse é o valor aproximado do PIB anual de países como o Brasil. Então, se as pessoas questionam sobre a origem desse montante, se questionam a falta de transparência sobre a atração desses investimentos, elas estão certas. Enfim, o futuro do projeto dependerá da capacidade da empresa chinesa em superar os desafios técnicos e financeiros envolvidos.

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Fontes: UOL, Gazeta Brasil.

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