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O futuro do plástico na indústria automobilística

por Matheus Vieira | 27/02/2020
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A substituição de metais por plásticos em componentes de veículos no crescente mercado automobilístico vem aumentando década após década, principalmente devido à pauta de proteção do meio ambiente e as leis rígidas em prol disso.

Estudos preveem que o mercado de plásticos de automóveis deve alcançar US$41,5 bilhões em 2020. Esse ‘’boom’’ se deve pelo aumento da demanda por automóveis, a necessidade de carros mais leves e econômicos e que estejam de acordo com as regulamentações mais rígidas existentes hoje com relação à emissão de gases poluentes e pelo próprio avanço na ciência dos materiais.

Vantagens e desvantagens do plástico na indústria automobilística

A principal vantagem do uso de plástico na indústria automotiva está na redução do peso do veículo, o que gera uma economia de combustível e reduz a emissão de dióxido de carbono (CO2).

interior de veículo mostrando plástico em algumas partes
Fonte: motor1.uol.com.br

Além disso, o plástico possui uma flexibilidade de design muito maior que os componentes de metais devido a capacidade de gerar componentes complexos, além de um menor custo de produção.

Entretanto, sabe-se que a grande desvantagem do plástico comum está na sua decomposição, visto que ele é produzido a partir do petróleo (fonte não renovável) e pode levar mais de um século para desaparecer completamente do meio ambiente.

OK! Mas e os plásticos biodegradáveis?

Como nem tudo são flores, apesar desse tipo de plástico ter um tempo de degradação muito menor, por ser uma tecnologia ainda em desenvolvimento e produzida em pequena escala, o seu custo de produção se torna alto, chegando a custar até 40% mais caro que o plástico comum.

Os novos tipos de plástico

Com leis mais rígidas que visam preservar o meio ambiente através do uso de plásticos renováveis, a demanda natural pelo desenvolvimento de plásticos inovadores e amigáveis ao meio ambiente é cada vez maior, visto que até US$ 120 bilhões são perdidos globalmente pelo abandono e descarte incorreto de embalagens plásticas, segundo o relatório The New Plastic Economy.

Com o mercado automobilístico em forte crescimento, termoplásticos de engenharia, como PEEK, PMMA e TPV terão suas funções a serem aplicadas, já que eles têm mostrado capacidade de trabalhar em alta performance diante de condições severas.

Os bioplásticos também estão na mira dos desenvolvedores de materiais para a indústria automobilística. Um exemplo é a empresa DuPont Performance Polymers trouxe ao mercado o primeiro biopolímero de engenharia em 2006, e a companhia diz que está nos planos dela aumentar o portfólio de materiais sustentáveis.

O polímero termoplástico denominado Sorona EP contém entre 20 e 37% de material renovável e oferece performance similar ao PBT (tereftalato de polibutileno), termoplástico de engenharia com excelente resistência e rigidez. Boa parte dos componentes desse novo material estão ligados ao propanediol, obtido através do açúcar presente no milho.

Gráfico de Relação de dureza x rigidez de plásticos de fontes renováveis
Relação de dureza x rigidez de materiais de fontes renováveis. Foto: engpolymer.co.kr

Além de excelente resistência e rigidez, conforme mostra a imagem acima, testes realizados pela empresa indicam que o polímero Sorona também possui bom acabamento superficial e boa estabilidade dimensional, o que o torna bastante atrativo para aplicação em diferentes partes e componentes de automóveis.

Desafios à frente

Apesar dos avanços que estamos presenciando nessa área, ainda há muito que melhorar. Os plásticos de engenharia do futuro terão que ser mais resistentes, mais leves, e deverão suportar temperaturas mais altas.

Contudo, acreditamos que a jornada para essa transformação seja longa, visto que o investimento para desenvolver plásticos de alta performance é alto, mas que a longo prazo o resultado é de grande potencial para a indústria automobilística, trazendo carros muito mais leves e que sejam menos agressivos ao meio ambiente.

Fontes: engineering.com , ecycle.com.br, bluevisionbraskem.com

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Matheus Vieira

Estudante de Engenharia Mecânica no oitavo semestre. Fascinado por tecnologia e finanças. Nas horas vagas, gosta de estudar mercado financeiro, jogos online e viajar.

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