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Entenda por que o "novo Stephen Hawking" da Ciência afirma que ‘O tempo não existe’

por Jônatas Ribeiro | 30/08/2021

"O tempo não existe. Tenho 15 minutos para convencê-los disso", disse Carlo Rovelli, o "novo Stephen Hawking", em uma de suas palestras. Confira aqui!

Nos últimos anos, Carlo Rovelli, um italiano nascido em Verona, é um dos maiores divulgadores científicos em destaque nas manchetes mundiais. Ele vem sendo apresentado recorrentemente como o “novo Stephen Hawking“. Por quê? Por suas colocações serem provocativas, chamando a atenção dos curiosos, especialmente quando o assunto é tão instigante como a natureza do tempo. Quer saber o que ele tem a dizer sobre isso? Leia no texto a seguir!

Um físico “rock star” da Ciência

De tempos em tempos, surgem novos divulgadores científicos tidos como “rock stars” da Ciência, ou seja, pesquisadores com presença marcante na mídia e abordagens didáticas e intrigantes sobre conceitos complexos. Muitos entusiastas mais velhos da área, por exemplo, se lembram ainda muito bem de Carl Sagan (1934-1996), mundialmente famoso pela pioneira série televisiva chamada ‘Cosmos’. Da mesma forma, também se recordam de Stephen Hawking (1942-2018), que, em adição à sua inspiradora luta contra a esclerose lateral amiotrófica (ELA), fascinava seus leitores trazendo à luz ideias gerais de teorias de difícil compreensão.

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Imagem reproduzida de The Guardian

Mas, desde 2012, quando apresentou sua TEDx Talks na Lombardia, Itália, Carlo Rovelli – já bastante célebre na academia -, foi alçado a esse mesmo status ao não poupar esforços em trazer a atenção da plateia para si. Tudo começou com a impactante frase que usou para abrir a palestra:

“O tempo. O tempo não existe. Tenho 15 minutos para convencê-los disso.”

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Afinal, o que é o tempo?

A noção de tempo pode parecer a coisa mais natural do mundo; afinal, está sempre presente em nossas vidas, queiramos ou não. E, de fato, desde a antiguidade, o tempo é uma parte fundamental da organização da humanidade.

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Já utilizamos o céu para marcar o tempo, pelo movimento do Sol, da Lua e dos demais corpos celestes. Hoje, temos relógios, calendários e outros mecanismos que nos garantem precisão e controle de nossas rotinas. Se o tempo é tão fundamental, é fácil pensar nele como absoluto: uma reta constante, seguindo sempre para a frente!

Assim também pensavam os cientistas de tempos passados, incluindo figuras conhecidas como Galileu Galilei e Sir Isaac Newton, nos séculos XVI e XVII. Existia, em suas concepções, o espaço, com as suas três dimensões em que somos livres para nos movimentarmos. Independentemente, existia o tempo, avançando em ritmo constante em uma única direção; imperceptível, mas mensurável. E se, um dia, mesmo que o universo se acabasse, o tempo estaria lá.

A saber, foi a partir dessas ideias que Newton desenvolveu suas Leis Fundamentais sobre a Mecânica, isto é, o movimento dos corpos, e a gravitação universal!

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Uma Revolução Científica

Tudo isso muda radicalmente com a chegada de uma mente brilhante e atenta a trabalhos experimentais desafiadores que estavam em curso: Albert Einstein. Em 1905, considerado um “ano miraculoso”, o cientista publicou cinco artigos que mudariam a história da ciência. Entre eles, estavam as ideias por trás da chamada relatividade especial. Aqui, não é mais o tempo a quantidade absoluta, mas a velocidade da luz. E, para atender essa demanda, tanto tempo como espaço passam a ser mais “flexíveis”.

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Imagem reproduzida de Exame

A duração de um evento, antes percebida como a mesma para qualquer relógio ou cronômetro, passa a depender da velocidade do medidor em relação a um ponto de referência. Ou seja, o tempo depende de quem o observa!

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Um paradoxo bem conhecido ilustra a ideia: dois gêmeos tomam decisões bem diferentes na vida e um decide viajar pelo espaço como astronauta, a uma velocidade próxima à da luz, enquanto o outro fica na Terra. Ao retornar, o gêmeo astronauta perceberia que seu irmão ficou mais velho do que ele!

Na relatividade, as três dimensões espaciais e o tempo, na verdade, compõem um único tecido que permeia o universo. Assim podemos pensar em uma coleção infinita de eventos existentes em um espaço-tempo quadridimensional. Como no espaço, alguns instantes de tempo podem já ter sido acessados e outros não, mas todos estão ali. E Einstein, anos após seu “ano miraculoso”, com as novas ideias da relatividade geral, estende as mesmas ideias como explicação da gravidade, que seria decorrente de distorções do espaço-tempo causadas pela massa dos objetos. Enfim, o tempo mostra não ser simplesmente uma seta, mas algo muito mais fluido e complexo!

O tempo na gravidade quântica

Enquanto ocorria uma revolução na física macroscópica, outra revolução ocorria no conhecimento sobre o universo microscópico. A Mecânica Quântica trouxe à luz diversos fenômenos em escala atômica e subatômica utilizando ferramentas teóricas criativas e peculiares. Ambas, Relatividade Geral e Mecânica Quântica, são muito bem demonstradas por experimentos científicos. Porém, as diferenças são grandes demais para a conciliação em uma única teoria. É aí que entra o trabalho de Carlo Rovelli.

Loop
Imagem reproduzida de Estudo Kids

Rovelli é um dos grandes nomes da chamada Gravidade Quântica em Loop (GQL), que, assim como a mais conhecida Teoria das Cordas, tenta unificar os campos distintos da física.

“Para chegar a uma nova teoria, devemos construir um esquema mental que não tenha a ver com nossa concepção usual de espaço e tempo.”,

“Você tem que pensar em um mundo em que o tempo não é mais uma variável contínua, mas uma outra coisa.”

– Carlo Rovelli, em entrevista para a BBC Mundo.

De fato, na GQL, o espaço-tempo é tido como fragmentado e granulado. O próprio tempo não é necessário em muitas de suas equações, o que inspirou Rovelli a pensar em uma nova concepção de “física sem o tempo“. E, partindo tanto da Mecânica Quântica quanto da Termodinâmica, afirma que a aparente existência do tempo seria resultado de nossa ignorância. Assim, para ele, a passagem do tempo não seria uma parte objetiva do universo, mas somente a direção em que ganhamos informação.

Achou a discussão interessante? O que mais você conhece sobre a ideia de tempo na Ciência? Compartilhe com a gente nos comentários!

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Fontes: BBC, UOL

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Jônatas Ribeiro

Mestrando em física, atuando na área de física nuclear, e bacharel em física e astronomia pela USP. Eternamente apaixonado por ciência e tecnologia, mas com muito espaço no coração também para música, cinema, literatura e HQs.