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Cientistas desenvolvem interface cérebro-computador que não precisa de gel

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2 min

POR Kamila Jessie 08/10/2019

Pesquisadores desenvolveram um novo tipo de eletrodo para eletroencefalograma que pode fazer exatamente isso, sem aquele gel grudento que os eletrodos convencionais exigem. Além disso, o dispositivo não exige que o cabelo do usuário seja raspado.

Imagem: aficionados.com.br

Lendo sua mente

Aquele papo de controlar as coisas pelo cérebro está cada vez mais distante da ficção científica e próximo da nossa realidade. A pesquisa para esse novo tipo de eletrodo flexível pode, em um futuro não distante, ser um componente de interfaces cérebro-computador na direção de veículos, por exemplo. A criatividade alimenta as descobertas.

Uma das principais aplicações do eletroencefalograma é na investigação médica de condições neurológicas. O equipamento funciona por meio da detecção e organização de padrões no cérebro. Para conduzir um eletroencefalograma, os técnicos da área de saúde, em geral, utilizam um gel para aderir os eletrodos a diferentes regiões do escalpo do paciente.

Entretanto, quem já teve de lidar com esse tipo de procedimento entende as dificuldades depositadas sobre o usuário: possível irritação na pele, uma complicação imensa para tirar o gel que possa ter grudado no cabelo, dentre outras. Além dessa questão, há um fato que se volta para o desempenho do equipamento. No caso, o cabelo do paciente pode interferir nos sinais elétricos a serem detectados.

Eletrodo flexível gel-free para eletroencefalograma

Nessas circunstâncias, profissionais empenhados em inserir conceitos de engenharia na medicina colocaram nanofios de prata em uma esponja de melamina disponível no mercado. A equipe montou 10 eletrodos em uma tampa de silicone flexível e mediu seu desempenho quando usados por pessoas com cabeças raspadas ou com cabelo. Na pele sem pelos, os novos eletrodos registravam ondas cerebrais e convencionais. Além disso, a flexibilidade dos eletrodos permitiu que eles funcionassem de maneira semelhante tanto na pele com cabelo quanto sem, ao contrário dos dispositivos convencionais. Um voluntário usando o boné poderia controlar um carro de brinquedo com sua mente, fazendo-o avançar, retroceder, esquerda ou direita. Os eletrodos são mecanicamente estáveis através de diferentes ciclos e movimentos e também são resistentes ao calor e ao suor.

eletrodo flexível
Imagem: pubs.acs.com

A intenção do grupo de pesquisadores era desenvolver um eletrodo de eletroencefalograma que fosse flexível, robusto e que não demandasse o uso do famigerado gel. Esse equipamento poderia ajudar os pacientes, a princípio, gerando mais conforto no procedimento. Porém, de uma perspectiva mais visionária, o dispositivo poderia, no futuro, compor equipamentos que permitissem às pessoas controlar tecnologias com o próprio cérebro. Mais um passo para tornar sci-fi real.

Fonte: American Chemical Society.

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Kamila Jessie

Doutoranda em Hidráulica e Saneamento na USP, formada em Engenheira Ambiental e Sanitária, sonhadora em tempo integral, amante de ciências e inventividades.

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