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Fome de Poder: uma análise do ponto de vista de Engenharia de Produção

por Jéssica Dias | 01/08/2020
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O documentário, que conta a história dos irmãos McDonald, traz muitos ensinamentos práticos

O documentário “Fome de Poder”, disponível na Netflix, além de entretenimento é também uma fonte de aprendizado, na qual podemos ver na prática alguns conceitos aprendidos na graduação. Assim, hoje trazemos alguns conceitos abordados para uma análise do ponto de vista da Engenharia de Produção.

Ray Kroc em frente a uma das lojas do Mc Donald's em Minnesota
Ray Kroc em frente a uma das lojas do Mc Donald’s em Minnesota. Fonte: medium.com/tuliopb

1. Aplicação do Princípio de Pareto

Os irmãos McDonald’s, ao contarem sua história para Ray no início do documentário, mencionam que em certo ponto perceberam que, de seu menu composto de aproximadamente 30 itens, 3 eram responsáveis por 87% do faturamento: sanduíches, batata frita e refrigerante. Dessa maneira, aplicaram o princípio de Pareto, que estabelece que a maior parte dos lucros são gerados pela menor parte dos produtos, geralmente obedecendo a proporção de 80% de lucro para 20% de produtos. O gráfico de Pareto é uma das ferramentas da qualidade estudadas na Engenharia de Produção e você pode conhecer mais sobre elas clicando aqui.

2. Redução de custos a partir da adaptação do modelo de negócios

Inicialmente o McDonald’s operava no modelo drive-in, no qual os consumidores chegavam em seus veículos e eram servidos neles por garçonetes. Apesar de ser um modelo lucrativo no início, havia vários problemas: atraía clientes “ruins” – adolescentes barulhentos que os irmãos McDonald’s chamavam de “baderneiros e delinquentes” – e que, além da bagunça, atrapalhavam o trabalho das garçonetes, causando insatisfação com o serviço, além de constantes furtos e degradação das louças utilizadas. Todo esse cenário também aumentava o custo, afinal além do gasto com a folha de pagamentos das garçonetes, tinham que repor os itens furtados ou quebrados.

Assim, após aplicar o princípio de Pareto citado no ponto anterior, mudaram também alguns pontos em seu modelo de negócios: em vez de as garçonetes entregarem o alimento nos carros, cada cliente deveria ir até as janelas pegar seu pedido – desse modo reduziram o custo com a folha de pagamento. Além disso, substituíram as louças por embalagens de papel e plástico, reduzindo ainda mais o custo. Essas mudanças, além dos benefícios financeiros, criaram um ambiente que atraía clientes melhores. Fica uma lição para quem estuda ou pratica a Engenharia de Produção: sempre devemos procurar entender quais as consequências, boas ou ruins, das soluções propostas em nossas análises.

3. Aumento na produtividade a partir de simulação de mudanças no layout da produção

Um outro problema enfrentado no modelo de negócios inicial era o tempo de produção de um pedido. Para resolver isso, os irmãos foram a uma quadra de tênis e, no chão, desenharam um novo layout para a cozinha de forma que o processo de produção fosse mais fluido e, consequentemente, mais rápido.

Antes de chegar no layout final, entretanto, levaram seus funcionários para a quadra para “testar” o novo modelo imaginado. Ou seja, eles simularam o que aconteceria na realidade caso aquele modelo fosse adotado. Vendo que alguns pontos não funcionaram, adaptaram ali mesmo para testar novamente. Vemos aqui um princípio da simulação: modelar e testar cenários antes de implementar. Você pode aprender mais sobre a importância da Simulação na Engenharia de Produção clicando aqui.

funcionários em quadra, testando novo layout
Fonte: subtraction.com

4. Padronização a partir de “estudo” de tempos e movimentos

Juntamente à mudança do layout, foi desenvolvida também uma linha de produção na qual cada funcionário tinha os movimentos certos a serem feitos e de forma que o processo fosse padronizado. Ou seja, a partir desse “estudo” dos tempos e movimentos dentro do novo layout, conseguiram reduzir um dos desperdícios da produção, a movimentação excessiva – dentro do novo modelo cada movimento tinha um propósito.

A combinação dos pontos 3 e 4 levou a produção diminuir de aproximadamente 30 minutos para 30 segundos.

funcionários preparando alimentos em linha de produção
Fonte: icgmagazine

5. Diferenciação a partir da criatividade

Uma das características mais importantes para o(a) Engenheiro(a) é conseguir manter-se criativo mesmo no meio de tantos métodos e ferramentas “padrão” que aprendemos na faculdade. Apesar de este ponto não estar necessariamente ligado à Engenharia, acredito que valha a pena destacar.

Ray, a partir do input dos irmãos sobre os “arcos de ouro”, percebeu que isso poderia ser algo único, a marca do McDonald’s. Assim como cada cidade tinha uma igreja com uma cruz e um tribunal com uma bandeira dos Estados Unidos no topo, ele visualizou que cada cidade deveria ter um McDonald’s com os arcos de ouro, que o diferenciaria de qualquer outro restaurante e que remeteria ao lugar onde as pessoas se encontram para comer sanduíches.

frente do mcdonalds, documentário fome de poder
Fonte: businessinsider.com

Para finalizar, podemos observar que, na prática, muitas vezes os conceitos da Engenharia de Produção não são aplicados isoladamente e, quando são, geralmente os resultados afetam mais de uma área. Assim, é importante sempre olhar o sistema como um todo e identificar quais conceitos e ferramentas se aplicam ao problema em questão.

Quais pontos você adicionaria nessa análise? Concorda com os pontos apresentados? Deixe seu comentário!

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Jéssica Dias

Engenheira de Produção formada pela UENF com mais de dois anos de experiência em cadeia de suprimentos (supply chain), passando por funções nas áreas de logística, processos e planejamento de materiais. Apaixonada por tecnologia, leitura, ensinar o que sei e ajudar a outras pessoas a serem melhores em suas carreiras.

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