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Como o Cristo Redentor foi construído?

por Júlia Sott | 02/08/2020
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No alto do Corcovado, o monumento é feito de concreto armado e pedra-sabão

O incrível e famoso monumento de Jesus Cristo, denominado Cristo Redentor, símbolo brasileiro e uma das 7 maravilhas do mundo moderno, contém um projeto inovador para a época e uma execução admirável.

Planejamento

O Corcovado, morro onde Cristo se encontra, já era famoso antes mesmo do monumento ser construído, estando presente em pinturas da época. Portanto, a localização já atraía turistas por ser um ponto de observação, e atraiu ainda mais após a implementação do bonde da Estrada de Ferro do Corcovado, que fazia o percurso morro acima.

Após uma reunião entre autoridades do governo e religiosos, em 1921, a obra começou a ser planejada. O engenheiro escolhido para ser responsável pela obra foi Heitor da Silva Costa, após vencer um concurso do projeto.

Para dar vida ao monumento, foi feita uma campanha nacional para arrecadar fundos. Foram lembrados como possíveis locais para instalação os morros Pão de Açúcar, Morro Santo Antônio e o Corcovado, contudo o terceiro se destacou mais por ser integrado com uma linda porção da Mata Atlântica.

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Imagem: Gabriel Rissi/Unsplash

Os responsáveis pelo projeto, além do engenheiro, foram o artista plástico brasileiro Carlos Oswald, responsável pelo design final, e o escultor francês Paul Landowski, que modelou as peças que compõem a estrutura.

Estrutura

Inicialmente, o Cristo seguraria uma cruz e um globo terrestre, mas a ideia de fazê-lo de braços abertos, como se estivesse abraçando a cidade, prevaleceu. Além disso, sua cabeça é inclinada para baixo, reforçando a ideia de que ele está protegendo e abençoando a população. Mesmo para quem não é religioso, é inevitável admitir que o Cristo Redentor é um símbolo que coroa a cidade do Rio de Janeiro e leva essa imagem para o mundo inteiro.

O monumento tem 38 metros de altura, cerca de mil toneladas e se encontra sobre um morro de 700 metros de altitude. Mas você sabia que ele veio da França, em pedaços, para ser montado aqui? O escultor francês desenvolveu todos os moldes de gesso e mandou para o Brasil. Só a cabeça era feita por 50 peças, e cada mão media 3,2 metros de comprimento! Louco né?

Imagem: www.visitriodejaneiro.city

A estrutura consiste em 4 pilares e 12 andares em concreto armado, o que não era muito comum na época. Com exceção das mãos, ela é oca, permitindo o acesso interno através de uma escadaria metálica. O Cristo também tem um coração, localizado no oitavo andar, e na cabeça e braços se encontram para-raios.

Desafios da construção

A construção teve início em 1926 e durou 5 anos, sendo inaugurada no dia 12 de outubro de 1931.

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Imagem: S.H. Holland/Acervo IMS

Foram muitas as dificuldades que os operários enfrentaram, como raios durante tempestades, forte calor no verão e muitos problemas de logística, pois o canteiro de obras continha apenas 15 metros de diâmetro. Com todos esses problemas, nenhuma morte ou acidente ocorreu na construção. Devido às circunstâncias, é de se admirar né?

Falando em canteiro de obras, imagina ter de levar todos os materiais lá pra cima e ainda ter de trabalhá-los em um local com dimensões limitadas? O canteiro teve de ser dividido em 2 partes: a primeira no topo, onde havia depósitos, andaimes (que foram feitos de doações dos antigos trilhos de um bonde), uma grua, elevador de carga, betoneira e área de dosagem.

A segunda parte do canteiro em um local mais baixo e maior, e foi interligada com a primeira através de um sistema inclinado de quase 50 metros. Continha um barracão de corte, dobra e solda, concentração de materiais e uma área de convivência que abrigava refeitórios, banheiros e dormitórios.

Execução

Primeiramente foram feitos os nivelamentos e vigamentos e, após isso, a estrutura de pilares e contraventamentos foi levantada. Os componentes que vieram da França foram sendo implementados de cima para baixo. Para a concretagem dos componentes, os moldes eram mergulhados em argamassa e depois recebiam a armação em aço e concreto.

Após a secagem, a superfície externa ia sendo modelada pelos operários com base nos desenhos, e depois foi revestida em pedra-sabão triangulado rejuntado. Foi assim que o nosso simbólico Cristo Redentor ganhou vida!

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Imagem: Pedro Kirilos/Riotur

Fontes: Instituto de Engenharia; Archdaily;

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Júlia Sott

Engenheira Civil formada em 2019 pela UNIJUÍ e atualmente em busca de um trainee (até rimou). Após a formatura embarquei para os EUA para trabalhar, estudar e explorar o Vale do Silício por 1 ano. Também amo ler, viajar e sou cantora nas horas vagas. Sempre em busca de evolução, conhecimento, novas conexões e habilidades.

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