Engenharia 360

Como a Engenharia contribui (e pode contribuir ainda mais) para a área da Saúde?

Engenharia 360
por Redação 360
| 07/06/2022 | Atualizado em 17/06/2022 6 min

Como a Engenharia contribui (e pode contribuir ainda mais) para a área da Saúde?

por Redação 360 | 07/06/2022 | Atualizado em 17/06/2022

A indústria atual está se encaminhando para o que os especialistas chamam de Modelo 4.0, onde a Engenharia tem a função de trabalhar ainda mais para transformar a vida das pessoas. A digitalização de alguns sistemas, por exemplo, tem aberto grandes oportunidades para todos os setores da economia. E uma das grandes revoluções já iniciadas é na área da Saúde, onde a Ciência se vale da Inteligência Artificial, Big Data, hologramas, óculos digitais, impressão 3D e além para melhorar o cuidado das pessoas, gestão de clínicas e hospitais, fora a formação do próprio corpo médico e demais profissionais que atuam no setor.

Os grandes protagonistas de todos esses avanços das engenharias são aqueles que estudam Mecânica, Elétrica, Controle e Automação, Softwares, e mais. Todos os estudantes e formados nessas áreas podem adquirir as competências científicas e de Engenharia necessárias, além de exercitar sua criatividade e persistência para resolver desafios clínicos, operacionais e financeiros que envolvem esse mundo da Medicina. Inclusive, neste texto, contamos com a opinião de uma excelente especialista, a Dra. Ana Laura Batista da Silva, para entender como a Engenharia já fez a diferença e como ela pode ajudar ainda mais àqueles que atuam na área da Saúde.

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Medicina e Engenharia
Imagem reproduzida de Linkedin – Ana Laura Batista da Silva
1. Dra. Ana Laura, vamos começar a nossa entrevista já apontando direto para o alvo da nossa discussão, tudo bem? Na sua opinião, ‘Medicina e Engenharia’ combinam?

“Sim, Medicina e Engenharia são duas grandes áreas do desenvolvimento humano que potencializam uma à outra.
Como médica de família e comunidade, minha principal área de atuação é na Atenção Primária em Saúde (APS), onde utilizamos ‘tecnologias leves’, como anamnese, exame físico, avaliação socioeconômica da pessoa para atender às necessidades da população com equidade. Mesmo nesse contexto, a Engenharia proporciona maior assertividade à Medicina, por exemplo, para tratar das doenças mais prevalentes do mundo necessitamos de equipamentos como esfigmomanômetro, eletrocardiograma, balança pondero-estatural e termômetro.”

“Em outros níveis de atenção como Atenção Terciária e Quaternária em Saúde, que ocorrem em centros hospitalares, a ‘tecnologia dura’ depende ainda mais do avanço da Engenharia para a realização de cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes e diálises.”

2. Tecnologia da informação é o conjunto de várias atividades e soluções providas de recursos de computação. Dizem que ela estaria abrindo muitas possibilidades para a capacitação de médicos e outros profissionais da área da Saúde ao redor do mundo. Qual a sua opinião sobre isso? Você teve, de algum modo, contato com esse campo multidisciplinar durante a sua faculdade, residência ou mesmo agora, como uma médica formada?

“Minha graduação ocorreu na PUC-Campinas de 2006 a 2011, quando estávamos em transformação digital; então, ainda se usavam slides e power point para dar aulas. Hoje, os alunos aprendem através de vídeos interativos e aulas online, que facilitam o acesso, permitem revisar conteúdos e visualizar mais claramente a fisiologia e fisiopatologia do corpo humano. Sem dúvidas, o aprimoramento do ensino se deu pelo avanço da Tecnologia da Informação.”

“Atualmente, sou médica de família do Hospital Sírio Libanês, que é referência na América Latina no nível Quaternário de Atenção em Saúde, ou seja, utilizamos expressivamente todas as Engenharias citadas e estamos totalmente envolvidos no mundo digital desde prontuários eletrônicos até cirurgias robóticas.”

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Medicina e Engenharia
Imagem reproduzida de O Globo

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3. Grande parte da Engenharia voltada à Saúde se dedica especialmente ao desenvolvimento de equipamentos e softwares. Por exemplo, para ressonância magnética, tomografia computadorizada e raio-x, além de coleta e interpretação de dados. Aliás, os dados gerados permitem que técnicos da área acompanhem a quantidade diária e tempo médio de realização dos exames, além do compartilhamento de imagens com os médicos. Você pode comentar um pouco como tudo isso impacta o seu dia a dia de trabalho?

“Todos os dias, solicitamos exames complementares para fechar um diagnóstico e fazer um acompanhamento adequado. É frequente a necessidade de exames de urgência, onde precisamos das imagens disponíveis no mesmo plantão. É uma verdadeira ‘engenharia’ organizar as agendas dos procedimentos e exames, incluindo programados e de urgência, ou seja, definir qual a duração de cada exame e o tempo que leva para ter as análises. Isso é de extrema importância no cotidiano médico!”

4. Toda essa quantidade enorme de informações contidas em imagens feitas por equipamentos só pode ser coletada e encaminhada para um banco de dados – visando comparar casos e fazer diagnósticos e laudos – graças, em parte, à Inteligência Artificial. Diz-se que, com isso, os médicos teriam maior assertividade ao indicar um determinado tratamento a um paciente. Você concorda?

“Acredito que cada vez mais a Inteligência Artificial contribuirá para a Medicina e tem maior relevância na determinação do laudo do exame complementar.”

“Em se tratando de definir o melhor tratamento, depende da relação médico-paciente, visto que cada ser humano tem sua história, suas crenças, seu comprometimento com a saúde e a resposta à terapêutica é peculiarmente individual, portanto não é exato como a Matemática.”

Medicina e Engenharia
Imagem reproduzida de Poli USP

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5. Aliás, pensando em todo o território do Brasil, que é um país em tamanho continental, quanto, na sua opinião, as engenharias ajudam os médicos a levar medicamentos e atendimento de qualidade às áreas mais remotas?

“A telemedicina tem muito a avançar neste país continental e, através dela, pessoas que moram em áreas remotas são muito beneficiadas. Na pandemia, tive a oportunidade de atender pessoas com suspeita de COVID-19 em todas as regiões do Brasil. Foi um privilégio utilizar dos recursos tecnológicos para ajudar a população que tem menos acesso à saúde.”

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6. As inovações vindo das pesquisas de Engenharia criam sistemas como os modelos 3D, sobre o qual os médicos podem se debruçar e conseguir também desenvolver uma série de boas soluções para ajudar seus pacientes. Com as impressoras 3D, já é possível fazer próteses sob medida de ossos, tecidos e protótipos de órgãos – por exemplo, através do uso de células vivas cultivadas -, e mais. Como você enxerga esse avanço tecnológico e o futuro da Medicina no mundo?

“A busca incansável para resolver problemas de saúde insolúveis é potencializada com a integração entre Engenharia e Medicina. Estas inovações revolucionam o tratamento de paralisias, doenças degenerativas e do câncer.”

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Imagem reproduzida de GeHosp

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7. Falando mais uma vez em termos globais, temos aí a situação da Pandemia, que impactou as nossas vidas nos últimos anos. De que maneira você acredita que a Engenharia auxiliou no combate ao Covid-19 – pensando em prevenção, diagnósticos, produção de vacinas, distribuição e logística de materiais, e além?

“Nunca antes tivemos produção de vacinas em tamanha velocidade e larga escala. Equipamentos de linhas de produção de imunobiológicos, maquinários e veículos de transporte climatizados são alguns dos recursos necessários que existem graças aos avanços tecnológicos da Engenharia.”

8. E quais as notícias que você pode dar ao 360 com relação à utilização de materiais técnicos e equipamentos desenvolvidos pela Engenharia nas aulas do curso de Medicina? Existe alguma deficiência neste sentido nas instituições brasileiras? Como você enxerga esse cenário?

“Precisamos de mais materiais, bonecos para treinar procedimentos, equipamentos de áudio-vídeo com salas equipadas para melhor aprendizado. Na minha formação, ainda utilizam animais para experimentos, acredito que devam ser substituídos por inteligência artificial / mundo virtual.”

Medicina e Engenharia
Imagem reproduzida de Portal Telemedicina

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9. Por fim, vamos nos afastar desta questão da relação ‘Medicina e Engenharia’ e falar da presença da mulher no mercado de trabalho. Gostaríamos que você fizesse uma exposição muito pessoal da sua opinião sobre uma possível evolução, desafios ainda existentes, tabus e até retrocessos da admissão de mulheres atuantes na área da Saúde. Por exemplo, a primeira médica formada no Brasil, no ano de 1887, foi a gaúcha Rita Lobato Velho; já a primeira médica negra do Brasil foi a baiana Maria Odília Teixeira, formada em 1909. O que será que mudou de lá para cá?

“Muita coisa mudou, hoje mais de 50% das vagas da graduação em Medicina são ocupadas por mulheres, essa mudança de paradigma foi superada.”

“Ainda vemos pouquíssimos alunos negros nas faculdades de todas as áreas, apesar de mais da metade da população brasileira ser negra. O grande desafio do país é retribuir aos negros tudo que contribuíram para a construção do Brasil, um caminho é garantir o acesso de negros e negras às instituições de ensino superior.
Outro desafio é a mulher alcançar cargos de gestão, pois a maioria dos hospitais possui homens na direção e coordenação.”

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Imagem reproduzida de Medicinasa

“Ainda existe desigualdade de salários entre os gêneros e as mulheres sofrem com demissões após a licença maternidade.”

“Um tabu que precisa ser eliminado urgentemente é de que a mulher é responsável pelos afazeres domésticos, o que é evidenciado pela carga dupla de trabalho à qual as mulheres inseridas no mercado de trabalho estão sujeitas.”

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